segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Enterrando 2012

Grassadeuz!

Estou muito feliz que esse ano, enfim, acabou. Foi um ano muito difícil, comecei indo pro hospital e minha ladainha com esse tema não ficou por aí. Eu estive muito doente. Tive que abrir mão de coisas, tive que me reinventar de novo e de novo até cansar.

E como eu cansei. Foi um cansaço só. Foi como se eu vivesse os 365 dias do ano num fôlego só. Tinha dias que tinha preguiça de viver. Mas, sobrevivi...

Eu não queria fazer planos para 2013, porque todos os meus planos de 2012 foram por água abaixo e tive que aprender a viver e conviver com o imprevisível escondido embaixo da minha cama. Meu bicho-papão. Porém, invarialvelmente, sou uma mulher de planos. Sem eles, sou ninguém.

Eu tenho alguns planos para 2013. A diferença para os anos anteriores é que não são metas que quero, enlouquecidamente, atingir. Ainda estou em processo. Ainda preciso de um tempo. Mas, eles estão lá, eles existem. E nem que eu precise engavetá-los por mais alguns meses (e, talvez, terei), eles não deixarão de existir.

Talvez, nesse momento, mesmo tendo planos, a única promessa para 2013 é: não desistir.

E a música do ano é:


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Enquanto isso, nas férias...


Pra quem está em terras quentes: muito calor, cerveja e churrasco nos finais de semana!!

Pra quem está em terras frias: muito calor, chocolate quente e fondue nos finais de semana!!

Como eu sou da segunda turma, deixo só uma amostra de como o dezembro já começou e como, provavelmente, vai permanecer até início de 2013.


Boas Festas!!
Arrasem em 2013! (se o mundo não acabar, claro!)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Uma questão de educação (lá)

Meu cunhado aluga um quarto em seu apartamento para estudantes. Dessa vez, o estudante é da China.

Marido foi lá fazer uma visita ao irmão e voltou com um lindo maço de cigarros chinês. Perguntei a marido se o chinês fumava e ele me conta a seguinte história:

"Eu saí na varanda pra fumar, quando ele apareceu com esse maço de cigarros pra me dar. Eu perguntei se ele também fumava e ele respondeu que não. Então, perguntei porque ele tinha cigarros e ele explica que na China, quando se recebe visita e essa visita fuma, o dono da casa deve oferecer cigarros pra ele"

Assim, marido voltou com um maço de cigarros chinês pra casa.

O mais legal foi o chinês ter transportado essa "tradição" pra cá e ter trazido os próprios cigarros para o caso de receber visitas.

Achei super interessante. E uma forma de mostrar, "à sua maneira", gentileza.

Já aqui, se não fumamos, botamos o amigo fumante pra fora de casa. hahahahaha

Update: ó, meu povo, eu nao to criticando o "botar pra fora", viu? Eu só comparei as culturas. Aqui em casa, apesar de marido ser fumante, eu também "boto pra fora". Ou fuma na varanda, ou no fumódromo de marido (escritório dele). 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Uma rapidinha da minha família

Querem saber como eu faço meu pai rir?

Falando ao telefone, ele pergunta:
- E cadê o marido?

Eu respondo, com aquele ar de nobreza:
- Está na cozinha preparando o jantar. Ou (insira aqui qualquer outra atividade doméstica)

Pronto. Ele cai na gargalhada.

Por quê, né? Totalmente estranho e fora de órbita isso acontecer.

No mundo do meu pai, claro!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Regrinhas básicas

Eu sei que um monte de gente já falou isso de diversas maneiras em diversos blogs, mas, como tem um tempo que eu não falo sobre os hábitos alemães, resolvi escrever também. Claro, aproveitando que por conta das festas de final de ano e do inverno, as visitas aumentam consideravelmente. Então, quando você visitar a casa de um alemão ou de alguém que mora aqui e já "alemanizou", não se esqueça de:

- Levar algo para o anfitrião. Vinho, flores, chocolate, torta, biscoitos... Qualquer coisa. Principalmente, se for a primeira vez que você está indo à casa dessa pessoa.

- Caso não saiba o que levar, pergunte. E se o anfitrião responder: um champagne francês caríssimo. Rá. Vai ter que levar. Mentira, pode mandar ele catar coquinho e levar um barato mesmo.

- Tire os sapatos. Na casa alemã, sempre há lugar para se pendurar o casaco e colocar os sapatos, principalmente, se o chão da casa for encapertado e você não quiser sujar a casa do outro com a lama da neve. Porque neve é linda e tal, mas vira um lama no final. (Rimou!). Então, é casaco no cabide e pés descalços. Se esqueceu desse detalhe e tiver com uma meia furada, pergunte, educamente, se você pode manter os sapatos. Mas, o mais normal é tirar mesmo. : )

- Se for uma festa grande, com muitos convidados, não aguarde que o anfitrião te sirva o tempo todo. Vá lá e pegue. Abra a geladeira. Pegue o prato. Sinta-se em casa. Se vire. Deu pra entender?

- Se quiser fazer uma visita, ligue e pergunte a disponibilidade. Muitos alemães não gostam de receber surpresas. A não ser que seja um amigo de longa data. Ou ele saiba que você é brasileiro e adora ser "espontâneo". Hihihihi

Alguns extras:
- Eles não acham estranho ligar pra sua casa nas horas das refeições, ou tarde da noite. Não fique chateado se isso acontecer com você. Caso esteja almoçando ou jantando, é só dizer: "Fulano, estou almoçano agora, posso ligar depois?" Eles irão entender. Ou nunca mais te ligar. Só que aí, foi o cara que não deu na noite anterior. Não é pessoal. hahahahaha

- Os festejos de Natal começam no primeiro advento, que é o primeiro domingo de dezembro e seguem os seguintes até o dia de Natal. Dia 26, aqui, ainda é Natal.

- Alguns adoram marcar encontros nos Mercados de Natal. Aguentem o frio, coloquem uma roupa bem quente e se joguem no Glühwein (quentão)!

E bora para as festas, que a gente merece!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Farinha do mesmo saco

Fui para um show com o marido na segunda. Sim, show na segunda. Você não leu errado. E, antes que esqueça, recomendo muito a banda, Miss Li, são fodásticos e... suecos. Sem mais.

Em um momento do show, fomos para a área do bar e sentamos no sofá pra descansar. Velhos. Aí eu reparei numa senhora olhando pra gente. Sei lá, na faixa dos 60. Ela olhava e sorria. Olhava e sorria.

Voltamos pra o show e ficamos na parte de trás. Ela também. E continuava olhando. Um sorriso simpático. Devolvi o sorriso. Eu dançava, claro, fazendo brincadeiras com marido. Estávamos adorando.

Show acabou. Ahhhhhhhhhh, que pena. Saímos pra buscar os casacos e ela estava na fila também. Dessa vez, quem sorriu de volta pra ela foi marido.

Aí eu percebi quem a estava acompanhando: um homem mais jovem. E tudo fez sentido pra mim. Tu-do fa-ri-nha do mes-mo sa-co. Ela com o boyzinho dela, eu com meu coroão. Porque é óbvio que eu não ia escrever boyzão. Não ia pegar bem.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Mulher fruta

Pessoa vai fazer compras e quer "renovar" o estoque de frutas da casa.

A variedade de frutas, no inverno, cai, obviamente. Mas, milagrosamente, aparecem laranjas e tangerinas na sua frente. Aquela cor maravilhosa que te lembra calor e sabor. Uiuiui!

Aí, você escolhe umas tangerinas e vai pesar. Na hora, fica procurando por "Mandarine" no painel da balança e nada de encontrar. Aí, resolve voltar pra prateleira de onde você tirou a fruta pra ver qual o nome da bendita. E estava lá: Clementine. Juro pra vocês que eu não sabia que, em alemão, tangerina, além de se chamar Mandarine, também era a Crementina do Tiririca. :)

Tá, ok, pra que o espanto, quando se sabe que tangerina, no Brasil, tem vários nomes também, né? Mixirica, no nordeste, bergamota, no sul, por exemplo. :)

Mas, vocês acham que minhas compras ficaram só nisso? Inventei de comprar kiwi. Pois. Chego em casa e vou comer o bendito do fruto.

E a cara que faço, provando que eu não sei comprar kiwi:
É claro que não sou tão fofinha, né?

Mas, pelo menos, estou bem, estou saudável. hahahaha

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O coleguinha do curso

Então que aqui na Alemanha me tornei uma pessoa sociável. Quer dizer, mais ou menos. Pelo menos, deixei de ser matuta, e passei a falar com mais espontaneidade com as pessoas.

Acreditem, eu já fui muito pior. Continuo não sendo um exemplo de popularidade, mas conheço mais gente aqui do que no Brasil, pelo menos. Boa parte, graças ao blog. :)

Mas, né, não era isso que eu queria falar.

Estava voltando pra casa, quando alguém fala comigo na rua: "Hallo!" Eu olho e demoro de reconhecer. Sou lentinha mesmo.

Era meu colega americano do curso de alemão (que, inclusive já acabou). Eu perguntei o que ele estava fazendo no meu bairro, ele disse que morava perto, que queria ir à biblioteca acessar internet.

Eu, meio incrédula, perguntei se ele não tinha internet em casa. Ele diz que não. Em que mundo ele vive, né mesmo?

Enfim, quis fazer a gentileza e ofereci dele ir lá em casa, já que estávamos na esquina da minha rua, usar a net.

Chegamos lá, marido em casa, ele usou a net, fiz um café, servi um bolo que tinha sobrado do fim de semana e já ia chegando a hora da janta...

A comida esquentando no forno e eu querendo que ele fosse embora. E ele ficando, ficando. Aparentemente, ele estava gostando de estar conosco. Afinal, rolou até bolo. rsrs

Enfim, tive que, gentilmente, pedir pro moço ir embora. Não que ele estivesse sendo chato ou coisa parecida. É que, justo nesse dia, estávamos com a comidinha contada. Sabe como é? Você compra duas lasanhas de forno e divide pra quatro pessoas? Então, assim... Não tinha jeito mesmo.

E fiquei pensando se faço isso uma segunda vez.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Conto 6 - No meio do caminho



Acordou atrasada de novo! Não ouvia mais o despertador. Levantou-se rápido da cama e foi em direção ao banheiro. Lavou o rosto, tirou a camisola, vestiu-se o mais rápido que pôde, pegou sua bolsa, seu notebook e saiu.

No carro, lembrou que não havia comido nada, nem uma maçã. Teria que se virar durante a reunião com o estômago vazio e dolorido. Tomaria um café com leite no escritório e tudo ficaria bem.

Saiu da garagem do seu prédio em direção à avenida mais movimentada da cidade. Não, isso não. Um atalho é melhor. Pegou, então, um atalho. No meio do caminho, uma construção, caminhões e homens na rua. Mais um motivo de atraso. Resolveu dar a ré. Virou a esquina com fúria. Se perdesse mais essa reunião, saberia que estaria demitida. E ela não queria perder o emprego dos seus sonhos.

No meio do caminho, um ônibus também virou a esquina com fúria. Duas fúrias se encontravam. Seu carro era menor. Ficou entre as ferragens do ônibus. Os passageiros desceram. O motorista ligou para o socorro. Ela estava desacordada. Sangrava.

As pessoas tentavam acordá-la. Já tinham dúvidas que conseguiria quando ela abre os olhos ainda atordoada. Quando deu por si, começou a chorar. Perderia o emprego, sentia dores nas pernas e na cabeça. Queria sua mãe.

Os bombeiros não demoraram a chegar. Um deles abaixou-se e ficou ao seu lado. Perguntou nome, idade, profissão. Queria deixá-la acordada, avisar familiares.

Ela sentia dores e queria sair dali. Ele tentava acalmá-la enquanto esperavam trazer a tesoura. Precisavam de uma tesoura para cortar a porta do carro. Ela chorava, chamava pela mãe, mas sua mãe não poderia estar ali, estava em outra cidade.

Num ato de solidariedade, ele segurou a sua mão. Ela se acalmou e agradeceu. Porque ele percebeu que a fazia bem, manteve sua mão à dela durante todo o resgate, até que fosse guiada à ambulância. De lá, foram para o hospital mais próximo. Seu estado parecia sério.

O resultado foi um pé quebrado que precisou ser operado, uma fratura na bacia, um corte profundo no braço, dores no corpo e muitas luxações.

Sua mãe já havia viajado para o seu encontro. Estava com ela dia e noite. Recebeu visita dos amigos e até do chefe que a tranqüilizou. Ela não perderia o emprego, afinal, foi uma fatalidade. Ela sorria agora. Já estava aliviada e em companhia de pessoas de quem gostava.

Preparava-se para descansar da última visita quando a porta tornou a abrir. Era ele, o bombeiro que havia segurando a sua mão durante o resgate.

“Olá Juliana. Lembra-se de mim?”
“Lembro sim. Só não sei seu nome.”
“Evandro.”
“Oi Evandro, prazer em conhecê-lo”.

Ele sorriu tímido e percebia que ela tinha humor. Entregou as flores que trouxe e sentou-se na cadeira ao lado da sua cama. Ficaram um tempo em silêncio, até que ela tomou a iniciativa:

“Gostaria de agradecer o que fez por mim naquela manhã. Você foi muito atencioso.”
“Faz parte do meu trabalho. Mas, você também foi muito guerreira. Aguentou tudo.”
“Vocês também foram muito rápidos.” – Ela queria dizer que foi mais fácil com ele segurando a sua mão. Ficou ruborizada só de pensar.

Ficaram um tempo só trocando olhares, parecia uma infinidade.

“Pelo estado em que ficou seu carro, você saiu com poucas sequelas. Já vi acidentes menores e com piores resultados.”
“Dei sorte, né?”
“Graças a Deus!” – Agora era a hora dele ficar ruborizado. Só que, dessa vez, ela percebeu.

“Sabe, minha mãe saiu para fazer um lanche. Será que você me faria companhia até ela voltar? Como no acidente...”
“Claro.”

Ele se levantou e foi em direção à cama. Pegou sua mão novamente, mas dessa vez a beijou. Ele não sabia explicar o que sentia, o que havia chamado sua atenção,por que estaria interessado nela, mas acreditava que as pessoas não apareciam na vida de outra por acaso. Era para ele estar lá naquele dia. Era para ela estar lá, com o carro no meio do caminho.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Na fila do supermercado

Tenho uma confissão a fazer: às vezes, quando estou na fila do supermercado, fico observando o que as pessoas compram e julgando-as, obviamente.

Tem aqueles que entram só pra comprar miudezas, tem aqueles que entram pra comprar os ingredientes para uma boa macarronada. E tem os solteiros, aqueles que compram poucas coisas, talvez só o suficiente para dois ou três dias. E os gulosos, aqueles que entram e enchem a cestinha de chocolates e biscoitos.

Aí, outro dia, me peguei pensando: o que será que as pessoas estão pensando de mim agora?

Porque, claro, eu estava numa fila. Tinha acabado o açúcar de casa e entrei no supermercado pra comprar. Só que eu também ia visitar um amigo que tinha feito a apresentação do trabalho de doutorado naquele dia, e que passou com louvor, porque eu só tenho amigo chique e inteligente, tá? Resolvi que levaria um champagne pra comemorar.

Agora imagem vocês, eu na fila, com 1kg de açúcar na mão e uma garrafa de champagne. Que combinação, hein?

O que será que eles pensaram? Que eu ia fazer uma batida de champagne?

Capaz.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A saga do casaco

Aí que, mesmo não sendo inverno, já está frio pra carambola e você precisa sair de casaco, né? É o início da estação cebola: cheia de camadas!

Está frio, mas você não deixa de sair, certo? Certo. Ainda mais se você gosta muito de ir a restaurantes encontrar amigos/familiares/bichinhos de pelúcia, ops, quem quer que seja, certo? Certo².

Os restaurantes oferecem cabides pra você colocar seu casaco lindo e preferido lá. Claro, sempre pode haver um jeito pra colocar no encosto da cadeira, por exemplo. Mas, como tudo é possível, vai que a cadeira não tem encosto, porque ela passou no Pai de Santo primeiro? Opa, nada disso, não tem encosto porque é um banco mesmo, né? Ora pois.

Aí você vai lá, meio incrédula, e pendura seu casaco no cabide. E fica naquela: um olho no garçon, outro no cabide; um olho no cardápio, outro no cabide... Porque, de repente, não mais que de repente, o restaurante inventa de ficar cheio e todo mundo quer usar o mesmo cabide.

Aí você vê o seu casaco lindo e preferido sumir no meio dos outros. E se pergunta: será que eu vou conseguir achar esse casaco na hora de ir embora? Ou pior!!! Será que eu vou pegar o casaco CORRETO? Porque, óbvio, o seu casaco lindo e preferido é comum, é igual a todos os outros nessa época: marrom/preto, de lã ou enchimento. Estou errada?

E se os outros estão pensando a mesma coisa? E se eles pegarem o seu casaco por engano? E se você tiver esquecido algo de valor no bolso do casaco? Nossa Senhora! Aquela mulher ali está mexendo no seu casaco? Não é o seu? Você jura que é o seu e.... opa, não era.

O tempo passa, você fica vigiando o casaco, com um olho no cabide, outro na movimentação das pessoas. Aí se dá conta que garçon já passou, você já fez o pedido no automático, comida já chegou e...

esfriou.

Tudo porque você não queria perder de vista o casaco.

Aí te pergunto: você foi acompanhada(o) ao restaurante com quem mesmo? Só com o casaco?

p.s. não se preocupe, acontece nas melhores famílias. :)
p.s. do p.s.: uma hora você se acostuma.
p.s. do p.s. do p.s.: "você" não é meu alter ego. Juro.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A realidade das outras

Esse post aqui e a pergunta da fisioterapeuta fez com que eu parasse pra pensar em situações que já tive contato aqui na Alemanha. Não que violência doméstica seja um caso restrito à Alemanha, claro que não. Mas, como é aqui que estou morando, né mesmo?

Lá vai:

Quando eu fiz trabalho voluntário, nos últimos dias, "vivi" um problemão com um colega voluntário. A mulher dele o denunciou por violência doméstica. Ela deu queixa e a polícia foi pra porta dela esperar ele voltar pra casa. Chegando lá, ela tinha arrumado as coisas dele, posto numa mala e ele não podia nem mais entrar em casa. Nem ver os filhos. Proibido. A acusação era a de que ele batia nos filhos. Eram 4. Três meninos e uma menina. Aparentemente, ele só batia nos dois rapazes mais velhos. Ele disse que era mentira, que foi só uma vez, pra apartar uma briga entre eles.

Só que, por coincidência, um dos filhos dele estuda no colégio que marido dá aula. Eu fiquei sabendo que o menino tinha horror do pai. Era só dizer assim "Fulaninho, se você não melhorar o comportamento, vou contar pra seu pai!" e o menino morria de medo que isso acontecesse. Bom, aonde tem fumaça, há fogo...

Aqui, dependendo do tipo de denúncia e de quem a faz (em alguns casos, é preciso provas), a ação da polícia é imediata. Como nesse caso.

Em outros, a polícia/justiça interdita o cara, mas ele volta pra casa, força a entrada e dá em desgraça. Como o caso de uma mãe de seis filhos degolada pelo marido. Preso em flagrante. O caso ainda está sendo avaliado, porque, aparentemente, o ex-marido não pode ser indiciado por ter diagnóstico de esquizofrenia.

No meu bairro, meses atrás, teve uma chacina. Um ex-namorado, proibido pelo pai de visitar a namorada, denunciado à polícia, atirou contra o carro da família, matando a mãe da menina, a irmã, uma prima e deixando-a gravemente ferida. Ele foi preso no dia seguinte.

Quando casos de violências como esses vão parar na TV, acho super interessante o fato de nunca dizerem a nacionalidade do infrator. Nesses três casos, as famílias eram de origem turca.

Infelizmente, há muito caso de violência doméstica entre turcos e/ou islâmicos. Principalmente, crimes de honra, aqueles em que as mulheres ainda são perseguidas e, muitas vezes, assassinadas por algum familiar por não seguir "as regras" impostas. Para essas mulheres, existe apoio, lei e proteção. Muitas delas precisam mudar de identidade e estado para poderem sobreviver. Estou acompanhando um caso desse atualmente: a menina tem 16 anos e quer jogar futebol, teria condições de jogar profissionalmente, o pai botou pra fora de casa e os irmãos a ameaçaram de morte. Ela é escoltada pra escola pra terminar o ano letivo. Em seguida, muda de estado. Vai para o sul. Quem sabe lá ganha uma vida nova.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sintonia até em sonho

Acordo outro dia e vou procurar marido, que já tinha acordado horas atrás (ele é passarinho, acorda quando sai o sol, eu sou preguiçosa mesmo):

- Sonhei que a gente tinha se separado.

Ele ri:

- E eu sonhei que tinha jogado um copo de cerveja na sua cara

- Um bom motivo para eu me separar de você. Mas, no sonho, eu descobri que você tinha mais três filhos.

- E no meu, joguei a cerveja na sua cara, porque você falava demais, não me deixava falar.

- Arruma três filhos fora do casamento, aí eu quero ver você conseguir falar mais alguma coisa. Rá!

E rimos da nossa criatividade.

Um sonho complementou o outro. Pode isso, Arnaldo?

Estou contando porque dizem que quando conta sonho, ele não se realiza. Melhor prevenir, né?

sábado, 3 de novembro de 2012

Das incongruências

A pessoa, nas horas vagas, assisti Bob Esponja e Padrinhos Mágicos. Durante o banho, canta músicas infantis:
"Eu vi uma baratinha na careca do vovô, assim que ela me viu bateu asas e voou..."
"Fui no totoró, beber água, não achei..."

Aí, porque tudo tem a ver com tudo, entra - e frequenta - um curso de filosofia (em alemão, claro).

A pessoa está morrendo de saudades de comer beiju/tapioca. Como é que ela resolve? Compra amêndoas caramelizadas.

Tipo: eu sou a pessoa das congruências.

Chamem-me de doida. Beijos!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Eu tô dizendo...

ainda vou escrever um livro sobre causos do metrô, vou sim.

Estou eu lá, linda, loira e serelepe, de cabelos curtos, sentada no meu canto, quando era um homem pra lá de peculiar e resolve sentar ao meu lado. Isso pra não dizer que foi quase no meu colo. Dei uma afastadinha básica, mas eu acho mesmo que ele estava se sentindo em casa. Porque, né, a criatura abre os braços como se estivesse sozinho pra tirar o casaco e vai me cutucando, sabe como é, como se eu nao existisse. Ele se bateu tanto em mim, que eu resolvi mudar de lugar. Sentei um banco mais pro lado.

A maior bobagem que fiz. Porque eu continuei ao lado dele, né? Óbvio. Do meu lado direito um outro cara. Acho que "normal".

Eu sei que o "peculiar" começou a falar umas coisas lá, ora eu achava que era espanhol, ora francês, ora alemão. Ele tira cachecol, tira casaco, abre camisa e começa a mexer no cinto da calça. Nessa hora, fiquei inquieta e olhei pro "normal" do meu lado rindo. Ele riu de volta, como se lesse meus pensamentos: "ele não vai ficar pelado agora não, vai?"

Mas, vocês acham que a história acaba aí? Só começa.

A criatura me tira uma garrafa de Jägermeister da bolsa, bebe um gole e me oferece. Claaaaaro que não foi uma oferta qualquer, o cara batia no meu braço com a garrafa e me perguntava "Quer? Quer? É bom para o estômago. É bom para o estômago". Detalhe: em espanhol. E eu: Nein!! Só que ele insistiu tanto e meu braço já estava doendo, que falei em portunhol: NO QUIERO, GRACIAS. (aulas de portunhol no endereço de email do blog, obrigada)

Pronto. Fodeu-se a coisa toda!

- Ahhh, hablas espanol?
- Un poco.
- Donde és? Peru?
- Brasil.
- Que haces acá? Estudia?
- Si.
- O que?
- Administracion. (mentira, né?)
- Bueno, bueno...

Daí abre um livro de um curso de alemão e começa a fingir que estava respondendo o exercício e passou 500 anos repetindo a mesma frase:
"Die Toilette ist außerbetrieb" - O banheiro está fora de funcionamento/ interditado.

Nada mais apropriado, diga-se.

Eu ria. O cara ao meu lado ria. A criatura e eu fizemos a festa pra esse cara, porque ele, nitidamente, estava se divertindo às nossas custas.

Chega a estação que ele tinha que descer. Levanta, pega as coisas dele. E?

E dá uma cutucada no meu braço: Adios! Adios!

Véi! Véi! Véi!
NÃO ME CUTUCA!!!!!

p.s. baiano não cutuca, baiano futuca. hahahahaha

sábado, 27 de outubro de 2012

A coitadinha: eu

Peguei indicação/receita para algumas massagens no meu médico "de casa". A ideia era relaxar, né? Pois. Fui numa clínica de fisioterapia que tem perto da minha casa, gerenciada por um casal de vietnamitas, coisa da boa.

A fisioterapeuta que me atendeu era alemã. Rá! Como era a primeira vez, fez as perguntas de praxe.

Atenção para o parêntesis:
Eu moro num bairro de maioria estrangeira, muitos turcos e libaneses, principalmente. Anotem essa informação aí do ladinho.
Fecha parêntesis.

Ela perguntou desde quando estou na Alemanha. Se eu aprendi alemão aqui ou lá. Que está bom pra tão pouco tempo. (Aham... 3 anos quase, véio, pra mim não está bom, não) e perguntou porque vim pra Alemanha.

A resposta mais curta e que esclare muita coisa com uma informação só é:
- Meu marido é alemão.

Ali, ela olha pra mim, bem nos meus olhos e pergunta:

- Ele é um homem bom?

Eu quase ri. Mas, preferi responder que sim, um homem muito bom, pra eliminar qualquer mal entendido.

Será que ela estava pensando que fui pra lá com dores, por que ando apanhando em casa? Porque, venhamos e convenhamos, não é difícil que ela pegue pacientes assim, tá? Já vi cada cena por aqui...

Só que, nesse caso, a coitadinha não sou eu. Quem apanha aqui é ELE! E tapa de amor não dói. COF! COF! COF!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Daqueles dias que não se deveria acordar

Eu ia pro curso de alemão. Ia, do verbo "não vou mais". Passei uma noite de cão, com uma dor "nas ancas" que, antes sem diagnóstico, agora, tudo indica que o início de uma inflamação do ciático. Lindo isso, né? Era só o que faltava.

Aí, resolvi desligar o despertador e dormi até às 08h50. Grandes coisas. Eu queria mesmo era dormir até às 10h. Lembrem-se: quase não dormi à noite. Egal...

Tomei café e inventei de tomar um banho de banheira. Relaxar na água quente seria bom. Seria, do verbo "nunca se sabe". Badei-me (alemanizando o português, viu?) e tirei a tampa da banheira para a água descer.

Estou eu lá, me olhando linda no espelho, enquanto penteava os cabelos que agora estão numa praticidade só, quando sinto o tapete molhado. Olho pro chão e...

E a PO%&§ da banheira estava vazando pelo cano, provavelmente entupido de cabelo (os meus mesmo não!), e molhou o chão do banheiro todo. Aí fica aquela cena linda: banheira cheia, chão molhado e A PESSOA QUE FICOU EM CASA PRA CURAR A DOR tendo que se abaixar e levantar pra torcer pano molhado e enxugar o CAR$§%&$ do chão.

Tomei um analgésico, dose pra cavalo. Jacaré passou? A dor também não.

E o dia? Bom, alguém tinha que botar roupa pra lavar, estendê-la e terminar de arrumar o banheiro, certo? Certo.

Se alguém quiser me dar um cupom de desconto para uma faxineira competente, manda pra aquele email ali do lado, tá? Meu agradecimento será eterno, porque não tá fácil pra ninguém...

Humpf!

p.s. isso foi só uma parte dos últimos dias que eu poderia nomear com o título desse post. Alguém quer brincar de bela adormecida? Eu quero. :)

p.s do p.s. sim, estou com a macaca. Não é TPM.

domingo, 21 de outubro de 2012

Conto 5 - Morreu na contramão atrapalhando o tráfego*

* de Chico Buarque
(texto  meu)


Mais um dia comum para ele. Mais duas conduções para pegar. Mais um dia de trabalho pesado. Chegou atrasado, como sempre. Trabalho acumulado. Ele não se lembrava de ter deixado tanto trabalho em sua mesa ontem.

- Alberto não vem.

Foi a única coisa que disseram. Sem explicação, seu colega de sala não viria trabalhar e o que tinha de ser feito por dois, seria feito por um.

- Taí a explicação. – pensou ele. – Alberto é um folgado.

Um horário de almoço apertado. A marmita fria. O mesmo feijão com arroz de todo dia.

Aproveitou os minutos que lhe restavam e foi assistir ao jornal. Tinha um corpo estendido no chão numa rua qualquer da cidade. Não era uma rua desconhecida. O plástico preto que cobria o corpo também não. Era tudo sempre igual. Porém, uma coisa ele não podia deixar de notar: aquela venda parecia a do Seu Antônio, onde ele comprava cigarros e a cerveja do final de semana. Será que era lá? Eram tantas pessoas em volta. Rostos desconhecidos.

Ele pensou em quem ele conhecia. Percebeu que era um completo desconhecido na sua rua. Se foi lá, ele não saberia dizer só pelos rostos.

- Dane-se! Todo dia alguém morre nessa cidade. Nossa, olha a hora! Preciso voltar para a minha sala. E o Alberto nem ligou para saber como estava. Minha mulher continua me castigando com o sal. Ela diz que sou hipertenso. Eu nem fui ao médico. Como pode? Mulheres...

Caminhando, pensando, chegou à sua sala. Nada do Alberto. Reza. Reza para o tempo passar. Ele ia enrolar o trabalho. Ele sempre fazia isso no final do expediente. Passa o tempo, passam as horas. Salário era baixo mesmo. E a vida muito curta. Ele não sabia por que, mas não parava de pensar no saco preto na rua que parecia ser a sua.

Celular estava ligado? Sim, estava. Se fosse alguém da família tinham ligado. Família? Nessa cidade grande, quem é família de quem mesmo? Estavam todos perdidos por aí. Todos. Até ele. Qual a última vez que ele falou com os pais, coitados? Sabe-se lá quando. O dinheiro ele manda todo mês. Disso eles não podem reclamar.

- Sistema travado. Maravilha. Agora que acumula tudo mesmo. Tomara que na segunda o Alberto apareça. Ele terá que compensar.

Telefone tocando. Vontade zero de atender esse aparelho dos infernos. Já estava com dor de cabeça. Sextas-feiras deveriam ser mais relaxadas.

- Alô?
- O relatório contábil ficou pronto?
- Não, Senhor. O sistema travou.
- E o que eu tenho a ver com isso? Resolve!

Saco! Saco! Mil vezes, saco! Já não basta explorar os funcionários, ainda tem que ser grosso desse jeito. E o sistema foi ele quem escolheu. Suporte de merda. Raiva! Olha o fígado! Ele precisa estar bom pra encher a cara no final de semana.

Sistema travado ainda. Maldita tecnologia. No tempo de escola, era tudo no caderno, nas tabelas dos livros caixa. Máquina de escrever não pifava. No mínimo, acabava a fita. Velhice. Era esse o problema. Aposentadoria. Nem dá pra sonhar com isso com a porcaria de pensão que ele iria receber. Mas, teria paz. Nada de chefe berrando no ouvido dele. Quanto tempo falta? 15 anos. 15 anos? Será que sobrevive até lá. Aquele cara do saco preto não sobreviveu. E aquela rua, hein? Parecia a dele.

Ter que acordar cedo, pegar trânsito, ganhar pouco, comer marmita fria, comida sem sal, ouvir gritos de chefe, voltar pra casa no ônibus lotado e ainda torcer para não ser assaltado, morto, sequestrado.

Sequestrado? Brincadeira. O que ele tem para ser cobiçado? Um tênis falsificado e um celular quebrado. Vida de merda. Ele queria estar no saco. Seria mais um anônimo. Mais um indigente. Coitada da esposa, seria a única a chorar. E os pais morreriam de fome. Não pode nem escolher morrer. Vida de merda.

- Parei. Chega. Seis horas, vou para casa.

Ônibus lotado de novo. Quebra no meio do caminho. Por que ele acordou pra trabalhar hoje mesmo? Vai o resto do caminho a pé. Segura a carteira na mão. Nessa altura da vida, não sabe se acredita mais em Deus. Só reza para não ser assaltado.

Agora ele tem certeza. Era a rua dele no jornal. O saco ainda estava lá. As pessoas já tinham se dispersado. No meio da rua. Bem que a polícia podia ter tirado do lugar, botado no cantinho, liberado o tráfego. Morre e ainda atrapalha. Tinha uma viatura da polícia na calçada. Nem pedestre é respeitado mais.

O que fazer? Passa por cima do saco. Torce para não melar o tênis falsificado dessa gosma preta que já foi sangue quente um dia. Nojo. Por que não limpam logo isso? Incompetentes.

- Só posso ter levantado com o pé esquerdo hoje.

Chegou inteiro em casa. Ufa!

- Querido, como estão as pessoas na sua empresa?
- Bem, por quê?
- Ora, eles acabaram de perder um funcionário.
- Funcionário? Está doida, mulher?
- Doida? Aquele ali no chão. Você não viu?
- Aquele saco preto?
- Saco preto? É assim que você se refere ao Alberto, seu colega de sala?
- Alberto?
- Era ele.
- Ele morava na minha rua?
- Você não sabia?
- Puta merda! O Alberto, cara. Poxa, tão gente boa.
- Pois é...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Filmes por aqui

Olha, demorou, mas até que já me acostumei: aqui quase não tem filme legendado nos cinemas! Os filmes são dublados. E uma dublagem capenga. Os dubladores brasileiros fariam sucesso por aqui. Opinião minha, claro. Eu morro, porque adorava assistir a filmes legendados. Já deixei de ver muito filme no Brasil quando só tinham a versão dublada no cinema da cidade.

Existem cinemas que passam filmes em versão original. Aqui em Berlin, conheço uns quatro apenas.

Aí, resolvemos falar sobre isso no curso de alemão. É, estou fazendo curso de novo. =D E eu descobri o cúmulo dos cúmulos.

Falávamos sobre como é o cinema nos nossos países de origem, quando uma colega polonesa fala:
- Lá na Polônia, só passa as versões originais dos filmes.

E a gente:
- Ahn?

E ela:
- É. Mas, um narrador lê as falas traduzidas para o polonês.

A gente:
- Cuma?

O professor:
- Sem interpretar? Uma única voz pra todos?

Ela:
- Sim, ele só lê.

A gente:
- Ok, então. Ficamos com a dublagem daqui mesmo.

Curioso, né?

sábado, 13 de outubro de 2012

Ai, esse machismo disfarçado...

Marido veio me avisar que ia sair. Eu respondi que não deixava. Ele perguntou por quê. Eu disse: Porque sou sua dona.

Eu queria responder em alemão. Não deu. Não faria o mesmo efeito. Se fosse em alemão, ficaria:

Ich bin deine Frau. (Sou sua mulher)

Se fosse ele falando o mesmo pra mim, faria todo o sentido e teria todo o impacto que eu queria dar à frase:

Ich bin dein Herr! (Sou seu Senhor!)

Nem quando eu quero ser machista a língua ajuda. Humpf!

P.S. Meninas que dominam o alemão, tenho uma opção femina-machista? Porque nessa casa, quem manda sou eu! hahaha

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tudo o que se quer na vida

Como bom filho que você é, tudo ou quase tudo que você quer na vida é que seus pais tenham orgulho de você, certo?
Principalmente, a partir das decisões que você toma.
Desde as mais simples, às mais complexas, como mudar de país.

Eu cortei o cabelo. Eu sai da cabeleira da Gal Costa na década de 80, só que muito mais bonita e cacheada, porque é o meu cabelo, né, para uma versão Joãozinho. A mudança não foi radical, foi necessária. Ele cai e vai continuar caindo até que todo cabelo estressado saia da minha cachola e se renove. O stress se deu à porrada de remédios que eu tomei. Acreditem, não foi pouco. Não importa agora.

Eu não queria ver fios de cabelos compridos pela casa o tempo todo. Nem ver aquela cabeleira se transformando num pingo. Cortei.

Você mostra o corte novo pra sua mãe. Ela elogia. Diz que ficou fofo e tal. Ok.

E aí, pergunta:
- Será que agora ele vai nascer bom?

Você vive 30 anos de sua vida esperando que um dia seus pais estejam satisfeitos com alguma coisa e percebe que esse tempo todo nunca foi bom o suficiente, porque, na cabeça deles, meu cabelo sempre foi "ruim" (quem nunca?).

Caguei! Porque eu adoro o meu cabelo. Curto, longo, cheio e cacheado.
30 anos depois, você aprende que isso basta. (Mentira, na verdade já sabia disso antes, mas aí o texto não faria sentido, né?)

Pintei de vermelho também. Mas, já saiu, foi tonalizante.

domingo, 7 de outubro de 2012

Mais uma do metrô

(estou começando a pensar em escrever um livro só de causos de metrô)

Estou eu lá, loira e serelepe, (oi?) voltando de uma viagem (assunto pra outro post), tarde da noite, quando entra um grupo de amigos: dois rapazes e duas moças. Era véspera do feriado. O que mais tem em véspera de feriado numa cidade grande? Baladas, certo? Certo.

Moças todas produzidas e indo para sei lá onde, quando uma das mocinhas abre a bolsa e tira um tubo de spray de lá.

Véio, você está em Berlin. À noite. No metrô. Tem de tudo um pouco. É claro que não podia ser um tubo de "laquê" qualquer. Tinha que ser um tamanho família. Ela aperta em direção ao cabelo, devolve aquela arma assassina na bolsa e tira o quê de dentro!?!?!?

Uma escova. Não muito menor que o tubo de spray, obviamente. Arruma o cabelo e segue a vida como se nada demais tivesse acontecido.

Por que vocês sabem, né? Metrô lotado (ahhh, esqueci de dizer que estava lotado) é o novo salão de beleza do pedaço.

Coisa mais prática.

p.s. eu poderia me imaginar andando com o tubo de spray por aí, mas o meu seria aquela versão "para viagem", na boa...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Rapidinhas

- Hoje é feriado na Alemanha, pra lembrar a unificação dos país depois da queda do muro.
- Eu suspeito que esteja frio. Mas, é só uma suposição, tá?
- Estou fazendo tandem com um alemão (dahn!). Ele está aprendendo português pra conversar com a namorada. Wie süß!
- Minha mãe está no Facebook. E agora não sai mais de lá.
- Estou aprendendo a gostar de música alemã:

"segure-se firme em mim (...) eu nunca deixarei você ir."

- E estou aprendendo a ser a segunda voz dessa música com marido (na verdade, a voz não existe, o que importa é participar. Afinal, são quase nove anos, né?)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O julgamento está nos olhos de quem vê

Nessas minhas andanças de trem/metrô aproveito para observar muita coisa. Outro dia foi um casal muçulmano. Ela usava burca (sim, só se via os olhos) e ele aquele gorrinho que não sem o nome e uma barba longa.

Eram jovens. Quer dizer, eu vi que o cara era jovem e deduzi que a mulher também. Ele era lindo. Juro pra vocês. Eu ficava olhando e pensando: "Nossa Senhora, que homem lindo!" Sabe aquele nariz bem feito, comprido, fino, parece que foi esculpido? Ele tinha. Traços retos, fortes, assimétricos. Era O cara bonito. Claro que eu reparei que, por exemplo, ele tinha as mãos bem cuidadas, roupas limpas e alinhadas e o olhar fixo.

O olhar fixo na esposa. Apaixonado.

Ela falava alguma coisa, ele não escutava direito por causa do trem cheio. Abaixava o ouvido até a mulher e a segurava levemente no ombro. Olhava-a nos olhos. Profundamente. Só pra ela.

Monte de mulher ao lado dele. Eu olhando pra ele, admirando sua beleza e ele só olhava pra ela.

Eu achei tão lindo. Tão fofo. Ali, não era um objeto, um ser sem vontade, era A mulher que ele amava. Lia-se isso nos olhos dele.

P.S. Eu sei que é "feio" olhar para outras mulheres. Mas, quantas vezes você olha pra alguém e não vê? Esse homem olhava pra sua esposa e a via. É disso que estou falando, ora bolinhas.

domingo, 23 de setembro de 2012

Conto 4 - Saída


- Vai pra onde?
- Ainda não sei.
- E por que está saindo?
- Quero passear.
- Aonde?
- Caramba! Já disse que não sei.
- Então, não vai. Fica.
- Eu quero sair.
- Mas, você não sabe aonde quer ir.
- Eu sei.
- Sabe?
- Sei.
- E por que não me diz?
- Quero ir para longe de você. Não importa aonde. Quero ficar longe de você.
- Você não me ama mais? O que eu fiz de errado?
- Eu não sei.
- Como não sabe? Diz que quer ficar longe de mim e não sabe o que é?
- Pare de fazer perguntas que eu não sei responder.
- Eu preciso de uma explicação, não acha?
- Por que eu tenho que explicar tudo?
- Por que eu não mereço uma explicação?
- Droga! É sempre assim. Eu preciso pensar. Eu preciso estar só. Você não deixa. Você não para.
- Então é isso?
- Isso o quê?
- Isso. Eu falo demais?
- Não disse isso. Só disse que você não me deixa pensar. Você me pressiona. Eu só quero alguma paz.
- Ah. Agora eu não te dou paz. Mas, ontem à noite você dizia outras coisas.
- Ontem à noite foi diferente. Você não fazia perguntas, só me dava as respostas.
- Que respostas?
- As que eu não queria ouvir.
- Agora eu não entendi.
- Você dizia que casaríamos, teríamos filhos, viajaríamos de férias, teríamos uma casa na praia, um cachorro...
- E qual o problema nisso?
- Você não perguntou se era isso que eu queria.
- E não é?
- Não sei.
- Como assim não sabe?
- Eu já disse que não sei. Será que eu posso sair agora?
- Espere aí. Vamos conversar. Fale-me o que você quer.
- Eu não sei. Eu preciso pensar.
- Ok. Pense. Mas, volte depois para conversarmos.
- Tudo bem. Eu volto.
- Posso confiar?
- Pode. Eu volto e te darei as suas respostas.
- Estarei esperando.

Ele saiu.
E ela se lembrou.
Não havia pedido seu telefone.
Não lembrava seu nome.
Nem o que haviam feito a noite passada.
Ela só sabia uma coisa: ele não voltaria.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Você sabe?


Dias atrás, conheci um cara que nasceu numa cidade no leste alemão, na antiga DDR (Deutsche Demokratische Republik - Sei...), 42 anos e se formando na faculdade agora. Quando ele me disse que fazia faculdade, juro que perguntei se não era doutorado. Aí ele responde: não, bacharelado mesmo.

Bom, nunca é tarde pra se realizar sonhos, né mesmo?

Eu perguntei porque só agora, se ele já tinha estudado outra coisa antes etc. Ele me diz que fez um curso técnico para metalúrgico. Aí o muro cai bem quando ele se forma. Nunca trabalhou na área. Mas, já tinha sido jardineiro, motorista, estoquista... "já trabalhei com muitas coisas", palavras dele e agora está escrevendo a monografia.

Pra fechar sua história, ele solta a seguinte frase: "não soube lidar com a liberdade". Ele se referia à liberdade que uma verdadeira democracia, a da Alemanha unificada, proporciona aos cidadãos.

Dá pra entender que, como ele, muitas pessoas não conseguiram se adaptar. Por isso, e entre outras coisas, Berlin tem o maior número de pessoas recebendo ajuda social da Alemanha. Assim como ele, alguns jovens adultos e adultos daquela época não conseguiram tomar as rédeas da própria vida.

Fica aí o exemplo para reflexão. Além da seguinte pergunta:

Você sabe lidar com a sua liberdade?

domingo, 16 de setembro de 2012

Os sobrenomes alemães

Brasileiro pode até ter criatividade para colocar nome nos seus filhos, os Cleidivaldos, Wanderwalissons, Franquenildas e Francisneides que digam, né? (Sim, conheço gente com esses nomes). Mas, os alemães não ficam atrás. O pior é que a criatividade não fica só no nome, como no sobrenome também. Uns são bonitinhos. Outros engraçados. Outro super esquisitos.

Atenção para:
Frau Sonnenschein: Sra. Brilho/Raio de sol
Herr Süß. Sr. Doce
Frau Vögel: Sra. Pássaro
Herr Fischer: Sr. Pescador
Frau Feucht: Sra. Molhada (ui!)
Herr Jungfer: Sr. Virgem
Frau Prügel: Sra. Surra
Herr Langmesser: Sr. Faca Cumprida/Longa
Frau Tod: Sra. Morte
Herr Socke: Sr. Meia

e pra fechar, o conhecido

Herr Schweinsteiger: Sr. Trepador de porco, jogador do Bayern München, que também é, carinhosamente, chamado de Schweini (eu diria que significa porquinho, né?) pelos comentaristas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Muito delicado. Só que não.

Teve ação da polícia numa estação perto da minha casa. Polícia esvazia a plataforma e os trens atrasam, porque os trens foram transferidos para uma única só. Naturalmente, as plataformas ficaram cheias demais, certo?

Certo. Todo mundo esperando o trem que tinha atrasado, ainda mais sendo alemão, o humor vai pra casa do chapéu, né mesmo? A minha sorte que, apesar de ter que esperar 20 minutos (só podia pegar aquela bendita linha!), estava com tempo de sobra, digamos assim. Mas, isso foi eu.

Estação seguinte, o trem para e um senhor queria descer enquanto três mulheres queriam subir. Aí, naquela gentileza de quem acordou com a macaca:
- Primeiro deixar as pessoas descerem, depois subir!!! (no trem, gente, no trem)
Prontamente, a mocinha respondeu:
- Mas, sem tocar!!!!

Eram três muçulmanas e o cara queria empurrá-las de volta. Olha só que delicadeza, né mesmo?

Ia ficar aquele clima no trem, porque, óbvio, todo mundo viu e ficou meio constrangido, até que o maquinista salvou a pátria. Ele falou pelo autofalante:

- Lembrando aos passageiros que o trem é um transporte e público e todo mundo pode usar.

Todo mundo que escutou, riu. Pena que o senhorzinho não escutou...

domingo, 9 de setembro de 2012

Produtos brasileiros

ou africanos, asiáticos...

Tem feijão? Tem.
Tem farinha? Tem.
Tem dendê? Tem.

Se não tem uma loja brasileira específica, tem o produto substituto ou o mesmo produto, só que de outro país.

A farinha e o dendê foram comprados numa loja africana que eu descobri perto da minha casa. Preço dos dois? 1,99 cada.

O feijão comprei no Kaufland, uma rede de supermercados. Também perto da minha casa. Eles vendem o pacote de 0,5kg por 1,89. :)

Tem quem ache polivilho pro pão de queijo em loja asiática, por exemplo. Às vezes, só dá trabalho de achar, mas tem. Em Berlin, pelo menos. Não sei em outras cidades.

Eu aproveitei e fiz uma moqueca de peixe e camarão com pirão semanas atrás. Quando a saudade bater novamente, o feijão não escapará das minhas garras! :)

Na dúvida se tem um produto brasileiro na Alemanha? Já visitou o Na Alemanha tem? Recomendo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

É do seu tempo?

Tenho dois adolescente em casa, né? Pois é.

E eu adoro bater papo de adolescente quando o tema não são as mudanças hormonais ou aquelas crises que todo adolescente tem. Estou falando sério. Eu sou capaz de falar um monte de besteira. Se bem que, opa, isso vocês já sabem. =P

Mas ai, meu povo, você está lá no maior papo com eles e daqui a pouco fala:

- Vocês lembram disso, disso e daquilo?? Poxa, era muito legal!!

Aí, eles te olham com aquela cara de: "meu Deus! Do que ela está falando?"

A ficha cai (perceberam? sou do tempo da ficha...): eles não têm a mínima ideia do que estou falando. Não é do tempo deles! Muitas vezes, nem tinham nascido ainda.

E eu fico com minhas lembranças voando.

Eu sofro.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Eu amo Berlin!

Eu amo Berlin, mas não porque é a capital da Alemanha, ou mesmo, uma cidade europeia. Eu amo Berlin, porque É Berlin. Deu pra entender?

Há uma única razão: tem tudo para todos os gostos.

Agora eu entendo os paulistas quando, aqui na Alemanha, dizem que sentem falta de São Paulo. Eu pergunto porque e eles respondem sem pensar: "ah, porque lá tem tudo."

Eu conheço São Paulo, mas não o seu "tudo". Mas, eu conheço o tudo de Berlin agora. Quer dizer, quase, né? Pra eu conhecer a cidade toda, ainda preciso de uns bons anos por aqui.

Os primeiros dois anos foi para adaptação, "aclimatização" (tá certo isso, Arnaldo?). Mais de dois anos se passaram e eu acho que estou na fase da descoberta. Já não me deslumbro, porém continuo fascinada com as fascetas facetas (hihihihi) dessa cidade. Deixo pra trás o lado recém-chegada e vivo o lado moradora, aquela que sai pra viver a cidade, seja pra sair pra trabalhar, pra fazer compras ou encontrar amigos. Cada pedaço novo que encontro, uma descoberta gratificante.

Ela é linda e feia. É grande e provinciana. É rock e punk. É tecno e brega. É arte e rebeldia. É pobre e rica. É alemã e estrangeira. É europeia e asiática. É luxo e simplicidade. É barulho e tranquilidade. É tudo e nada.

Eu amo Berlin, porque ela tem tudo pra oferecer. Até praia. Se você fechar os olhos, pisar na areia e não cobrar que a água seja salgada, é praia. :)

São mais de 150 eventos por final de semana para todos os gostos. São 160 museus. Mais de 2,5 mil parques e áreas verdes pro povo tomar sol, fazer churrasco e/ou ficar pelado. 3,5 milhões de habitantes e não tem muvuca. Cada bairro, um estilo, uma história. Monumentos, memoriais, história, muita história.

E o povo? Bom, o povo também é peculiar. Bem peculiar. É um povo direto, sem rodeios, que vive sua vida do jeito que bem lhe entende, sem se preocupar se está na fila do supermercado de pijama ou se vai trabalhar com um moicano verde. E não está nem aí se você não gostou.

Berlin é isso. É a cidade das experiências, das tendências, dos alternativos, dos desempregados, dos estrangeiros, das universidades, das empresas de internet. É o lugar que escolhi pra viver.

Berlin também é a cidade do muro, da guerra, da reconstrução. Se há uma cidade com marcas, é essa aqui. Por isso, por essas marcas, ela é tão interessante.

Tem alguma coisa que eu não goste em Berlin? Claro. Você gosta de tudo na pessoa que você que ama?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nem sempre ser a preferida é bom...

Aí que fomos no aniversário do sobrinho de marido. Ele alugou um pequeno espaço e fez uma festa para amigos e família. Coisa simples, mas bem íntima.

Festas alemãs são diferentes, as pessoas não se comportam como no Brasil e eu me sinto estranha. Mesmo tendo com quem conversar, afinal, estava em família.

Contudo, porém, todavia, nao era sobre isso que eu queria falar.

Em certo ponto da festa, sobrinho de marido, que já estava pra lá de Bagdá (leiam: bêbado), queria pegar uma saideira e eu me disponibilizei para tal feito (uia, como falei chique!).

Voltando com a bebida, entrego pra ele, que me abraça e me diz em tom de brincadeira:

- Ah, só por isso, você é minha tia preferida agora.

Minha reação foi tão espontânea quanto:

- Ah não! Não me chame de tia, não. Você me envelheceu uns 20 anos.
- Hahahahaha

O detalhe que não foi escrito: era sua festa de aniversário de QUARENTA anos.

Prefiro ser chamada pelo nome. ;)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Conto 3 - Querido diário


Salvador, 22 de maio de 2006.

Hoje, como há muito tempo não faço, olhei-me em um espelho e me vi inteira. Estava decorando a loja para o Dia dos Namorados e, enquanto colocava alguns corações de papel no espelho do provador, olhei para ele.

Na hora fiquei gelada. Quem era aquela mulher? De quem era aquele olhar?

Tive vontade de sair correndo. Quase gritei.
Sufoquei o grito e evitei que minhas pernas obedecessem meu primeiro impulso.

Por alguns instantes, quis sumir. Aí, lembrei das crianças.

Aquela mulher que vi no espelho não parecia ter acabado de fazer 38 anos. Nem a maquiagem conseguia disfarçar as olheiras. A roupa já não conseguia esconder os quilos extras que teimavam em aparecer e eu não conseguia fazer com que desaparecessem.

Meu corpo não estava contra a gravidade e, sim, a favor dela. Meu cabelo sem brilho e forma, teimava em não ficar bonito, mesmo com a chapinha que eu tinha comprado só para isso. Deixei de comprar minhas vitaminas aquele mês, para poder comprar essa maldita chapinha e, pelo visto, joguei meu dinheiro fora. Está um bagaço.

Que vida é essa? Estou tão cansada, tão desanimada.

As crianças estão crescendo. A Laurinha já está precisando de sutiã. A Joana morre de saudades de mim, tadinha, tão nova e tão carente. O Davi nem lembra que tem mãe quando está jogando bola com os coleguinhas, mas é só bater a fome que corre para os meus braços: “Mamãe, tô com fome!”

O traste do Francisco atrasou a pensão esse mês. Parece que ele faz de pirraça. Não pude pagar a faxina que eu tanto queria fazer no apartamento e os meninos ficaram sem a pizza do final de semana. Falta pagar a conta de energia e o condomínio.

Preciso fazer as compras da quinzena, ir à farmácia comprar os remédios do meu pai e levar minha mãe para receber a aposentadoria dela.

E ainda tem as notas do boletim da Laura. Não gostei nadinha dela ter tirado tanta nota vermelha esse bimestre. O que ela anda fazendo que não estuda?

Ah! Semana passada, encontrei uma ex-colega de faculdade. Poxa, quanto tempo! Ela está ótima, trabalha numa clínica de estética dando aula de Pilates. Muito chique. E eu aqui, ralando bucho no balcão da loja de dia e na pia à noite. Que tristeza.

Quanta coisa para fazer, quantas pessoas para atender, quanta responsabilidade. E ainda é segunda-feira.

Às vezes, eu só queria chorar. Apagar meus anos de casamento falido, a escolha errada que fiz, não ter que abandonar a faculdade, não ter me esquecido dos meus sonhos. Mas, aí me lembro dos meus filhos. Apesar do trabalho que me dão, são a minha maior alegria, a única recompensa dessa vida que eu levo. Hoje, não saberia viver sem eles.

Só que hoje, só hoje, queria me sentir bonita e viva novamente.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Muitas coisas (parte 02)

Mais um estágio teve um fim. Nove meses de contrato e muitas possibilidades. Aprendi. Errei. Levei bronca. Recebi elogios. Fiz amigos. Nove meses. Uma gestação.

Eu posso dizer: esse estágio foi um parto! Não pelo trabalho, pelos colegas ou pelo chefe, mas pelas circunstâncias em como consegui levar o contrato adiante, cumprir tarefas e prazos.

Eu teria chance de continuar lá? Teria. Estava satisfeita com tudo e eles, comigo. Mas, resolvi que o melhor mesmo é não colocar a carroça na frente dos bois e respeitar a minha saúde.

Estou fazendo uma pausa pra cuidar de mim, porque é necessário. Não, não foi fácil decidir isso.

O máximo é saber que, opa, quando eu quiser, posso entrar em contato com a empresa novamente e ver a possibilidade de voltar. Então, não é uma pausa inconsciente. Meus movimentos são friamente calculados. Rá!

Aí vocês perguntam: vai fazer o que nesse tempo? Voltei para o curso de alemão, C1. E, enquanto o corpo descansa, a cabeça não para. Alguns projetos ganharão vida.

Aguardem no local!

sábado, 18 de agosto de 2012

Muitas coisas (parte 01)

Uma amiga do Brasil me escreve pra me dizer que estou diferente. Que ela achou que a distância não pudesse separar as pessoas, que já fui mais presente, mas hoje... (assim, com reticências)

Bom, pela amiga que eu tenho, eu posso dizer só uma coisa: foi um ataque de pelanca, daqueles sem motivo algum.

Ou melhor: daqueles que você aponta um dedo pra pessoa e três estão virados pra si mesmo. (Com o dedão apontado pra cima, pra mostrar que "Deus está vendo!")

Eu sei que eu ando ausente. Só que eu tenho meus motivos. E ela sabe disse. As pessoas mais próximas todas sabem. Alguns de vocês também sabem e, Gott sei Dank, entendem.

Não ando comentando muito nos blogs amigos. Esse blog só está sendo atualizado porque acho importante manter a Eve acesa, viva. Não estou morrendo. Mas, oi?, já "visitei" hospital duas vezes esse ano. Quem é esperto (parece que essa amiga não), saca que tem/teve algo errado, né?

É óbvio que eu mudei. É óbvio que eu estou diferente.

E os três dedos? Pois é. Amiga sabe, ou eu pensava que sabia, o que ando passando. Jacaré me escreveu UM email pra me perguntar como estou? Nem ela. Agora, me pergunta quantos emails mandei pra ela? Mais do que ela, com certeza.

Aí, pessoa que mora lá em outro país (que pode ser Brasil também, EUA, Holanda ou Bahrain, por ex.), que nunca me viu na vida, que não sabe nem se eu sou real (oi?), me escreve quase todo dia/semana pra perguntar como estou ou só pra fazer uma piada pra me fazer sorrir.

Véi, na boa? Qual a medida da distância? Qual a medida da amizade?

Afff, pronto, de-sa-ba-fei!

P.S. A amiga em questão me conhece há, no mínimo, 15 anos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um nadador? Um dançarino? Um pássaro? Um avião?


Se você acha que alemão não tem senso de humor, ou é frio demais pra pensar em flerte, essa propaganda te mostra que, opa, tem alguma coisa faltando nesse estereótipo aí.

Basicamente, duas médicas admiram o Raio-X das costas de um homem. Está tudo tão perfeito no Raio-X, que elas pensam que o cara é ou nadador ou dançarino e estão esperando alguém, digamos, moreno-alto-bonito-sensual. A surpresa é... Bom, vejam o vídeo.

Atenção para a cara de "fome" das médicas.




Ao final, a médica loira diz "Geiler Rücken", algo como "costas gostosas". Posso com isso?

sábado, 11 de agosto de 2012

Ali...

Um dos presentes de aniversário de marido foi um cupom de desconto para um jantar pra dias pessoas num restaurante africano (Gana). Aniversário foi em maio, cupom devidamente usado só esses dias. :)

Fomos. Lugar simples e agradável num bairro do outro lado da cidade.

Depois da entrada, recebemos um tipo de sopa/creme de cor abóbora. Garçon só falava inglês, aí a gente perguntou se era abóbora, ele disse que era inhame. Eu fiquei com cara de interrogaçao até provar.

Hummmm, delícia. Segunda colherada e, hummm delícia, esse creme tem uma pontinha de azeite de dendê, não é possível.

Mas umas colheradas e, opa, tem, sim, azeite aqui.

Aí, falo pra marido:
- Só está faltando o camarão pra virar um bobó.

Foi eu fechar a boca e abrí-la novamente pra a colherada seguinte, e:
- NossasenhoradasbaianasperdidasemBerlin!!! Isso é bobó de camarão!!!!!!

Nem preciso dizer que voltei pra casa realizada, né?

E quanto mais eu descubro, mas tenho certeza que a Bahia é logo ali.