quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A palavra é: resignação

Era uma vez uma mocinha que tinha um blog.
Era uma vez uma mocinha que parou de blogar e apagou seus posts.
Era uma vez uma mocinha que voltou a blogar de novo e novamente.
Era uma vez uma mocinha que não para de me atarantar com seus novos posts.

E o último foi esse: Resignação.

Meu comentário está lá, mas eu resolvi postar aqui também (com alguma edição - em itálico), porque nem todo mundo conhece a mocinha (e só por castigo, não coloco o blog dela nos meus links, viu?)
"Veja bem, eu estou do lado de cá, procurando emprego ou qualquer coisa que o valha.
Veja bem, eu estou do lado de cá e não sou um deles.
Veja bem, não é fácil. (não quero dizer – ou admitir – que seja difícil)
Veja bem, eu não quero me resignar e aceitar “qualquer coisa que o valha”. (por isso, entenda, qualquer coisa abaixo da minha formação e/ou experiência)
Não é bem assim que eu vejo o meu mundo.
Recomeçar sim, resignar-me não. Oi, acabei de sair de um estágio. Pois é… (E não teria problema em fazer outro, desde que fosse na minha área, no que gosto de fazer. Ainda tenho tempo, ou estou no tempo de "recomeçar"...)
Não quero aceitar que tenho que ser assim ou assado por não ser “um deles”. Que tenho que ganhar menos, inclusive. Ou que não sou qualificada porque não tenho “certificados” equivalentes.
Às vezes, eu durmo pensando nessa palavra, que seria a melhor forma de viver em paz. (Mas, acordo com outro pensamento. Devem ser os anjos...) Assim como você, penso que isso não é viver (ou é viver menos). Prefiro não me conformar e estar sempre pensando numa saída melhor, mesmo que mais tortuosa.
Seria meu medo hoje: ter que me resignar."
E é por isso que eu não desisto. Ou não quero pensar que desisti...

Um dia de cada vez. Ou até eu quebrar a cara. ;)

No dia que eu deixar de me sentir bem, não estará mais valendo a pena...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Em Berlin é (pode ser) assim...

Você sai num domingo ensolarado com amigos para curtir o dia. Uma amiga veio de Bremen e queria porque queria comer o currywurst berlinense.

Aí, como somos bons amigos, queríamos levá-la para o mais gostoso. Domingo. Sol. Estava fechado.

Paramos numa padaria para marido perguntar se havia outro local por perto que tivesse currywurst. A atendente responde com a cara mais feia do mundo:

- Não sei! Não tenho a mínima idéia! Eu sou vegetariana.

Traduzindo: Você é um maldito comedor de carne, estou pouco me importando para as suas necessidades. Se fode aí. 

Fazer o quê? Eu ri!

E marido ficou todo sem graça.

Gente, sério, precisa disso?


Update: Ui, o comentário da Eliana me fez perceber que pode haver um erro de interpretação. Não é o fato de ser vegetariana, foi a grosseria desnecessária. Já aconteceu de perguntarmos, por exemplo, qual carne (prato) a pessoa indicaria, e a moça, gentilmente, dizer que não pode indicar por ser vegetariana. Então, é só porque berlinense costuma ser muito direto e, às vezes, grosso mesmo. rs

domingo, 25 de setembro de 2011

Sobre o curso de pronúncia

Eu já tive duas aulas. O curso acontece uma vez por semana numa VHS. Tem 17 pessoas dos mais variados países. Só três homens. Mulheres invadem impiedosamente a Alemanha, já perceberam? Rá!

A maioria está na Alemanha há tanto tempo quanto eu. O que nos deixa num nível de alemão semelhante. Eu pensei que eu dividiria sala com pessoas que moram aqui a mais tempo e que teriam vícios de pronúncia sérios para corrigir. Mas não. São pessoas que querem muito melhorar o alemão, ou por questões profissionais, ou para atingir a fluência mesmo.

O professor não é professor de alemão, ele é ator (quis dizer que tem a formação, né?). Acho o máximo, porque a técnica que ele usa é ótima. Achei ele uma figuraça, simpático, articulado e super bem humorado. Já na primeira aula, fizemos vários exercícios vocais. Ele disse: "Alemão não é língua fofa, não. Não tem que falar fazendo biquinho, tem que abrir a boca mesmo." Eu quase perguntei a ele qual era a novidade. =P

Na segunda aula, treinamos o sch, ch, sp, st... Meu povo, meu pescoço voltou pra casa sozinho. Porque, orra meu, todos os movimentos são friamente exagerados. ;)

Pelo que já senti das aulas, virão muitos micos por aí. Porque, oi? Tentar falar uma palavra que é o meu maior problema sem cuspir, grunhir ou desistir vai ser um desafio.

A promessa é de melhoras. Veremos.

Atenção, meu leitores: este blog está com uma suspeita de vírus, por conta do link com o blog avogi.blogspot.com. O link já foi retirado e estou resolvendo do meu lado de cá, com anti-vírus e o que mais for necessário. Sugiro a vocês, queridos leitores, que passem um anti-vírus nos seus computadores por garantia. O meu não denunciou nada, mas não custa nada fazer esta ação. Eu vou passar outro anti-vírus, além do avast que já tenho, pra ter 100% de certza. Se alguém tive ainda problema de acesso ao blog, por favor, mande-me um email comunicando. Agradeço às usuárias de Mac que me alertaram, Dani e Billy. Beijos!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

FAQ. 23 - Você se adaptou bem à Alemanha?

Alguns brasileiros me fazem essa pergunta. Muitos alemães, principalmente aqueles que eu encontro casualmente, sempre me perguntam. E eu respondo frequentemente: sim, não foi difícil.

Não foi difícil por vários fatores:
  1. Sou casada com um alemão há quase 8 anos. Mesmo vivendo no Brasil, já estava acostumada com o "jeito" alemão.
  2. Vim morar em Berlin, que não é nenhum "Dorf" (povoado) super conservador e tem muuuuitos estrangeiros. Tem bairros aqui (o meu) aonde a maioria (80%) dos moradores é de origem estrangeira.
  3. Dizem que eu sou mais alemã que brasileira. Não costumo ser muito emotiva e ligada demais à família. E quando pisam no meu calo, falo meRmo.
  4. Minha situação aqui está, de certa forma, melhor do que a que eu tinha no Brasil. Isso facilita. Estou falando de qualidade de vida.
  5. Fiz amigos, alemães (herdados do marido) e brasileiros (herdados do blog) super legais que me dão a maior força.
Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, fiquei pensando se meu mundo da adaptação é assim tão perfeito e colorido. Cheguei a conclusão que, opa, pera lá, tem algumas coisas, sim, das quais ainda não me adaptei.

Números: por maior que seja a dificuldade em aprender alemão, dificuldade maior ainda é me adaptar aos números aqui. Eu entendo a frase inteira, falou um número nessa frase, me perdi. Aí, lá no fundo da parte do cérebro que codifica línguas que eu não sei qual é, fico tentando juntar os caquinhos e pensar que o "12 centenas, oito e cinquenta" que o cara falou é nada mais nada menos que 1.258. Sim, 12 centenas = 1.200. Oito e cinquenta: 58. Coisa é quando ainda tem número depois da vírgula. Para aí o trem na ponte, que eu vou pularrrr!!!

Horário: Como consequência, não entendo as horas ainda. Alguém me explica porque, cargas d'água, a gente vai se encontrar às 20h30 e você me diz "meia nove"? Argh! Tá, quando eu digo não entendo, quero dizer que demoro séculos para codificar a mensagem, certo? Certo.

Pelados: Eu não vou me repetir, leiam essa história aqui. ;) O que significa que nunca irei numa piscina pública, muito menos numa sauna. Quando vou aos lagos, preciso me concentrar na água, só na água. rs

Festas: não tem quem me faça achar graça em festas alemãs. Gente, que povo mais chato e sem entusiasmo. Geralmente, eles formam grupinhos, só conversam com quem conhecem, falam coisas chatas para serem conversadas em festa (política, economia, trabalho...) e eu fico com cara de paisagem. Porque, pourannn, já é difícil me comunicar numa festa, imagina quando se tem motivação nenhuma pra fazer isso? Marco presença, conto uns minutinhos, pego minha bolsa, digo tchau e vou embora.

Produtos para o meu cabelo: alguém explica para esse povo que, quando eu compro um shampoo, eu não preciso de mais volume? Tudo aqui é para "mais volume". Eu tenho que sair garimpando nas prateleiras.

Calcinhas: Outro post sobre o assunto.

Reclamar do tempo ou perguntar se sinto falta do calor: Dá vontade de falar: "meu filho, faz favor de mudar o disco nessa vitrola? Tudo aí no seu discurso é velho."

E por último, mas não menos importante: Ser estrangeiro mesmo tendo nascido no país, só porque seus pais não têm o sangue alemão. Pra quem veio de país colonizado, essa regrinha é difícil de aceitar.

E aí, você, amiga ou amigo, o que falta pra se adaptar?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Brechó. Só que ao contrário

Então que o outono tá aí, né?

Bom, já está aí há um tempão, a gente é que finge que não viu porque quer acreditar piamente que o verão não foi essa merreca que foi, né mesmo?

Então² que estou fazendo um brechó. Sim, brechó. Só que ao contrário. Como assim, Bial?

Assim, vou explicar: eu preciso/quero/desejo/namoro uma jaqueta jeans e/ou casaco de couro (pode ser sintético, tá?). Só que nesse momento de dureza total (estou juntando para, entre outras coisas, comprar um casaco de inverno, de INVERNO mesmo, nas liquidações de janeiro, por exemplo, e um notebook que o meu está morrendo - quatro anos, já) não tenho encontrado casaquinhos fofos, lindos e que me agradem pelo preço, assim, pagável, sabe?

Aí, tive a ideia de fazer um brechó. Sim, brechó. Só que ao contrário.

Se você é menina esperta, já entendeu a cara de pau da senhoura aqui, né? Menina exxxperta, 25 anos de praia, hein? (Abafa os quebrados... rs)

Então³ que eu estou aqui pedindo, porque claro, eu podia tá roubando, eu podia tá matando... Mas, só estou aqui pedindo, para que você, amiga querida, que tem uma dessas peças em casa e, simplesmente, enjoou dela e quer fazer outra mocinha querida feliz (o/), passe-a adiante. E quando eu digo passar adiante, quero dizer: enviar diretamente para o meu endereço, certo? Certo!

Como minha cara de pau não foi lustrada com óleo de peroba suficiente, quem me fizer a caridade de matar essa minha carência, ops, necessidade, ganha um lindo presentinho a ser definido ainda. Presentinho, tá? Presentinho...

Se eu não ganhar nenhum, tudo bem. Acho que eu consigo sobreviver com isso... Juro que não vou jogar praga em ninguém. Juro.

Tamanho? 36/38

Sim, eu sou adepta do Second Hand, brechó, trocas e tudo o que combina comigo e com a economia de dinheiro. Eu sempre passo adiante também. ;)

Aguardando, ansiosamente, centenas de comentários! Viu?? Viu??

P.S. Preciso escrever que não precisam levar à sério? Obrigada!

Update, 22.09, 19h30: Meu povo, esse post está publicado numa comunidade do orkut "*CONFISSÕES* casada c/ gringo", não sei em que condições ou circunstâncias esse post foi parar lá. Gostaria de deixar claro algumas coisas: não faço parte dessa comunidade; não tenho uma vida miserável na Alemanha; economia não é sinônimo de pobreza/desgraça; eu escrevi um P.S. para o post (alguém leu o post até o final?); por fim, não estou na Alemanha por dinheiro. Minhas leitoras e leitores de longa data entenderam o texto. Sim, eu rastreio os acessos.
 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Das coisas esquisitas (eu, o post, a história e o resto)

Eu não ia escrever, porque né? Com-pli-ca-do.

- Pessoa está conversando comigo na net, com direito a webcam, videozinho e mimos. Pessoa me pergunta como está mesmo a vida, trabalho, estudos... Estou ainda digitando a resposta e pessoa já mudou de assunto. Tipo, oi? Interesse, cadê? Vem falar de sei lá o quê.

- Aí, eu sou teimosa e respondo mesmo assim. "Ah, estou desempregada!" pra ver se a pessoa se interessa pela desgraça alheia. "Oh, mesmo? E agora?". Estou eu, lá, digitando a resposta ainda. Pessoa muda de assunto de novo. "Ah, não posso esquecer, Fulana perguntou por você." Porra! Desisto.

- Pessoa sabe que conversas assim só rolam de ano em ano. Porque, né? Não é todo dia que pessoa tem tempo pra mim, pra net, pra webcam...

- Eu tenho que digitar, porque se eu falar, pessoa não escuta, já que tem problemas auditivos. E, olha, em português, eu digito muuuuito rápido. Sabe, muito? Então...

- "Ah, eu queria ver como está o seu cabelo." Pronto, já viu? Tchau. Porque né? Tira qualquer vontade da pessoa de manter uma conversa de qualidade.

- Tipo assim, depois de anos você percebe que, porra, aquela historinha de ninar que contavam nada mais era que puro preconceito. Porque, minha filha, você é branca e tem o cabelo duro. Aonde já se viu branco de cabelo duro? Você não pertence a essa família de cabelos lisos e sedosos. "E seu cabelo está sempre horrível, aff, dá um jeito nele."

- Mãe, o meu cabelo é lindo, tá?

Sim. A própria.

Uma palavra? Terapia.

domingo, 18 de setembro de 2011

Fechando um ciclo: estágio

Então, né? Seis meses se passaram e muitas histórias foram contadas.
Eu quase fui contratada. Quase.
Fui elogiada.
Paguei inúmeros micos.
Rodei a baiana.
E, enfim, "desisti" do doce.

Mas, olhando só as coisas bonitas, foi um tempo tão bom. Foi um tempo em que saía feliz de casa, que tinha ideias, em que minha criatividade foi reconhecida e aproveitada, em que fiz alguns amigos, que melhorei meu alemão... Só eu sei o quanto eles foram pacientes e dedicados. Meu chefe, principalmente.

Ganhei flores quando eu cheguei. Ganhei flores quando saí (e um vale compras da Dussmann - a vaquinha agora foi deles!).
Na ultima semana, tinha um arranjo tão lindo na empresa que eu tinha que registrar. Das coisas bonitas que encheram meus olhos.
Outra coisa que encheu meus olhos foram lágrimas. Que eu não derramei, mas ficaram visívies. Eu sou meio durona (ou me faço de), mas ouvir o poderoso chefão me falar coisas doces e dizer que ele está à disposição para me ajudar a encontrar um novo emprego, foi simplesmente mais do que eu pedi. E ele me deu um abraço tão quente e sincero. Sabe aquele abraço de urso? Então...

Eu também ganhei um "Zeugnis" 100% perfeito. Na Alemanha, é super importante a carta de referência da empresa. E foi tão legal da parte da empresa o que fizeram. Ainda terminaram a carta assim: "Esperamos que os caminhos profissionais da Frau da Zilfa se cruzem com os nossos frequentemente, para podermos ter a oportunidade de acolhê-la como funcionária um dia." Se bem que, eu mereço, né?

Primeira experiência profissional aqui e um "Zeugnis" desses... Oh, quem foi que disse que estou na pior? rs

É isso. Agora é guardar as boas lembranças, colocar os planos em ação e movimentar-me. Muito! Porque eu sei que não vai ser fácil.

P.S. Será que ainda chegará o dia de fazer um post: "Fechando um ciclo: alemão"? rsrsrs