Mais de 10 dias sem uma postagem e ninguém reclamou?
É... estou mesmo perdendo a notoriedade que um dia eu já tive. Vou usar a mesma tática que usei com uma mocinha outro dia: assim, vou cortar os pulsos com bolacha maria, tá?
Difícil vai ser achar a bolacha, mas, enfim... :)
Últimos dias foram de balanço, de muito trabalho, de mudança de pensamentos e de novos planos. Nunca pensei que ia voltar a atuar na minha área aqui na Alemanha. Precisei, por acaso, encontrar alguém (a presidente da ONG) para que as coisas começassem a acontecer. E como ímã, pessoas me procuram, projetos chegam e eu me sinto cada vez mais no caminho certo.
Eu tenho algumas histórias pra contar, mas, olha, serei sincera: criatividade sumiu. Passo o dia ou na frente do micro ou falando em alemão que chego em casa e quero fazer outras coisas. Mas, eu volto. Prometo.
Então, pedirei com carinho:
Aguardem no local. Já já, tia Eve está no pedaço novamente!
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quinta-feira, 5 de junho de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Indo muito rápido. Que bom!
As últimas semanas têm sido muito intensas. Novidade atrás de novidade.
Fui a um evento aqui no bairro no "dia da mulher" e de lá para cá muita coisa aconteceu. Conheci pessoas super legais e comecei um trabalho voluntário numa ONG. Só que o que seria voluntário, pode crescer para outras direções. Porque eu sou da área, porque eu terminei um curso que vai ajudar e porque eu decidi que serei senhora do meu destino.
Não espero mais aquele emprego dos sonhos. Vou lá criar o meu. Vou fazer o que quero.
E aí, que desde que tomei essa decisão que as coisas acontecem. Muito rápido. Marido diz que é o momento certo, a hora certa. Eu também tenho essa impressão. É como se o universo, as estrelas e os planetas estivessem alinhados para que, depois de tanta espera, a minha vida começasse a entrar nos eixos.
Está sendo tudo muito dinâmico. Estou tirando o pó da minha cabeça e estou me divertindo muito.
O melhor de tudo é aquela sensação que se tem de desenvolver projetos para o bem, de trabalhar por convicção e de poder interagir com as pessoas. Aí, em meio a tantos pensamentos e acontecimentos, entro no FB e leio a seguinte frase:
Faz sentido!
Fui a um evento aqui no bairro no "dia da mulher" e de lá para cá muita coisa aconteceu. Conheci pessoas super legais e comecei um trabalho voluntário numa ONG. Só que o que seria voluntário, pode crescer para outras direções. Porque eu sou da área, porque eu terminei um curso que vai ajudar e porque eu decidi que serei senhora do meu destino.
Não espero mais aquele emprego dos sonhos. Vou lá criar o meu. Vou fazer o que quero.
E aí, que desde que tomei essa decisão que as coisas acontecem. Muito rápido. Marido diz que é o momento certo, a hora certa. Eu também tenho essa impressão. É como se o universo, as estrelas e os planetas estivessem alinhados para que, depois de tanta espera, a minha vida começasse a entrar nos eixos.
Está sendo tudo muito dinâmico. Estou tirando o pó da minha cabeça e estou me divertindo muito.
O melhor de tudo é aquela sensação que se tem de desenvolver projetos para o bem, de trabalhar por convicção e de poder interagir com as pessoas. Aí, em meio a tantos pensamentos e acontecimentos, entro no FB e leio a seguinte frase:
"Empower yourself and realise the importance of
contributing to the world by living your talent. Work on what you love.
You are responsible for the talent that has been entrusted to you." Catharina Bruns
Faz sentido!
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Na oficina...
Levei minha magrela na terça-feira para uma oficina pertinho aqui de casa, que faz parte de um projeto social (vou falar mais sobre isso depois).
Marido tinha me dito que eu contasse com um custo de 50 euros, no mínimo, porque, além da mão de obra, claro, tinha que trocar as câmaras de ar, a borracha dos freios, lubrificar etc etc etc.
Quando eu cheguei pra deixar a bicicleta, umas 10h15, o cara fala: "Ah, é só para encher o pneu?" e eu: "Não, ela ficou dois anos num porão..." e ele: "Ahhhhh, já sei o que tenho que fazer. Passa aqui às 14h que vai estar pronta."
Às 14h tinha outro compromisso e não podia buscar, busquei no dia seguinte. Aí encontro a "bichinha" lá fora sorrindo pra mim querendo ser usada. Ele tinha trocado até o farol que estava queimado.
Pergunto quanto é e ele:
- Se você tiver, me dá aí 5 euros.
Olhei pra ele com a cara mais assustada do mundo:
- O quê!?!?! 5 euros?
Eu acho que ele pensou que eu não ia pagar... hahahaha
Um cara que estava próximo da gente falou:
- Se você cobrasse 15 ela pagava sem nem reclamar.
E ele:
- Ah, mas esse dinheiro é pro caixinha da Ong.
Pois, paguei os 5 euros e segui pedalando pra casa.
No próximo problema com a bicicleta, já sei exatamente para onde correrei. :)
Marido tinha me dito que eu contasse com um custo de 50 euros, no mínimo, porque, além da mão de obra, claro, tinha que trocar as câmaras de ar, a borracha dos freios, lubrificar etc etc etc.
Quando eu cheguei pra deixar a bicicleta, umas 10h15, o cara fala: "Ah, é só para encher o pneu?" e eu: "Não, ela ficou dois anos num porão..." e ele: "Ahhhhh, já sei o que tenho que fazer. Passa aqui às 14h que vai estar pronta."
Às 14h tinha outro compromisso e não podia buscar, busquei no dia seguinte. Aí encontro a "bichinha" lá fora sorrindo pra mim querendo ser usada. Ele tinha trocado até o farol que estava queimado.
Pergunto quanto é e ele:
- Se você tiver, me dá aí 5 euros.
Olhei pra ele com a cara mais assustada do mundo:
- O quê!?!?! 5 euros?
Eu acho que ele pensou que eu não ia pagar... hahahaha
Um cara que estava próximo da gente falou:
- Se você cobrasse 15 ela pagava sem nem reclamar.
E ele:
- Ah, mas esse dinheiro é pro caixinha da Ong.
Pois, paguei os 5 euros e segui pedalando pra casa.
No próximo problema com a bicicleta, já sei exatamente para onde correrei. :)
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Fechando um ciclo: trabalho voluntário
Desde que eu comecei a estagiar não vou mais à ONG. A verdade é que estive lá um dia antes do estágio começar e só encontrei uma pessoa. Não tive tempo de voltar, falar com todo mundo, me despedir e agradecer. Falta fazer isso.
Eu vou para o estágio de metrô. Faço uma troca pra chegar lá. Por pura preguiça e falta de preparo físico para ir de bicicleta (tem gente que vai me bater quando ler isso... rsrs). Mentir pra que, né mesmo? =P Eu já falei que sou fracote.
E essas minhas idas e vindas constantes no mundo "subterrâneo" me faz ver cenas cotidianas. Graças ao trabalho voluntário, tenho outra visão. Sim, senhoras e senhores. Na ONG tive contato com uma parcela da sociedade berlinense que eu não teria se tivesse ficado em casa. Uma parcela que, verdade seja dita, é discriminada aqui. Estou falando dos pobres. Das pessoas que recebem ajuda social.
Como brasileira, que conhece a miséria do país (aquela que está em toda esquina e em cada semáforo não nos permitindo esquecê-la, além de ser muito mais crítica), achava ridículo ouvir alemão falar que aqui tem pobreza. Aqui tem, a diferença é que eles não passam fome. Vivem à margem da sociedade. Não podem comprar roupas de marca ou da moda, não vão a restaurantes, não fazem viagens, não sabem o que é o superfluo. Para um brasileiro, isso soa uma bobagem. Soava pra mim.
Porém, o principal eles não têm: auto-estima.
Quem é pobre na Alemanha vive de ajuda social, não tem trabalho e é mal visto pela sociedade às vezes, até por não viver nela (e muitos fazem a sua própria. Punks, oi?)
Eu não estou justificando a vagabundagem. Isso tem em todo lugar, inclusive na miséria. Não dá pra generelizar tanto. 100% das pessoas que recebem Hartz IV não são "vagabundos profissionais".
Só digo que vi pessoas que em outra época tinham trabalho, mas, por algum motivo (queda do muro, por exemplo), perderam seus postos de trabalho e, em alguns casos, nem suas profissões existem mais. São incapazes de se realocar por um motivo ou por outro (alcolismo, doenças mentais, dificuldades de aprendizagem etc.). São socialmente inúteis. Auto-estima pra quê?
Pra mim, o trabalho voluntário foi uma das melhores coisas que fiz pra ajudar na minha integraçao aqui. Eu consigo entender os dois lados um pouco. O das pessoas que alimentam esse sistema com o seu trabalho. E o das pessoas que são alimentadas por ele.
Tudo isso também depois que eu vi o presidente da ONG chegar um dia embaixo de alguns centímetros de neve com um sapato furado. Ele não andaria congelando o pé se pudesse comprar outro, né? Vagabundo ele não é, tão pouco alcólatra. Mas, recebe ajuda social.
Eu vou para o estágio de metrô. Faço uma troca pra chegar lá. Por pura preguiça e falta de preparo físico para ir de bicicleta (tem gente que vai me bater quando ler isso... rsrs). Mentir pra que, né mesmo? =P Eu já falei que sou fracote.
E essas minhas idas e vindas constantes no mundo "subterrâneo" me faz ver cenas cotidianas. Graças ao trabalho voluntário, tenho outra visão. Sim, senhoras e senhores. Na ONG tive contato com uma parcela da sociedade berlinense que eu não teria se tivesse ficado em casa. Uma parcela que, verdade seja dita, é discriminada aqui. Estou falando dos pobres. Das pessoas que recebem ajuda social.
Como brasileira, que conhece a miséria do país (aquela que está em toda esquina e em cada semáforo não nos permitindo esquecê-la, além de ser muito mais crítica), achava ridículo ouvir alemão falar que aqui tem pobreza. Aqui tem, a diferença é que eles não passam fome. Vivem à margem da sociedade. Não podem comprar roupas de marca ou da moda, não vão a restaurantes, não fazem viagens, não sabem o que é o superfluo. Para um brasileiro, isso soa uma bobagem. Soava pra mim.
Porém, o principal eles não têm: auto-estima.
Quem é pobre na Alemanha vive de ajuda social, não tem trabalho e é mal visto pela sociedade às vezes, até por não viver nela (e muitos fazem a sua própria. Punks, oi?)
Eu não estou justificando a vagabundagem. Isso tem em todo lugar, inclusive na miséria. Não dá pra generelizar tanto. 100% das pessoas que recebem Hartz IV não são "vagabundos profissionais".
Só digo que vi pessoas que em outra época tinham trabalho, mas, por algum motivo (queda do muro, por exemplo), perderam seus postos de trabalho e, em alguns casos, nem suas profissões existem mais. São incapazes de se realocar por um motivo ou por outro (alcolismo, doenças mentais, dificuldades de aprendizagem etc.). São socialmente inúteis. Auto-estima pra quê?
Pra mim, o trabalho voluntário foi uma das melhores coisas que fiz pra ajudar na minha integraçao aqui. Eu consigo entender os dois lados um pouco. O das pessoas que alimentam esse sistema com o seu trabalho. E o das pessoas que são alimentadas por ele.
Tudo isso também depois que eu vi o presidente da ONG chegar um dia embaixo de alguns centímetros de neve com um sapato furado. Ele não andaria congelando o pé se pudesse comprar outro, né? Vagabundo ele não é, tão pouco alcólatra. Mas, recebe ajuda social.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Real life
Marido me disse que 2010 foi a versão demo da minha vida aqui e que a real life começa agora em 2011. Calma, não tem nada a ver com o cara lá de baixo. Demo é uma abreviatura para a palavra demonstração. "Ufa!", vocês pensaram.
Essa real life é também conhecida como a Síndrome do Segundo Ano (mentira, esse nome aí quem inventou fui eu! mas, existe algo parecido), onde os expatriados, já quase adaptados ao país escolhido, falando a língua local, estão "expostos" às situações normais do dia a dia. O que torna a vida mais realista e mais dura também. O encantamento dá lugar à relação com estranhos, à busca por seu espaço (seja num trabalho ou numa faculdade), à criação de uma nova identidade e a muitos "nãos" na cara.
Eu gostei da visão dele e acho que ele tem razão, como sempre (puxando o saco mode on/off). Por isso, mal cheguei da viagem ao Brasil e já me joguei no curso de alemão. Pois é. Cheguei na segunda e na quarta estava tendo aula. Na verdade, estou fazendo dois cursos: o C1 e um de redação, na mesma VHS (Volkshochschule - escola do povo, com preços mais acessíveis). O C1 é na segunda e na sexta e o de redação é na quarta. Até agora, só estou achando o ritmo do C1 um pouco devagar e gostei da primeira impressão do de redação, com estrangeiros que trabalham e precisam aprender mesmo a escrever bem em alemão. Além disso, fiz assinatura da revista Deutsch Perfekt (dica da July) e tenho que estudar e ler bastante. Se não for assim, não é. Já me conheço.
Junto com isso, tem a minha busca por trabalho que já começou no final do ano passado, com alguns test drivers (Tá certo esse plural, zezus? Estou com trauma de plural.) que me mostraram que o que falta melhorar mesmo é o alemão. E a busca consiste em pesquisa de vagas, análise do perfil, adequação de currículo, carta de apresentação, estudar sobre a empresa, traduzir e escrever corretamente etc etc etc. Descobri que levo, pelo menos, uma semana pra cada vaga que eu encontro. Dá trabalho procurar trabalho por aqui. ;)
E ainda tem a ONG. Não deixei de lado e combinei de ir apenas duas vezes na semana. Na terça e na quinta. Ou seja, tenho compromissos e coisas pra fazer todos os dias da semana. E cuidar da casa e marido e blog e vida social... Peraí que preciso respirar um pouco. Pronto. Eu não estou reclamando. Só estou dando um aperitivo do que me aguarda por aí e ainda estou querendo mais (emprego, oi?).
Preciso melhorar muito meu alemão nesse semestre para poder arrumar um trabalho. Receber só elogios por conta do currículo - que não sei até onde são sinceros, e receber negativas por conta do alemão (lembrando que, numa concorrência, serei a segunda opção por ser estrangeira), não anima muito, né?
Bora lá fazer acontecer, minha gente!
Essa real life é também conhecida como a Síndrome do Segundo Ano (mentira, esse nome aí quem inventou fui eu! mas, existe algo parecido), onde os expatriados, já quase adaptados ao país escolhido, falando a língua local, estão "expostos" às situações normais do dia a dia. O que torna a vida mais realista e mais dura também. O encantamento dá lugar à relação com estranhos, à busca por seu espaço (seja num trabalho ou numa faculdade), à criação de uma nova identidade e a muitos "nãos" na cara.
Eu gostei da visão dele e acho que ele tem razão, como sempre (puxando o saco mode on/off). Por isso, mal cheguei da viagem ao Brasil e já me joguei no curso de alemão. Pois é. Cheguei na segunda e na quarta estava tendo aula. Na verdade, estou fazendo dois cursos: o C1 e um de redação, na mesma VHS (Volkshochschule - escola do povo, com preços mais acessíveis). O C1 é na segunda e na sexta e o de redação é na quarta. Até agora, só estou achando o ritmo do C1 um pouco devagar e gostei da primeira impressão do de redação, com estrangeiros que trabalham e precisam aprender mesmo a escrever bem em alemão. Além disso, fiz assinatura da revista Deutsch Perfekt (dica da July) e tenho que estudar e ler bastante. Se não for assim, não é. Já me conheço.
Junto com isso, tem a minha busca por trabalho que já começou no final do ano passado, com alguns test drivers (Tá certo esse plural, zezus? Estou com trauma de plural.) que me mostraram que o que falta melhorar mesmo é o alemão. E a busca consiste em pesquisa de vagas, análise do perfil, adequação de currículo, carta de apresentação, estudar sobre a empresa, traduzir e escrever corretamente etc etc etc. Descobri que levo, pelo menos, uma semana pra cada vaga que eu encontro. Dá trabalho procurar trabalho por aqui. ;)
E ainda tem a ONG. Não deixei de lado e combinei de ir apenas duas vezes na semana. Na terça e na quinta. Ou seja, tenho compromissos e coisas pra fazer todos os dias da semana. E cuidar da casa e marido e blog e vida social... Peraí que preciso respirar um pouco. Pronto. Eu não estou reclamando. Só estou dando um aperitivo do que me aguarda por aí e ainda estou querendo mais (emprego, oi?).
Preciso melhorar muito meu alemão nesse semestre para poder arrumar um trabalho. Receber só elogios por conta do currículo - que não sei até onde são sinceros, e receber negativas por conta do alemão (lembrando que, numa concorrência, serei a segunda opção por ser estrangeira), não anima muito, né?
Bora lá fazer acontecer, minha gente!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Extraordinário
Estou eu, linda, loira, de cachinhos e suada numa reunião do Centro Espírita que minha mãe faz parte, para discutir o plano de ação do ano para os projetos de assistência que eles realizam na comunidade (nem nas férias me afasto dessas coisas, né, meu povo?), quando a secretária da diretoria, que estava fazendo a ata, faz a seguinte pergunta:
- Como é que se escreve "extradinária"? (a reunião)
E meu tio, que estava presente, responde:
- Tudo junto e com acento agudo no "h".
Eu não me aguentei. Juro. Dei uma boa gargalhada na cara dela. Não tô podendo com isso, não, gente!
Não sei se é relevante. Pra mim, é. A pessoa é professora do município, tá?
- Como é que se escreve "extradinária"? (a reunião)
E meu tio, que estava presente, responde:
- Tudo junto e com acento agudo no "h".
Eu não me aguentei. Juro. Dei uma boa gargalhada na cara dela. Não tô podendo com isso, não, gente!
Não sei se é relevante. Pra mim, é. A pessoa é professora do município, tá?
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
FAQ - 17. Você fala alemão?
Não.
Eu me comunico em alemão. É diferente.
Eu tenho o certificado do nível B2. E esse nível não é sinônimo de fluência, mas de comunicação. Eu cometo muitos erros quando falo e escrevo. Eu ainda tenho dificuldades em entender sotaques e dialetos. Ainda gaguejo muito pra procurar a palavra certa. A construção das frases sai, muitas vezes, errada.
Mas...
Já é um começo. As pessoas me entendem. E para eu chegar à fluência, preciso falar.
Eu leio revistas, artigos, livros etc. mas não tenho uma compreensão 100% de tudo que eu leio, pois eu não conheço todas as palavras alemãs. Nem as da minha língua materna, né? Tudo faz parte do exercício diário de aprender alemão. Tem quem diga que é um aprendizado eterno.
Quando eu digo que converso com as pessoas em alemão, é uma tentativa de entender e ser entendida. E, muitas vezes, os diálogos que reproduzo aqui refletem o que entendi de uma conversa. Não estão ao pé da letra. Até porque, existem palavras que nem existem em português. Quer fazer um teste? Vai no dicionário e procura o significado em português das palavras Sehnsuchte, Fernweh e Heimweh. Vai ser tudo saudade. O primeiro é mesmo saudade, o segundo é um tipo de nostalgia, mas alemão diz que não é a melhor tradução. E o último é saudade do lar/país de origem. Mesmo que você ache uma tradução que satisfaça, não é com UMA palavra em português que se explica a tradução.
Eu sempre deixei claro aqui as minhas dificuldades com a língua, as minhas frustrações. Estive travada até dias atrás, depois de tantos meses de curso. Agora é que o negócio começa a evoluir, que eu começo a sair da conversa de elevador.
Para vocês terem uma ideia, eu nunca liguei para ninguém que tivesse que falar exclusivamente alemão. Eu nem atendia telefone. Fiz isso a primeira vez, duas semanas atrás, porque precisava ligar pra ONG pra dizer que não poderia ir. Mais um ponto pro trabalho voluntário que estou fazendo, né? Alguma coisa estou aprendendo...
Mas, não se desespere. Todo mundo tem seu tempo. Tem gente que destrava mais cedo, tem quem destrave mais tarde. Tem gente que aprende alemão em meses, tem quem aprenda em anos... Tem quem já fale 3, 4, 5 línguas, o que facilita o processo de aprendizagem de uma nova. Cada pessoa reage de um jeito. Mas, todo mundo passa pelos mesmos desafios.
É só seguir em frente.
Eu me comunico em alemão. É diferente.
Eu tenho o certificado do nível B2. E esse nível não é sinônimo de fluência, mas de comunicação. Eu cometo muitos erros quando falo e escrevo. Eu ainda tenho dificuldades em entender sotaques e dialetos. Ainda gaguejo muito pra procurar a palavra certa. A construção das frases sai, muitas vezes, errada.
Mas...
Já é um começo. As pessoas me entendem. E para eu chegar à fluência, preciso falar.
Eu leio revistas, artigos, livros etc. mas não tenho uma compreensão 100% de tudo que eu leio, pois eu não conheço todas as palavras alemãs. Nem as da minha língua materna, né? Tudo faz parte do exercício diário de aprender alemão. Tem quem diga que é um aprendizado eterno.
Quando eu digo que converso com as pessoas em alemão, é uma tentativa de entender e ser entendida. E, muitas vezes, os diálogos que reproduzo aqui refletem o que entendi de uma conversa. Não estão ao pé da letra. Até porque, existem palavras que nem existem em português. Quer fazer um teste? Vai no dicionário e procura o significado em português das palavras Sehnsuchte, Fernweh e Heimweh. Vai ser tudo saudade. O primeiro é mesmo saudade, o segundo é um tipo de nostalgia, mas alemão diz que não é a melhor tradução. E o último é saudade do lar/país de origem. Mesmo que você ache uma tradução que satisfaça, não é com UMA palavra em português que se explica a tradução.
Eu sempre deixei claro aqui as minhas dificuldades com a língua, as minhas frustrações. Estive travada até dias atrás, depois de tantos meses de curso. Agora é que o negócio começa a evoluir, que eu começo a sair da conversa de elevador.
Para vocês terem uma ideia, eu nunca liguei para ninguém que tivesse que falar exclusivamente alemão. Eu nem atendia telefone. Fiz isso a primeira vez, duas semanas atrás, porque precisava ligar pra ONG pra dizer que não poderia ir. Mais um ponto pro trabalho voluntário que estou fazendo, né? Alguma coisa estou aprendendo...
Mas, não se desespere. Todo mundo tem seu tempo. Tem gente que destrava mais cedo, tem quem destrave mais tarde. Tem gente que aprende alemão em meses, tem quem aprenda em anos... Tem quem já fale 3, 4, 5 línguas, o que facilita o processo de aprendizagem de uma nova. Cada pessoa reage de um jeito. Mas, todo mundo passa pelos mesmos desafios.
É só seguir em frente.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Boletim médico da Sereia
Tô me achando, né? ;)
Seguinte, 19 nunca foi 20:
Imobilizei a mão por 3 semanas. Mas, eu não parei de escrever. Eu não fiquei quieta... e ainda arrumei trabalho de digitação na ONG. (O_o) Minha mãe não precisa saber disso...
Então que não resolveu. Reduziu, mas não curou. Tenho que voltar à médica e pedir injenções locais de cortisona. Eu não sei se eu choro ou se fico aliviada, pois a médica disse (tive que trocar de médico, lembram?) que bastavam duas. Olha, sei não, hein? Oh, dorrrr!
Quanto ao tratamento em busca da cara de bunda de nenê, terminei a primeira caixa e providenciei a seguinte hoje. Dois meses com ela. Na hora de ir ao médico é que um alemão fluente faz falta. Vocês acreditam que eles me deram uma receita sem nenhum acompanhamento? Eu que tive que pedir pra falar com o médico e ele só faltou dizer: "Oxe! Você já não tem a receita? Tá fazendo o que aqui?" Como se eu não estivesse fazendo um tratamento que precisa de acompanhamento, né? Dá vontade de dizer umas coisas que eu só conseguiria em português. Vida que segue...
A pele está mais clara, as manchas estão sumindo, mas a acne continua surgindo. Ui! Rimou!
Boca está ressecada e ... Bom, deixo os detalhes sórdidos para o consultório. A primeira e última vez que falei de pereba aqui, meu post foi parar numa comunidade do Orkut. ;)
Então, é isso.
Eu pensei em escrever o post como aqueles boletins chiques que os RPs dos hospitais de famosos dão, mas me faltou vocabulário pra isso. Fiquei com o popularesco mesmo. Tá bom assim também, né? Brigada...
Seguinte, 19 nunca foi 20:
Imobilizei a mão por 3 semanas. Mas, eu não parei de escrever. Eu não fiquei quieta... e ainda arrumei trabalho de digitação na ONG. (O_o) Minha mãe não precisa saber disso...
Então que não resolveu. Reduziu, mas não curou. Tenho que voltar à médica e pedir injenções locais de cortisona. Eu não sei se eu choro ou se fico aliviada, pois a médica disse (tive que trocar de médico, lembram?) que bastavam duas. Olha, sei não, hein? Oh, dorrrr!
Quanto ao tratamento em busca da cara de bunda de nenê, terminei a primeira caixa e providenciei a seguinte hoje. Dois meses com ela. Na hora de ir ao médico é que um alemão fluente faz falta. Vocês acreditam que eles me deram uma receita sem nenhum acompanhamento? Eu que tive que pedir pra falar com o médico e ele só faltou dizer: "Oxe! Você já não tem a receita? Tá fazendo o que aqui?" Como se eu não estivesse fazendo um tratamento que precisa de acompanhamento, né? Dá vontade de dizer umas coisas que eu só conseguiria em português. Vida que segue...
A pele está mais clara, as manchas estão sumindo, mas a acne continua surgindo. Ui! Rimou!
Boca está ressecada e ... Bom, deixo os detalhes sórdidos para o consultório. A primeira e última vez que falei de pereba aqui, meu post foi parar numa comunidade do Orkut. ;)
Então, é isso.
Eu pensei em escrever o post como aqueles boletins chiques que os RPs dos hospitais de famosos dão, mas me faltou vocabulário pra isso. Fiquei com o popularesco mesmo. Tá bom assim também, né? Brigada...
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Das coisas que andei reavaliando e aprendendo
- Tem muita gente simpática e boa no meu mundo.
- Você pode ser simpático, sem ser extravagante.
- Você pode tratar as pessoas de forma educada e cordial sem nenhum interesse por trás.
- Você pode ter suas crenças e valores sem interferir nas dos outros.
- Quando se respeita, se é respeitado.
- Existem muitas formas de você fazer a diferença em um ambiente.
- O que para mim é besteira, para o outro é um "negoção".
- Coisas simples podem facilitar a vida.
- Eu tenho muitas qualidades, uma delas é fazer você sorrir. Sorria.
- O sistema pode ser muito injusto. Mas, as pessoas podem consertar essas injustiças.
- Existem as pessoas que ficam em casa esperando a banda passar. Existem os que compõem a banda. Existem os compositores. Qual deles você é?
- Nunca julgar alguém por se encaixar na categoria "estrangeiro", "desempregado", "pobre". Você não sabe em que mundo ele vive. Cada pessoa é um.
E bora lá para mais um dia fora da minha bolha.
- Você pode ser simpático, sem ser extravagante.
- Você pode tratar as pessoas de forma educada e cordial sem nenhum interesse por trás.
- Você pode ter suas crenças e valores sem interferir nas dos outros.
- Quando se respeita, se é respeitado.
- Existem muitas formas de você fazer a diferença em um ambiente.
- O que para mim é besteira, para o outro é um "negoção".
- Coisas simples podem facilitar a vida.
- Eu tenho muitas qualidades, uma delas é fazer você sorrir. Sorria.
- O sistema pode ser muito injusto. Mas, as pessoas podem consertar essas injustiças.
- Existem as pessoas que ficam em casa esperando a banda passar. Existem os que compõem a banda. Existem os compositores. Qual deles você é?
- Nunca julgar alguém por se encaixar na categoria "estrangeiro", "desempregado", "pobre". Você não sabe em que mundo ele vive. Cada pessoa é um.
E bora lá para mais um dia fora da minha bolha.
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| Bichinhos de Jardim |
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Dois pesos, duas medidas
Essa aqui, só quem vai entender é quem é ou já foi expatriada(o).
Antes de conhecer a vice-presidente da Ong, perguntei ao outro colega voluntário, turco, se ele já a conhecia. Ele disse que sim. Perguntei se ela também era turca.
Aí vem a resposta mais interessante que eu já ouvi de alguém que mora na Alemanha há 40 anos e é alvo de críticas e preconceito (por conta de sua nacionalidade) já que não é alemão alemão (mas com filhos que já nasceram recebendo o passaporte alemão):
- Ela é turca. Mas, não é turca turca, sabe?
- Oi?
- É. Por exemplo, eu sou turco puro. Ela é misturada. Na árvore genealógica (Stammbaum) dela tem turco, curdo, e outros grupos que moram na Turquia.
- E isso é ruim? (Eu perguntei pra provocar, claro)
- Claro.
- Oi?
- É porque eles têm culturas muito diferentes.
- Mas, um país com muitas culturas é um país muito rico, igual ao Brasil.
- Ah, mas o problema é que esses grupos (étnicos) querem manter sua cultura e se isolam.
- Ahhhh, tá!
Tipo, oi? Não preciso explicar, né?
Antes de conhecer a vice-presidente da Ong, perguntei ao outro colega voluntário, turco, se ele já a conhecia. Ele disse que sim. Perguntei se ela também era turca.
Aí vem a resposta mais interessante que eu já ouvi de alguém que mora na Alemanha há 40 anos e é alvo de críticas e preconceito (por conta de sua nacionalidade) já que não é alemão alemão (mas com filhos que já nasceram recebendo o passaporte alemão):
- Ela é turca. Mas, não é turca turca, sabe?
- Oi?
- É. Por exemplo, eu sou turco puro. Ela é misturada. Na árvore genealógica (Stammbaum) dela tem turco, curdo, e outros grupos que moram na Turquia.
- E isso é ruim? (Eu perguntei pra provocar, claro)
- Claro.
- Oi?
- É porque eles têm culturas muito diferentes.
- Mas, um país com muitas culturas é um país muito rico, igual ao Brasil.
- Ah, mas o problema é que esses grupos (étnicos) querem manter sua cultura e se isolam.
- Ahhhh, tá!
Tipo, oi? Não preciso explicar, né?
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Bora mudar o tom desse blog? Bora!
E aí que eu conheci a vice-presidente da ONG que estava de férias na Turquia. Ela é turca mesmo.
Eu tenho uma teoria: toda mulher baixinha é retada/arretada! Elas têm muita energia e sabem se impor, ocupar o seu lugar. Com essa não seria diferente. Uma baixinha e tanto.
Ela estava sentada à mesa e ficou olhando pra mim. Eu comecei a me sentir inibida e não sabia o que dizer. Daqui a pouco ela solta:
- Bora, me fale de você. (Los! Erzahlt mir über dich!)
Pode não parecer, mas eu sou muito travada pra falar de mim. Mas, comecei assim mesmo, com aquele início de conversa que todo mundo sabe: "sou brasileira, moro aqui desde janeiro, meu marido é alemão, blá, blá, blá."
Ela não ficou satisfeita e me encheu de perguntas: filhos? marido faz o que? porque escolheu essa ONG? e tantas outras.
É claro que ela estava no direito de me fazer perguntas. Afinal, ela não me conhecia. Daí que o papo acabou. O meu, pelo menos. Já não tinha mais o que contar. O que ela faz? Começa a falar da vida dela.
Falou de quando chegou aqui com a mãe, que casou, teve dois filhos, já separou e agora está com um namorado. E começou a falar desse namorado. E tome conversa... Tudo isso enquanto ela estava fazendo tricô.
Ela ainda cozinhou pro pessoal, só não pude comer, porque estava esperando marido pra sair pra jantar. Prometo que na próxima eu não faço a desfeita.
Uma mãe, deu pra perceber, né?
P.S.: Alguém pode me dar notícias da Kaline?? Ela sumiu, ou é só impressão minha?
Eu tenho uma teoria: toda mulher baixinha é retada/arretada! Elas têm muita energia e sabem se impor, ocupar o seu lugar. Com essa não seria diferente. Uma baixinha e tanto.
Ela estava sentada à mesa e ficou olhando pra mim. Eu comecei a me sentir inibida e não sabia o que dizer. Daqui a pouco ela solta:
- Bora, me fale de você. (Los! Erzahlt mir über dich!)
Pode não parecer, mas eu sou muito travada pra falar de mim. Mas, comecei assim mesmo, com aquele início de conversa que todo mundo sabe: "sou brasileira, moro aqui desde janeiro, meu marido é alemão, blá, blá, blá."
Ela não ficou satisfeita e me encheu de perguntas: filhos? marido faz o que? porque escolheu essa ONG? e tantas outras.
É claro que ela estava no direito de me fazer perguntas. Afinal, ela não me conhecia. Daí que o papo acabou. O meu, pelo menos. Já não tinha mais o que contar. O que ela faz? Começa a falar da vida dela.
Falou de quando chegou aqui com a mãe, que casou, teve dois filhos, já separou e agora está com um namorado. E começou a falar desse namorado. E tome conversa... Tudo isso enquanto ela estava fazendo tricô.
Ela ainda cozinhou pro pessoal, só não pude comer, porque estava esperando marido pra sair pra jantar. Prometo que na próxima eu não faço a desfeita.
Uma mãe, deu pra perceber, né?
P.S.: Alguém pode me dar notícias da Kaline?? Ela sumiu, ou é só impressão minha?
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Da natureza alemã - Parte 02
Abre parêntesis. Eu ainda fico admirada com certos comportamentos dos alemães. Não sei se é por conta de todo mito em volta deles, o "pré-conceito" que temos, aquela imagem fechada que poucos se abrem para enxergar diferente. Cada vez mais, eles me surpreendem. Ou sou eu que me deixo surpreender. Claro, muitas vezes a surpresa é negativa, outras, positiva. Fecha parêntesis.
Participei de um evento junto com a ONG. O evento era destinado a pessoas com problemas com álcool e drogas. Foi realizada numa praça conhecida pela frequência dessas pessoas (assim como as grandes estações de metrô). Muitos são desempregados, jovens que aprenderam a beber por influência dos pais já alcólatras (eu vi isso lá) e outros fatores.
A nossa tarefa era abordar algumas pessoas que se encaixavam no perfil da ONG, falar um pouco dela e entregar o flyer. Eu não falei, eu só entreguei o flyer. Quem conversou foi o colega turco, que abordava as pessoas assim:
"Oi, somos da ONG X que ajuda pessoas com vícios e problemas emocionais e estamos entregando esse flyer para vocês entenderem um pouco do nosso trabalho. EU JÁ FUI ALCÓLATRA e sei como é importante ter esse tipo de apoio."
Não abordamos muitas pessoas, umas 12, no máximo. Dentre eles, três jovens. Um estava, às 12h da tarde, trêbado, mais que bêbado. Não conseguia nem ficar em pé.
É público e notório que pessoas bêbadas perdem o controle de si, tornam-se violentas às vezes, ainda mais quando você oferece ajuda, chamando o cara de alcólatra. Nem todos aceitam bem esse "papo". Muitas vezes, a bebida mostra a verdadeira essência da pessoa. E foi essa essência, nesse jovem alemão, que não deveria ter mais de 20 anos, que me chamou a atenção.
Ele ouviu o que o colega falou, pediu o flyer da minha mão e disse com uma voz tranquila:
- Ich danke euch. Das war super nett und wichtig. Ein schöner Tag und viel Erfolg. (Eu agradeço a vocês. Isso foi muito gentil e importante. Um bom dia e muito sucesso.)
Ele não foi o único a ser abordado que nos tratou com gentileza. Foi só o que me chamou mais atenção por ser tão jovem.
P.S.: ONG aqui se chama Verein (associação/clube).
Participei de um evento junto com a ONG. O evento era destinado a pessoas com problemas com álcool e drogas. Foi realizada numa praça conhecida pela frequência dessas pessoas (assim como as grandes estações de metrô). Muitos são desempregados, jovens que aprenderam a beber por influência dos pais já alcólatras (eu vi isso lá) e outros fatores.
A nossa tarefa era abordar algumas pessoas que se encaixavam no perfil da ONG, falar um pouco dela e entregar o flyer. Eu não falei, eu só entreguei o flyer. Quem conversou foi o colega turco, que abordava as pessoas assim:
"Oi, somos da ONG X que ajuda pessoas com vícios e problemas emocionais e estamos entregando esse flyer para vocês entenderem um pouco do nosso trabalho. EU JÁ FUI ALCÓLATRA e sei como é importante ter esse tipo de apoio."
Não abordamos muitas pessoas, umas 12, no máximo. Dentre eles, três jovens. Um estava, às 12h da tarde, trêbado, mais que bêbado. Não conseguia nem ficar em pé.
É público e notório que pessoas bêbadas perdem o controle de si, tornam-se violentas às vezes, ainda mais quando você oferece ajuda, chamando o cara de alcólatra. Nem todos aceitam bem esse "papo". Muitas vezes, a bebida mostra a verdadeira essência da pessoa. E foi essa essência, nesse jovem alemão, que não deveria ter mais de 20 anos, que me chamou a atenção.
Ele ouviu o que o colega falou, pediu o flyer da minha mão e disse com uma voz tranquila:
- Ich danke euch. Das war super nett und wichtig. Ein schöner Tag und viel Erfolg. (Eu agradeço a vocês. Isso foi muito gentil e importante. Um bom dia e muito sucesso.)
Ele não foi o único a ser abordado que nos tratou com gentileza. Foi só o que me chamou mais atenção por ser tão jovem.
P.S.: ONG aqui se chama Verein (associação/clube).
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Pois não?
O presidente da ONG e eu:
- Você pode rawhfajs bfaoqurqj3brfm vakjqrgva asdakgafnbamf adjarha?
- Como?
- AJshadfna aslirqkrnamsa daslkjrabs dasalkdakhfbva?
- Ahhhh!
Mentira. Continuo sem entender. Mas, como ele faz mímica e me entrega um papel, deduzo o que ele quer.
O problema - meu, claro - é que ele fala "berlinense" (aqui tem dialeto também, sabiam?) e não tão claro quanto poderia, aí embola o meio de campo e de 10 frases que ele diz, entendo 02 palavras. Além disso, ele fala pelos cotoveltos. =P
Uma hora eu terei que entender. Ou não, vai saber, né?
- Você pode rawhfajs bfaoqurqj3brfm vakjqrgva asdakgafnbamf adjarha?
- Como?
- AJshadfna aslirqkrnamsa daslkjrabs dasalkdakhfbva?
- Ahhhh!
Mentira. Continuo sem entender. Mas, como ele faz mímica e me entrega um papel, deduzo o que ele quer.
O problema - meu, claro - é que ele fala "berlinense" (aqui tem dialeto também, sabiam?) e não tão claro quanto poderia, aí embola o meio de campo e de 10 frases que ele diz, entendo 02 palavras. Além disso, ele fala pelos cotoveltos. =P
Uma hora eu terei que entender. Ou não, vai saber, né?
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Enquanto isso, na ONG...
Abrem-se as cortinas.
Ato 1
Chego na ONG e encontro uma Sra. na porta fumando. Digo boa tarde e entro. Cumprimento o pessoal e sento-me para conversar com um cara da Blaues Kreuz que estava lá curioso em saber quem era a voluntária brasileira (detalhes...).
Ato 2
A mulher entra, senta-se junto conosco e me oferece um iogurte. Eu já tinha recebido um café do meu colega turco. Eu agradeço e deixo o iogurte em cima da mesa. Eu não queria, mas acho que ela nao entendeu. O colega turco avisa a ela que eu não vou tomar. Ela pega o iogurte de volta e faz uma cara feia. Do nada, começa a sorrir. Comecei a perceber que tinha algo estranho com ela, não era "normal".
Ato 3
Continuamos conversando e ela lendo alguns panfletos, rindo sozinha, fazendo de conta que estava fazendo parte da conversa e eu só observando.
Ela pede água e meu colega vai buscar. Ela pede outro cigarro e meu colega dá. O outro que tem cara da Hells Angel chega e faz uma cara de susto, olha pra mim e gesticula como se quisesse saber quem é. Eu gesticulo, respondendo que não sei.
Ato 4
O tempo passa e ela vai embora.
O colega turco chega para o outro e pergunta:
- Klaus, essa mulher frequenta a ONG há muito tempo?
- Ela? Eu nunca vi na vida.
Encerra-se o Ato.
Fecham-se as cortinas.
Ato 1
Chego na ONG e encontro uma Sra. na porta fumando. Digo boa tarde e entro. Cumprimento o pessoal e sento-me para conversar com um cara da Blaues Kreuz que estava lá curioso em saber quem era a voluntária brasileira (detalhes...).
Ato 2
A mulher entra, senta-se junto conosco e me oferece um iogurte. Eu já tinha recebido um café do meu colega turco. Eu agradeço e deixo o iogurte em cima da mesa. Eu não queria, mas acho que ela nao entendeu. O colega turco avisa a ela que eu não vou tomar. Ela pega o iogurte de volta e faz uma cara feia. Do nada, começa a sorrir. Comecei a perceber que tinha algo estranho com ela, não era "normal".
Ato 3
Continuamos conversando e ela lendo alguns panfletos, rindo sozinha, fazendo de conta que estava fazendo parte da conversa e eu só observando.
Ela pede água e meu colega vai buscar. Ela pede outro cigarro e meu colega dá. O outro que tem cara da Hells Angel chega e faz uma cara de susto, olha pra mim e gesticula como se quisesse saber quem é. Eu gesticulo, respondendo que não sei.
Ato 4
O tempo passa e ela vai embora.
O colega turco chega para o outro e pergunta:
- Klaus, essa mulher frequenta a ONG há muito tempo?
- Ela? Eu nunca vi na vida.
Encerra-se o Ato.
Fecham-se as cortinas.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O primeiro dia na ONG
Que não é hoje. Foi ontem. =P
Cheguei às 11h, como eles pediram, para que eu conhecesse o outro voluntário que também começou ontem. Um turco, aparentemente aposentado, que diz que é melhor fazer trabalho voluntário do que ficar em casa tamborilando os dedos. Eu que diga. Ele lembra muito meu avô, não sei porquê. Devem ser os olhos. Simpático e atencioso como os outros, já perguntou logo se poderíamos nos tratar como "du" (você).
Conversamos um pouco e já recebi uma atividade pra fazer: digitar a ata de uma reunião (quem liga pra minha mão, minha gente?). Olha, déjà vu total esse, viu? No meio da digitação, me dei conta de que voltei minha vida profissional ao momento zero, 10 anos atrás. Meu primeiro estágio no Brasil foi numa cooperativa e o trabalho consistia, basicamente, em registrar e digitar atas (depois, as responsabilidades aumentaram até eu ser contratada). E agora, estou eu na Alemanha fazendo a mesma coisa, hein? Será que eu aprendo alguma coisa com essa atividade boba? Com certeza.
- Eu não estava acostumada a digitar em teclado alemão (sim, é diferente. O z é no lugar do y e existem as teclas ä, ö e ü, e mais uns detalhes) Eu levei mais tempo do que o normal por conta disso.
- O sistema é todo em alemão. Também não estava acostumada. Bora lá aprender a mexer no Office em alemão? Onde é que fica as ferramentas? E a edição? É o office novo, eu tinha o 2003 no micro e agora estou com o openoffice. Imagina aí? Estou tão perdida como cego em tiroteio.
- Mais vocabulário e ortografia para assimilar.
- Vou ganhar segurança, pois estou fazendo um trabalho (qualquer que fosse) sem pressão, já que é voluntário.
- E o principal: eu vou desbloquear meu alemão!
Já pensou passar aperto num emprego por causa disso? Depois desse voluntariado, pularei essa fase.
A cereja do bolo fica por conta de ter encontrado o cara que vai me passar algumas atividades do Büro (escritório) com os dois olhos roxos. "Puta que pariu!" (palavrão necessário para vocês compreenderem o meu susto.), eu pensei, "será que esse cara se mete em confusão? Bem que ele tem cara de Hells Angel...". Como eu não tenho intimidade, nem perguntei o que aconteceu. Foi só no final do dia que descobri que o coitado foi assaltado na semana passada. Tadinho, levou porrada porque reagiu. Brasil? Oi? E eu vou pro inferno porque pensei maldade. É que a rua aonde fica a ONG é uma das mais famosas de Berlin, só que pelos motivos errados. Por lá, já rolou muita droga, tráfico, clãs árabes, gangues russas e outras coisas mais. Agora, depois de anos, e com muita intervenção, é que a situação está melhorando.
E eu lá, no meio. Eles me contaram um monte de coisas que já aconteceu lá e eu com cara de paisagem, como se o que eles tivessem me contando fosse novidade pra mim... Deixo que eles se iludam? Deixo. Sou malvada.
No mais, aguardem novos relatos.
Cheguei às 11h, como eles pediram, para que eu conhecesse o outro voluntário que também começou ontem. Um turco, aparentemente aposentado, que diz que é melhor fazer trabalho voluntário do que ficar em casa tamborilando os dedos. Eu que diga. Ele lembra muito meu avô, não sei porquê. Devem ser os olhos. Simpático e atencioso como os outros, já perguntou logo se poderíamos nos tratar como "du" (você).
Conversamos um pouco e já recebi uma atividade pra fazer: digitar a ata de uma reunião (quem liga pra minha mão, minha gente?). Olha, déjà vu total esse, viu? No meio da digitação, me dei conta de que voltei minha vida profissional ao momento zero, 10 anos atrás. Meu primeiro estágio no Brasil foi numa cooperativa e o trabalho consistia, basicamente, em registrar e digitar atas (depois, as responsabilidades aumentaram até eu ser contratada). E agora, estou eu na Alemanha fazendo a mesma coisa, hein? Será que eu aprendo alguma coisa com essa atividade boba? Com certeza.
- Eu não estava acostumada a digitar em teclado alemão (sim, é diferente. O z é no lugar do y e existem as teclas ä, ö e ü, e mais uns detalhes) Eu levei mais tempo do que o normal por conta disso.
- O sistema é todo em alemão. Também não estava acostumada. Bora lá aprender a mexer no Office em alemão? Onde é que fica as ferramentas? E a edição? É o office novo, eu tinha o 2003 no micro e agora estou com o openoffice. Imagina aí? Estou tão perdida como cego em tiroteio.
- Mais vocabulário e ortografia para assimilar.
- Vou ganhar segurança, pois estou fazendo um trabalho (qualquer que fosse) sem pressão, já que é voluntário.
- E o principal: eu vou desbloquear meu alemão!
Já pensou passar aperto num emprego por causa disso? Depois desse voluntariado, pularei essa fase.
A cereja do bolo fica por conta de ter encontrado o cara que vai me passar algumas atividades do Büro (escritório) com os dois olhos roxos. "Puta que pariu!" (palavrão necessário para vocês compreenderem o meu susto.), eu pensei, "será que esse cara se mete em confusão? Bem que ele tem cara de Hells Angel...". Como eu não tenho intimidade, nem perguntei o que aconteceu. Foi só no final do dia que descobri que o coitado foi assaltado na semana passada. Tadinho, levou porrada porque reagiu. Brasil? Oi? E eu vou pro inferno porque pensei maldade. É que a rua aonde fica a ONG é uma das mais famosas de Berlin, só que pelos motivos errados. Por lá, já rolou muita droga, tráfico, clãs árabes, gangues russas e outras coisas mais. Agora, depois de anos, e com muita intervenção, é que a situação está melhorando.
E eu lá, no meio. Eles me contaram um monte de coisas que já aconteceu lá e eu com cara de paisagem, como se o que eles tivessem me contando fosse novidade pra mim... Deixo que eles se iludam? Deixo. Sou malvada.
No mais, aguardem novos relatos.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Cai um mito
Como alguns sabem, hoje foi a segunda tentativa de fazer a entrevista na ONG para eu conseguir um trabalho voluntário. Na verdade, nem foi bem uma entrevista, foi um bate-papo.
Eu cheguei um pouco mais cedo que o esperado, 14h20, e encontrei a ONG fechada. Como eu estava adiantada, fui caminhando até uma pracinha, para dar o tempo certo, voltar e encontrar a ONG aberta. 14h30 estava lá, o horário certo.
14h31 também,
14h33...
14h37...
14h40...
Até que a pessoa que ia conversar comigo chegou. Entramos e ele foi ligar computador, telefonar para uma pessoa, olhar correspondências... depois de 10 minutos começamos a conversar. Depois chegou outro senhor que tinha conversado comigo ontem e um ficou colocando a culpa no outro pelo atraso: "eu pensei que você já estava aqui, por isso atrasei..."
Quem disse que eles são pontuais? Mito! rsrs
Alemão com um jeito de falar estranho, voz grave, e eu com cara de oi? tentando entender o máximo do que ele dizia, inclusive as perguntas. Falamos um pouco de mim, do bairro, do trabalho... Simpático e interessado. Só errou quando disse que no Brasil se bebe rum. Mas, foi melhor do que ter pedido para eu sambar. O.o
Ainda me perguntou se eu teria problema em trabalhar com dois homens. Eu não entendi o sentido da pergunta, depois foi que a ficha caiu. Moramos num bairro de maioria turca/árabe/mulçumana. Respondi que não. Além de ser um centro de apoio a pessoas com problemas psicológicos e com vícios, estar localizado num bairro de foco social, de maioria estrangeira. O que para mim é bom, pois também preciso aprender a lidar com esses estrangeiros. Esses, que os jornais falam, mas não citam. (Quem está por dentro, entendeu.)
O trabalho, basicamente, se resume a digitação e organização de uns arquivos. Não serão necessários mais do que dois ou três dias por semana. Eles me deixaram livre para escolher o horário de trabalho. E estão cientes que o principal objetivo, além de ter uma ocupação, é treinar o alemão.
Exatamente. Começo na segunda, às 11h.
De novo, voltei leve e saltitante pra casa.
P.S. E nada de puxarem a minha orelha porque eu não tinha que estar aqui digitando. Eu quero compartilhar, ora bolinhas!!
Eu cheguei um pouco mais cedo que o esperado, 14h20, e encontrei a ONG fechada. Como eu estava adiantada, fui caminhando até uma pracinha, para dar o tempo certo, voltar e encontrar a ONG aberta. 14h30 estava lá, o horário certo.
14h31 também,
14h33...
14h37...
14h40...
Até que a pessoa que ia conversar comigo chegou. Entramos e ele foi ligar computador, telefonar para uma pessoa, olhar correspondências... depois de 10 minutos começamos a conversar. Depois chegou outro senhor que tinha conversado comigo ontem e um ficou colocando a culpa no outro pelo atraso: "eu pensei que você já estava aqui, por isso atrasei..."
Quem disse que eles são pontuais? Mito! rsrs
Alemão com um jeito de falar estranho, voz grave, e eu com cara de oi? tentando entender o máximo do que ele dizia, inclusive as perguntas. Falamos um pouco de mim, do bairro, do trabalho... Simpático e interessado. Só errou quando disse que no Brasil se bebe rum. Mas, foi melhor do que ter pedido para eu sambar. O.o
Ainda me perguntou se eu teria problema em trabalhar com dois homens. Eu não entendi o sentido da pergunta, depois foi que a ficha caiu. Moramos num bairro de maioria turca/árabe/mulçumana. Respondi que não. Além de ser um centro de apoio a pessoas com problemas psicológicos e com vícios, estar localizado num bairro de foco social, de maioria estrangeira. O que para mim é bom, pois também preciso aprender a lidar com esses estrangeiros. Esses, que os jornais falam, mas não citam. (Quem está por dentro, entendeu.)
O trabalho, basicamente, se resume a digitação e organização de uns arquivos. Não serão necessários mais do que dois ou três dias por semana. Eles me deixaram livre para escolher o horário de trabalho. E estão cientes que o principal objetivo, além de ter uma ocupação, é treinar o alemão.
Exatamente. Começo na segunda, às 11h.
De novo, voltei leve e saltitante pra casa.
P.S. E nada de puxarem a minha orelha porque eu não tinha que estar aqui digitando. Eu quero compartilhar, ora bolinhas!!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Um pouco mais livre hoje
Eu só queria dizer e registrar que acabei de chegar da agência de trabalho voluntário aqui do bairro. Não, eu ainda não arrumei o trabalho, mas já tenho três oportunidades aqui comigo e amanhã entrarei em contato com eles por email.
O negócio é que eu acho que o "click" para desbloquear o alemão está um pouco mais perto por causa de hoje. Eu fui num lugar estranho, com pessoas estranhas e, simplesmente, comecei a falar o que eu queria, o que eu esparava de um trabalho voluntário, fiz perguntas, etc. Saí da conversa de elevador que eu citei outro dia aqui.
Só isso.
Mas, não quero esquecer como me senti bem e satisfeita comigo mesma. E não contem pra ninguém: eu voltei o caminho todo cantando e saltitando. A louca!
O negócio é que eu acho que o "click" para desbloquear o alemão está um pouco mais perto por causa de hoje. Eu fui num lugar estranho, com pessoas estranhas e, simplesmente, comecei a falar o que eu queria, o que eu esparava de um trabalho voluntário, fiz perguntas, etc. Saí da conversa de elevador que eu citei outro dia aqui.
Só isso.
Mas, não quero esquecer como me senti bem e satisfeita comigo mesma. E não contem pra ninguém: eu voltei o caminho todo cantando e saltitando. A louca!
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