sábado, 24 de julho de 2010

Tempos de Paz

A peça que virou filme.

Eu não sou chorona. Eu não me emociono em filmes. Eu fico perplexa, compenetrada, admirada, aterrorizada, mas, dificilmente, choro em filmes.

Nesse, eu chorei. Chorei descontroladamente quando o filme acabou. Sai do cinema chorando, andei até o carro chorando. Não conseguia me controlar. Tudo por conta da mensagem final e de uma cena especial.

Um imigrante polonês, no ano de 45, sonha em ter nova vida no Brasil. Ele aprendeu português em seu país. Eram "tempos de paz" da era Vargas, mas ele tinha ainda um desafio ao chegar no porto: convencer um agente de imigração, "ex-torturador" dessa mesma era Vargas, que merecia entrar no país.

O "ex-torturador", frio, impávido, coração de pedra, divinamente interpretado por Tony Ramos, desafia o imigrante, que era ator famoso em seu país, a fazê-lo chorar.

Na cena abaixo, uma das mais lindas que já vi em um filme, o polonês, com seu sotaque carregado, conta que viu o seu mentor morrer na prisão em seu país. Depois de horas de tortura, ele ainda teve forças para recitar algumas palavras, que o imigrante, então, aluno, ouviu e repetiu para o agente "ex-torturador". É essa a parte que está na cena.



Eu não vou mais falar sobre o filme, pois não quero estragar a história.

O trailer, vocês podem ver aqui. Eu assisti no cinema, ano passado.

Dan Stulbach, que interpreta o imigrante, é filho de poloneses que fugiram da guerra para o Brasil. A sua mãe, atriz, aparece em algumas cenas. É a senhora de chapéu que o reconhece na entrega dos passaportes (cena do trailer).

A outra coisa que me emocionou foi que, no final do filme, onde deveriam aparecer os créditos finais, aparecem os nomes de dezenas de imigrantes de diversos países da Europa que migraram para o Brasil e, com o seu talento, fizeram a diferença do lado de lá do oceano.

A guerra não impediu a arte e as pessoas não deixaram de acreditar em si mesmas.

Eu chorei porque pensei, também, em todos os talentos perdidos, em todas as pessoas que não conseguiram recomeçar.

Eu chorei porque ainda temos isso no mundo, seja numa favela no RJ, no sertão nordestino, seja no Afeganistão, seja um dalit na Índia... Tempos de Paz?

O texto do monólogo vocês encontram aqui.

P.S. Eu sei que eu disse que não programaria posts, mas me deu uma vontade tão grande de compartilhar isso com vocês... Quantos filhos e netos de migrantes nós conhecemos? Será que, ao escolher sair de nosso país, também não somos nós "refugiados"? Que façamos a diferença aqui ou lá, em qualquer lugar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Pé na estrada

Enquanto vocês leem essa mensagem, marido e eu estamos indo ali passear pela Alemanha. Vamos fazer uma volta. Saímos de Berlin em direção a Hamburgo, depois Bremen, Trier, Furtwangen, Konstanz, München, Nürnberg e Berlin, de volta em casa. Entre as principais cidades, tem as outras paradas, uma ali, outra aqui.

De passagem, além de visitar amigos de marido que ele não vê há anos, visitarei blogueiras que já desvirtualizei aqui em Berlin. Vou chegar de mala, cuia e marido. Vocês vão ter que me engolir!! São elas:

D. Flor,
Liza e
Sandra.

A viagem deve durar duas semanas. Antes do dia 10/08 estaremos de volta.
Eu pensei em deixar posts agendados para vocês não morrerem de saudades de mim (meu nome deveria ser Tássia - tá se achanado!), mas ai eu pensei que seria pouco original e o que vocês querem mesmo saber é sobre a viagem e aventuras.

Então, sempre que der, escrevo alguma coisa por aqui para mostrar que estou viva e curtindo tudo.

Quem sabe, numa próxima viagem, eu não apareça lá pela Suíça, Holanda, Suécia... tem gente espalhada pelo mundo todo, meu Deus! ;)

De qualquer forma, não me esqueçam!!!! Eu sou uma pessoa muito carente. hahahaha

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

Que eu consegui o visto de residência com facilidade não é novidade para ninguém.
Que eu adquiri o direito de morar na Alemanha e viajar tranquilamente pela Europa (até parece que eu tenho $$$$) também não é novidade.

A novidade, além dos direitos, são os deveres que preciso cumprir. É claro que eu já tive que providenciar o meu Lohnsteuerkarte para 2010. Um cartãozinho charmoso e amarelinho que indica o meu número de cadastro e a categoria de imposto em que estou classificada.

Como marido trabalha e eu não, a minha classificação é a mais baixa. Ou seja, quando eu estiver trabalhando, pagarei, em porcentagem, mais impostos que meu marido. O que é interessante, porque a lógica é que quem ganha menos no casamento, paga mais imposto, em compensação, mais imposto de quem ganha menos ainda é menos do que se fosse cobrado a mesma porcentagem de quem ganha mais. Entenderam? Nem eu. Peraí que vou desenhar:

Digamos que marido ganha 2.000 mensais e eu ganhe 1.000. Se a minha categoria de imposto é a 5, eu pago 40% de imposto, porque já há outro trabalhador na casa. 40% de 1000 é menos do que se fosse cobrar os 40% do marido que ganha mais. Ficou mais claro agora?

Isso só vai mudar se, por ventura, eu ganhar mais que marido. Aí os papéis se invertem.

* Os números são ilustrativos. Mas, na média, o alemão paga entre 30 e 40% de impostos + o plano de saúde.

Sim, vocês conhecem a frase do título. É do Homem Aranha. rsrsrs

quarta-feira, 21 de julho de 2010

6 meses

Só para registrar: hoje faço seis meses morando na Alemanha.

Cheguei no dia 21/01/10. Fazia -7 graus. Eu nem liguei para o frio. Eu não queria era largar o pescoço do meu maridinho. Foram quase três semanas de separação. Ele viajou antes, no dia 03/01.

Eu vou ser repetitiva se disser que de lá pra cá muita coisa mudou. Mudou mesmo. Muita coisa aconteceu também. Graças a Deus, tudo para melhor. É só ler o blog todo pra saber. Hehehehe

Nossa vida no Brasil não estava um mar de rosas. A gente apanhou bastante durante uns três anos. Ele mais do que eu. Eu tinha um trabalho que gostava de fazer, ao menos. Acho que por isso, valorizamos tanto nossa vida aqui. Eu não reclamo das dificuldades, fico frustrada, às vezes, porque é normal me cobrar demais.

No início, foi difícil admitir que eu era mesmo uma analfabeta, que eu precisava de ajuda para decifrar rótulos, entender orientações mais simples. Eu me sentia uma muçulmana ao lado do marido, faltava só a burca. (exemplo exagerado só pra vocês sentirem o drama.)

Porém, os dias foram passando, eu fui aprendendo, me atrevendo... Agora, estou mais independente e já consigo me virar sozinha. Ou não. Um dengo, muitas vezes, é bom. rs

Os próximos seis meses serão igualmente desafiadores, o próximo ano também, o seguinte e o outro e o outro...

Isso é que é bom, "a vida não para".

P.S. Por causa do incentivo de vocês, comecei a escrever o livro. Obrigada!

Coisas do verão

- Você vê pessoas disputando cada metro quadrado de grama de um parque, praça ou rua para tomar banho de sol.
- Você vê pessoas disputando centímetros quadrados nas "praias" dos lagos e rios de Berlin para poder tomar um banho.
- Você caminha entre essas pessoas e se surpreende com um topless ali, outro aqui.
- Você vê pessoas trocando de roupa (a normal para a de banho) no meio das outras pessoas nessas mesmas "praias". Isso aí, eles ficam nus na sua frente. A cena mais "linda" é quando eles abaixam para pegar alguma coisa no chão. Visão privilegiada. Cof cof cof. Vou ter pesadelos ainda por causa disso.
- Você vê pessoas nuas, simplesmente.

Estou tentando me acostumar, me adaptar. Acho que atentado ao pudor, violento ou não, não existe na Alemanha. ;)
Mas, eu juro que a criação que minha mãe me deu me impede, inclusive, de tirar qualquer uma peça de roupa na frente de estranhos.

Ver os outros peladões, ok. Verem a mim? Nem sonhando.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Um pouco da Bahia

O que aconteceria se os tradutores de filmes fossem baianos:

Uma linda mulher: A nega é toda boa
Velocidade Máxima – O Buzu Avionado
Os Bons Companheiros – Os Corrente
O Paizão – O Grande Painho
A Morte Pede Carona – A Misera Quer Pongar
Ghost – O Encosto
O Poderoso Chefão 1 – ACM
O Poderoso Chefão 2 – ACM Júnior
O Poderoso Chefão 3 – ACM Neto
O Exorcista – O Lá Ele
Táxi Driver – O Taquiceiro
Corra Que A Policia Vem Aí – Se Pique Que Os Homi Tão Descendo
O Senhor dos Anéis – O Coroa Dos Balangandan
Janela Indiscreta – Vizinho Na Cócó
Velozes e Furiosos – Ariscos e Virados No Estopô
Esqueceram de Mim – Me Crocodilaram
Forrest Gump – O Culhudeiro
Clube da Luta – Os Comedor de Pilha
O Cavaleiro das Trevas – O Jagunço do Breu
Cidade de Deus – Bairro da Paz
O Que É Isso, Companheiro! – Colé de mermo, véi!
A Casa Caiu - A RONDESP chegou
O fim dos dias - Nós "tamo" é lascado
Mamma Mia! - O pai ó
Turistas - Os gringo
2012 - Não vá que é barrio!
Guerra dos mundos - Hoje tem Ba X Vi!
O Chamado - Venha cá, vei
O Chamado 2- Se chegue logo, man
Á beira da loucura - Tu tá é muito doido!

Recebi por e-mail.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Para me ajudar e ajudar quem quiser também

inventei mais um blog. Pois é.

Esse é para praticar um pouco do que estou aprendendo sobre a língua dos germânicos.

Vou publicar dicas para facilitar a aprendizagem e fixar conteúdo.

Quem quer entrar nessa loucura comigo, clica aqui.

Vivi, você que lê meu blog e que só comentou uma vez na vida (hehehe), taí, lembra que eu disse que ficaria para as férias?