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domingo, 23 de março de 2014

Too much German

Ou "das coisas que eu ainda não aprendi a gostar na Alemanha". Para mim, entram na categoria "alemão demais".

Eu estou aqui e continuo não gostando dos aspargos, mas meu paladar já mudou muito em relação a eles. Já tem outras coisas que, meu povo, não dá, mesmo que tenha tentado.  

Abre parêntesis: O que citarei não são coisas exclusivas da Alemanha, mas muito consumidas por aqui. E que vocês, leitores, podem consumir também. ;). Fecha parêntesis.

Vejamos:
Marzipan kartoffeln | Hochgeladen von: vickyyyy
O nome no pacote já diz: Batatas de Marzipan. São doces apenas. De Marzipan (uma pasta de amêndoas). Não gosto, não como, me enjoa. Muito alemão pra mim.

sauerkraut
Sauerkraut, ou o famoso chucrute. Eu até como. Mas só duas garfadas para não fazer desfeita para o marido ou para quem cozinhou. Muito ácido pra mim.
Ficheiro:Eisbein-2.jpg
Eisbein, o famoso joelho de porco, e nessa foto ainda com chucrute. Gente, não desce de jeito nenhum. Prefiro uma salada. Muita gordura pra mim.
Lakritz
Lakritz. Tipo, sério? Esse negócio tem gosto de xarope, é feito da seiva de uma raiz, se não estou enganada. Muito, mas muito alemão mesmo.

E agora, vou perder amizades em 3, 2, 1... (Nat, Vivian e Joyce que me perdoem!)

nutella
A bendita Nutella. Eu como, mas não morro de amores. Até evito, se puder. A verdade é que não sou muito fã de amêndoas e AVELÃ! (Editado para não apanhar mais. hahahahah). Olha lá minha birra com o marzipan. É igual a amendoim, como cozido, como assado, mas não como a paçoca. Vai entender, né?

Agora vocês podem me chamar de fresca! :)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Mudando a perspectiva cultural

Vocês já repararam que nós, brasileiros, usamos expressões no nosso dia a dia que contêm "mensagens subliminares"?

Por exemplo:
Marquei com uma amiga para nos encontrarmos às 11h. Já era 11h20, ligo pra ela e ela diz: "Tô chegando!". Esse "tô chegando" custou mais 20 minutos.

Ou, encontro um conhecido na rua e ele fala: "passa lá em casa qualquer dia desses". Ele não espera realmente que eu faça isso.

E o famoso "Deixa comigo que eu resolvo"? Aí no final da semana de trabalho, o relatório está lá inacabado, porque a pessoa não conseguiu terminar, e não pensou em avisar.

Ou, tudo que termina com "inho".
- A pizza fica pronta quando?
- Ah, só mais cinco minutinhos.

- Quando o ônibus vai passar?
- Daqui a pouquinho.

E lá se foi uma eternidade...

Agora, imagina como deve ser para um estrangeiro que acabou de chegar no Brasil e tem que aprender esses "códigos"? Também não é fácil.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Uma visita diferente

Recebi visita de amigos do Brasil. Estavam em Paris e vieram passar quatro dias em Berlin. Não sei se foi por minha causa, ou por conta da cidade mesmo, mas eles saíram daqui apaixonados e querem voltar para ficar mais tempo.

Foi uma visita muito boa, pessoas simples que apreciam pequenas coisas e que me fizeram ver Berlin de um jeito que, ou eu já tinha esquecido ou nunca tinha percebido. Foi um exercício muito legal para mim.

Exemplo: o casal ficar besta e meio perdido na área de papelaria de uma loja de departamentos (não vou fazer propaganda) e não conseguir decidir qual canetas comprar. Casal ficar UM HORA nesse setor escolhendo TRÊS canetas. E eu achar a coisa mais fofa do mundo uma pessoa conseguir ficar deslumbrada com marcas alemãs de canetas que eu nem sabia que existiam. E o deslumbramento não tem nada a ver com o fato de serem "matutos". Era alegria mesmo. Pareciam crianças. Olhos brilhando e sorriso no rosto.

Eu me senti leve ao lado deles. Como dá pra ser feliz com pouca coisa, né?

P.S. Esse foi um dos motivos do meu sumiço essa semana. O outro motivo conto num próximo post.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

FAQ. 27 - Alemães são mesmo pontuais?

Olha, não sei os alemães, mas os berlinenses...

Alguém me disse uma vez que, na Inglaterra, a pontualidade é germânica. Enquanto para nós, brasileiros, é britânica. Então, dá para imaginar que a alemã é ainda mais precisa, certo? Errado.

Constumo dizer que minha sina aqui em Berlin é conseguir ser ainda mais pontual que os berlinenses. Marcou comigo? Se eu não me perder no meio do caminho (acontece...), chego no horário marcado. Eu já perdi a conta de quantas vezes fiquei esperando. Mas, né? Não é aquela espera de "oh meu Deus! meia hora!". É coisa de 10 ou 15 minutos.

Claro que em caso de compromissos profissionais, reuniões marcadas para começarem às 10h45, irão começar às 10h45. Também ninguém é louco de chegar atrasado numa entrevista de emprego, né? Acho eu.

Já no dia a dia... hehehehe

Uma vez, conversando com marido sobre isso, cheguei à conclusão que aqueles 10 ou 15 minutos de atraso significam uma demonstração de rebeldia. Sério.

É que o sistema é tão correto, tão exato (há controvérsias), que atravessar a rua com o sinal vermelho ou chegar atrasado vira "anarquia".

Agora imaginem vocês se minha teoria está correta e a rebeldia berlinense se resume a coisas desse tipo? Uma geração perdida, coitados!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Fim de ano no Brandenburger Tor

Foi a primeira vez em quase 4 anos de Berlin que fomos passar a virada do ano no Brandenburger Tor. Segundo os organizadores, a maior festa da virada na Europa. 2 milhões de pessoas eram aguardadas. Ok...
Fonte: visitberlin.de
Chegamos às 20h. A avenida toda enfeitada e iluminada, cheia de barracas, mas parecia uma quermesse. Antes do palco principal, passamos por mais dois palcos menores. O som de qualidade, a música duvidosa. Muito "Schlager", a música brega alemã. Sim, senhoras e senhores, aqui também tem isso.

Nunca vi tanto brasileiro numa festa "não-brasileira" junto. Pra todo canto que eu olhava, eu via ou escutava meus conterrâneos. Se você, leitor ou leitora, esteve por lá, sinta-se abraçado!

Não estava tão frio. Sério. Só depois de duas horas em pé e sem se mexer muito é que você começa a congelar. Hehehehe

Antes de congelarmos, decidimos ir pra casa de uma amiga que nos acompanhava. Para nós, estava sem graça, apesar de estar muito bonito e iluminado.

E o sacrifício que foi para achar uma saída às 22h30? Eles cercam a região do Tiergarten (o parque), claro, para o povo não se espalhar, nem estragar o parque e eles poderem controlar mais a multidão. Mas, se você quer ir embora mais cedo, tem que nadar contra a correnteza. Flórida.

Chegamos no apartamento da amiga faltando UM minuto para a meia-noite. Sorte que ela mora numa cobertura (ou algo assim). Subimos para o "telhado" e acompanhamos quase meia hora de fogos em todos os lados e direções possíveis de Berlin. Foi tanto que, em determinado momento, já não conseguíamos mais enxergar alguns prédios por conta da fumaça no ar. As ruas de Berlin ficam cheias de pessoas e fogos e bombas e policiais e... gente! Parece uma guerra civil!

Os últimos segundos de 2013 e os primeiros minutos de 2014 foram olhando pro céu, contemplando os fogos de artifício e desejando profundamente que meus sonhos sejam realizados.

Que assim seja!
Fonte: www.berliner-zeitung.de

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Alemanha, a terra das possibilidades?

Eu tenho recebido alguns email ultimamente sobre o sonho de muitos de virem para Alemanha, recomeçar a vida.

Eu tenho vários exemplos de gente que veio pra cá, inclusive com uma pitadinha de incentivo meu, que se deram bem, gostam do país e estão refazendo seus caminhos. Claro que não sem as dificuldades que todos enfrentamos numa mudança dessas.

Alemanha é um país bonito, com uma política social bacana (mas não sem furos) e com um mercado de trabalho atraente para quem é da área de tecnologia e engenharia. Só que, sinceramente, peca em empreendorismo. Não há um mercado interessante para se abrir pequenas empresas, a não ser o boom de Start ups que acontece aqui em Berlin, por exemplo. São empresas de tecnologia que surgem com uma ideia maravilhosa, conseguem "patrocinadores", mas que, se não decolam em 5 anos, a tendência é fechar mesmo.

Tem trabalho em outras áreas? Tem. Só que é difícil de encontrar. Há os empecilhos. Se você não tem visto de trabalho, você vai ficar sempre na linha do "ilegal". Eu nem preciso falar que os salários, nesses casos, são ó
A diferença é que dá pra viver com pouco por aqui. Claro, se seu nível de expectativas não for tão alto e se não achar que quem vive na Europa é, automaticamente, rico. Não é bem assim. É que a percepção de qualidade de vida aqui é outra. Por exemplo: eu não abro mais mão da liberdade de andar sozinha, às 22h, em Berlin, sem a sensação de estar sendo seguida, ou mesmo correndo risco de vida. Uma vez sentido isso, não se quer perder mais. Em compensação: esqueça empregada doméstica, babá, pedreiro-faz-tudo. A não ser que a renda de casa sobre. Aí dá. Quando se muda de país, há sempre uma perda, mas os ganhos (qualidade de vida, segurança, infra-estrutura, sistema de saúde), no meu caso, compensam.

Eu reclamei do inverno no último post. Mas, em alguns dias, já estarei adaptada às temperaturas novamente. Tem gente que não aguenta de jeito nenhum. Aí, o inverno passa a ser um ponto negativo. Uma questão de perspectiva.

Vir pra cá pra tentar a sorte assim, sem planos, não é legal. A não ser que você fale alemão, tenha um visto (ou perspectiva de) e dinheiro guardado para arriscar. Mas, olha aí, isso já é um plano. Porque, diferente de outros países na Europa, a língua é importante aqui. Tem gente que trabalha falando inglês? Tem. Mas, são casos raros. E a maioria na área de tecnologia. Porque oi? Códigos de programação (Java, C#, Delphi) são universais.

Encontrou o homem/a mulher dos seus sonhos e quer vir pra cá? Venha! Case! Seja feliz com seu amor. Agora saiba que há muito o que se fazer para ser feliz fora do casamento. Aprender alemão, procurar e arrumar um trabalho, se adaptar à nova cultura etc. Eu acredito em histórias de amor e dou o maior apoio. Não há nada mais forte que o amor para se vencer barreiras. Eu sei. Sinto na pele há 10 anos. :)

A diferença está na cabeça, nas expectativas, em como você escolhe viver suas escolhas. Eu escolhi ser feliz, aonde quer que eu esteja e tento fazer do lugar aonde estou, o melhor lugar para viver. Não é à toa que eu escrevo um blog para rir. Ninguém disse que seria fácil, mas eu aprendi cedo a rir de mim mesma. Melhor exercício de autoconhecimento.

Querem vir para Alemanha? Venham. Mas, venham de pé no chão, tá?

Caso queiram continuar me escrevendo, fiquem à vontade. O endereço de email não está ali por acaso. Eu irei responder, mesmo que demore. :)

Boa sorte para nós! Sempre!

domingo, 20 de outubro de 2013

Sobre as rosas

Daí você faz aniversário de casamento, né? Se bem que, bom, peraí, não é bem casamento. Nós moramos juntos há mais de dez anos. Só que, desde sempre, chamo marido de marido e, pra mim, sempre foi casamento.

Ocasamento oficial mesmo, só aconteceu em 2010. Outra história.

Não era sobre isso que eu queria falar, como geralmente eu faço com os meus arrodeios... Eu tinha esquecido o que significavam as bodas de 10 anos e fui procurar. Pedi para marido procurar em alemão também. Aí, descubro que na Alemanha, algumas bodas são diferentes das brasileiras.

Vejam só vocês, as bodas de quatro anos no Brasil, chamamos de Bodas de Frutas, Flores ou Cera. Na Alemanha, de Seda. E eles ainda marcam alguns meios anos, como o 12 anos e meio, que é o Bodas de "Salsa" (momento risos). Entre outras que não vou ficar citando aqui pra não ficar grande demais o post e não chegar aonde quero chegar. Opa, pronto, parei!

Claro que se o de dez anos não fosse também diferente, eu não teria motivo para escrever aqui, né? Pois.

No Brasil, eles chamam de Boda de Zinco ou Estanho. Na Alemanha, Bodas de Rosas. Olha que coisa mais fofa???? Fico com a versão alemã.

E o melhor: o marido deve presentear a "marida" com 10 rosas no dia.

Agora eu pergunto ocês: ganhei alguma rosa no nosso dia? Nada, nothing, nichts!

Justo isso? Não, né? Então, cês dão licença que estou indo ali cobrar com juros, tá?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bons amigos, boas ideias!

Então que esse final de semana estive num casamento alemão. O primeiro em que vou. A sobrinha de marido casou oficialmente no início do ano e fez a cerimônia religiosa e a festa agora pra poder reunir todo mundo. Porque, claro, ela não podia só casar, ela tinha que convidar família e amigos para o fim de mundo aonde ela mora. Sete horas de carro daqui de Berlin, óia só e ainda na Alemanha.

À princípio, estávamos meio "assim-assim", achando que ia ser uma coisa brega, porque, segundo as más línguas, casamento alemão é meio chato e marido já conhecia outros de outros carnavais. Como eu nunca tinha ido em um, não poderia dizer nada.

Casamentos alemães são famosos pelas brincadeiras que fazem com os noivos ou que os noivos fazem com os convidados. Não tinham bricandeiras nesse, mas boas ideias.

Como a da árvore de desejos, que eu já conhecia, aonde você escreve desejos para os noivos e pendura numa árvore de verdade. Ou numa muda, no caso deles. Essa árvore deve crescer com eles, dentro de casa ou no jardim. E quando eu escrevo árvore, pense em um arbusto, uma palmeira ou coisa assim. Não pensem numa jaqueira ou numa castanheira, façam-me o favor. :)

Outra boa ideia foi o coração de gelo. Os noivos desejaram dinheiro. Aí, os amigos juntaram um monte de moedas e colocaram pra congelar em forma de um coração. Numa estrutura, penduraram o coração e colocaram velas embaixo, para que, no decorrer da festa, o coração fosse derretendo e as moedas caíssem num balde. Representando uma "constante prosperidade".

Mas, a mais legal na minha opinião foi a ideia dos cartões postais. Os amigos juntaram 52 cartões postais, escreveram o endereço do casal e marcaram em qual semana determinado cartão deveria ser mandado. Caberia aos convidados apenas colocar uma mensagem. Assim, no decorrer de um ano, uma vez por semana, o casal receberá um cartão postal com uma mensagem amiga que o fará lembrar de um dia especial em suas vidas. Espero que todos mandem. Eu, claro, peguei o meu.

A festa foi simples, com comida gostosa, um bom ambiente, para cerca de 100 pessoas. Saí de lá bem leve, com a certeza que quem tem amigos criativos e presentes assim, não precisa de muito mais coisas na vida.

Cheers!

sábado, 7 de setembro de 2013

Pão e sal

É muito provável que eu não tenha contado essa história aqui, porque eu não me lembro e porque eu já procurei nos arquivos e não achei. Então, lá vai:

Quando nos mudamos pra cá, nos idos de janeiro de 2010 e entramos no nosso apartamento, uma das primeiras visitas que recebemos foi a de cunhado. De presente de "boas vindas", ele nos deu pão e sal.

Aí vocês pensam: "What!? Que presente mais doido! O que se faz com pão e sal?" Mas, nãooooo. Explico:

Provavelmente não só na Alemanha, como em outros países europeus (estou chutando pra ver se faço gol), essa tradição existe: quando se visita alguém que acabou de casar ou de se mudar para uma casa nova, costuma-se levar pão e sal. Eu digo "costuma-se", porque meu cunhado foi o único que fez isso conosco e nunca vi em outras ocasiões acontecendo também. Devo ressaltar que cunhado também é um cara conservador? Pois é.

E o que significa ganhar pão e sal? Significa desejar, para as pessoas que recebem, prosperidade e fartura. Legal, né?

Agora, porque será que estou contando essa história mais de três anos depois?

Simples. Porque resolvi ir ali entregar a minha porção de prosperidade e fartura pra essa mocinha aqui e seu marido. Sejam bem vindos na Batatolândia!

Seré que eu alemanizei? :)

sábado, 27 de julho de 2013

Um tropeço

Em Berlin, é comum estar andando pelas ruas mais centrais da cidade e se deparar com as conhecidas "Stolpersteine" (pedras em que se tropeça) que, na verdade, não são pedras, mas placas indicativas que informam que naquele determinado prédio morava alguém que foi, durante a guerra, deportado e morto. Maioria, claro, judeus.

Eu sempre olho com curiosidade para essas "pedras". Não foi diferente quando passei por uma com o meu primeiro nome. Primeira vez que vi o meu nome correto, exatamente da forma como assino. Tirei uma foto com o celular e fui pra casa.

Esqueci a foto. Depois, lembrei que minha prima gosta de história e mandei a foto pra ela, com a mesma introdução que iniciei esse texto. Só aí olhei mais atentamente para a foto: eu havia tirado a foto dos nomes de uma família. Pai, mãe e filha. E percebi que a minha chará foi deportada e morreu no campo de concentração de Auschwitz quando tinha apenas 7 anos.

Meu tropeço do dia foi na história dessa menina. Foi numa história que podia ter sido a minha. A sua. A nossa.


As marcas ainda estão lá para homenagear, para não esquecer.

domingo, 26 de maio de 2013

Gentileza

Marido já veio me visitar duas vezes. Toda vez que ele vem, a gente vai pra um bar que descobrimos na cidadezinha. É o bar local, aonde se encontram os amigos e a cerveja custa 1,20, um prato custa a partir de 4,50. Pois é. Interior.

E eu percebi um hábito maravilhoso dos locais. Eles entram no bar e cumprimentam mesa por mesa, batendo nela, fazendo um "toc toc". Eu nunca vi isso em lugar nenhum. Fiquei muito surpresa. Achei de uma gentileza tão grande.

Não é uma coisa que eles fazem só com os conhecidos, nem com uma mesa só. Eles fazem em todas as mesas por onde eles passam, fizeram na nossa mesa. Jovens, adultos e mais velhos. Entravam no bar e nos cumprimentavam. Saíam, nos cumprimentavam.

E eu lá, com um sorriso mais besta na cara, achando o máximo a forma que eles criaram de dizer: "oi, eu te vi, você existe pra mim." Tá, ok, foi assim que eu interpretei.

Na hora de sair, fizemos o mesmo, batemos na mesa no nosso caminho e o pessoal lá sentado sorriu pra gente de volta.

Um ato simples, uma lição pra mim.

Marido disse que isso não é coisa só da cidade, que é da região. Alguém que já passou por isso pode confirmar? Estou numa cidadezinha entre Weimar e Jena.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Curiosidades sobre a Alemanha - a minha versão

Depois do textos do francês, alguns brasileiros que moram em outros países estão fazendo a mesma lista. Li uma lista de um brasileiro na Alemanha e como acho que posso contribuir com outros pontos, estou fazendo a minha versão.

Ao contrário do que muitos vão pensar, não é uma comparação do tipo certo ou errado, melhor ou pior. É claro que, com base na minha visão brasileira, consigo perceber o que é diferente na cultura alemã. Tomem esse texto como um relato de fatos e observações minhas nesses mais de três anos na Alemanha. E como toda lista, há muita generalização.

  1. Aqui na Alemanha se gosta muito de esporte. Gostam de futebol, basquete, hóquei... Mas, o esporte preferido mesmo é o de reclamar. Reclamam se o tempo está ruim, se está bom, se o trem atrasa 5 minutos, se você faz uma paradinha estratégica no meio da rua...
  2. Aqui na Alemanha se assoa o nariz em qualquer lugar, inclusive, à mesa. E eles não são nada discretos. Não se assuste se estiver tranquilamente sentado num banco de praça e alguém passar por você e fizer sons nada agradáveis num lenço de papel.
  3. Por falar em lenço de papel, aqui na Alemanha, eles sempre têm lenços de papel nos bolsos, nas bolsas... Podem ser usados, do inverno passado, ou novinhos, ainda no pacote.
  4. Aqui na Alemanha, não existe o hábito de se tomar banhos várias vezes ao dia. E muitos nem tomam todo dia. Isso também no verão. Eles dizem que gastam a pele e o hábito é perceptível no ar, nessa estação.
  5. Aqui na Alemanha, existem milhares de quilômetros de ciclovias por todo o país. Os ciclistas andam para todos os lugares e, muitas vezes, em qualquer tempo. Inclusive embaixo de temperaturas negativas.
  6. Aqui na Alemanha, pedestre sempre tem prioridade. Os carros param para você atravessar. A menos que o pedestre esteja, por distração, ocupando a ciclovia. Aí, ele vai ouvir a buzina ou os gritos de ciclistas mais estressados para sair do caminho deles.
  7. Aqui na Alemanha, existem inúmeros parques. Bonitos, organizados e bem cuidados, tanto pela prefeitura quanto pelos moradores.
  8. Aqui na Alemanha, existem inúmeros parques. Aqueles em que se pode fazer churrasco, aquele em que se pode deixar o cachorro solto e aqueles em que terá uma mulher fazendo topless e cinco metros depois, uma de burca.
  9. Aqui na Alemanha, no verão, cada metro quadrado de grama nos parques ou praças é disputado. Os alemães parecem lagartixas se expondo ao sol, depois de meses de inverno e escuridão. (Thiago, essa é pra você!)
  10. Aqui na Alemanha, tem as quatros estações bem definidas. Assim como as estações mudam, o humor também muda. Coitados de nós quando o inverno é longo....
  11. Aqui na Alemanha, ser gay é ok. O prefeito de Berlin é gay. No seu discurso de posse, ele disse: "eu sou gay, e está bom assim!".
  12. Aqui na Alemanha, existem todos os tipos de moda. Você pode encontrá-las todas num único  dia nas ruas. Ou numa única pessoa.
  13. Aqui na Alemanha, você pode sair com um moicano (o corte de cabelo) verde, azul ou lilás, uma roupa rasgada e ninguém vai apontar o dedo te criticando. Eles vão olhar, mas vai ficar só no olhar.
  14. Aqui na Alemanha, pode-se encontrar pessoas bebendo cerveja às 10h da manhã. Alguns já estão bêbadas nesse horário.
  15. Aqui na Alemanha, é normal encontrar pessoas peladas nos parques durante o verão. Principalmente, em estados da antiga DDR. Eles ainda acham estranho quando os brasileiros estranham esse comportamento.
  16. Aqui na Alemanha, existem saunas mistas. As pessoas ficam peladas lá, mulheres e homens. E estranham se brasileiros não aderem a esse comportamento.
  17. Aqui na Alemanha, ser machista está fora de moda. Mas, ainda existe muito sexismo. Muito.
  18. Aqui na Alemanha, o transporte público é integrado e, relativamente, pontual. O ônibus vai chegar a poucos minutos da partida do metrô, do bonde ou do trem. Com a mesma passagem, você pode andar em todos eles, na mesma cidade.
  19. Aqui na Alemanha, não tem cobrador ou catraca nos metrôs, trens ou bondes. Mas, existe fiscalização regular. Caso você seja pego sem passagem, a multa é de 40 euros. Nos ônibus, o cobrador é o motorista.
  20. Aqui na Alemanha, ainda existe nazismo e um partido político neo-nazista. Porém, quando essas pessoas organizam uma passeata em determinada cidade, aonde 200 neo-nazistas estarão presentes, 2000 civis estarão na mesma rua para impedir essa manifestação e mais 3000 policiais estarão nas ruas para impedir surtos de violência. (Números meramente ilustrativos)
  21. Aqui na Alemanha, pobreza não é passar fome, mas não participar da sociedade.
  22. Aqui na Alemanha, pelo menos em Berlin, vivem cerca de 140 nacionalidades diferentes.
  23. Aqui na Alemanha, um estrangeiro nascido na Alemanha, com passaporte alemão, continua, frequentemente, sendo tratado como estrangeiro, fazendo parte da população com "história de migração".
  24. Aqui na Alemanha, os caixas automáticos ficam expostos nas ruas.
  25. Aqui na Alemanha, é mais fácil um carro dormir na rua aberto e, no dia seguinte, continuar no mesmo lugar, do que uma bicicleta. Melhor não arriscar nem uma coisa nem outra.
  26. Aqui na Alemanha, existe o "bairrismo". Berlinenses acham que Berlin é melhor que Hamburg, os de Hamburg acham que Hamburg é melhor que Berlin. E o muniquenses acham que Munique é melhor que o resto da Alemanha. :)
  27. Aqui na Alemanha, quando se visita alguém em sua casa, costuma-se tirar os sapatos e deixar na entrada. Você vai entender isso num dia de muita neve e lama, caso alguém entre na sua casa e esqueça de tirar os sapatos. Principalmente, se seu chão for encarpetado.
  28. Aqui na Alemanha, quando se visita alguém em casa pela primeira vez, costuma-se levar algum "mimo". Pode ser um vinho, flores, chocolate...
  29. Aqui na Alemanha, alemães gostam muito de viajar. Viajam pelo próprio país, pela Europa, África, Áméricas... Por isso, eles podem te olhar de cara feia se você disser que nunca esteve na Amazônia.
  30. Aqui na Alemanha, os alemães acham meia hora para chegar de um lugar ao outro dentro de uma cidade, muito tempo. 200km é muito longe.
  31. Aqui na Alemanha, toma-se sorvete em qualquer época do ano. Quase.
  32. Aqui na Alemanha, também existe o chá ou café da tarde, com bolo ou biscoitos.
  33. Aqui na Alemanha, vinho é muito barato. Até o chileno.
  34. Aqui na Alemanha, homem faz xixi sentado quase sempre. O que dá pra entender, se levar em consideração que quem limpa mesmo o banheiro é ele.
  35. Aqui na Alemanha, não existe empregada doméstica. Só os muito ricos têm. Mas, existe faxineira. Que são, muitas vezes, estrangeiros ou estudantes universitários precisando de renda extra.
  36. Aqui na Alemanha, muito mais em Berlin, as marcas das guerras ainda são visíveis, principalmente quando se anda nas ruas e se vê no chão uma plaquinha dourada em frente a alguns prédios: "nessa casa morou a família Y, enviada para o Campo de Concentração na data X e morta na data Z"
  37. Aqui na Alemanha, remédio só é obtido com receita médica, é "gratuito". Porém, dependendo do remédio, pode-se pagar uma taxa de 5 ou 10 euros. Mas, xaropes, vitaminas e analgésicos comuns, por exemplo, podem ser comprados sem receita.
  38. Aqui na Alemanha, existe corrupção, sonegação de imposto e "jeitinhos". Como o caso de plágio da tese de doutorado do ministro. Por conta disso, ele teve que renunciar ao caso. Ou o antigo presidente, que foi acusado de tráfico de influência e também saiu. E as contas na Suíça dos ricos alemães dizem muita coisa.
  39. Aqui na Alemanha, a última categoria de estrangeiros é a dos refugiados. Ninguém quer e muitos fingem que nem existem. Contudo, por conta do seu histórico de guerra, a Alemanha não nega a entrada. Só dificulta a permanência.
  40. Aqui na Alemanha, muita coisa é "Do it yourself", porque mão de obra é muito cara. Pintar a casa e montar os móveis é responsabilidade dos moradores.
  41. Aqui na Alemanha, em 99% das casas de classe média pode-se encontrar móveis da IKEA. Não só porque são mais em conta, como porque são fáceis de montar.
  42. Aqui na Alemanha, os alemães fazem o número 3 com a mão usando o polegar, indicador e dedo médio. Lembram da cena de Inglorious Bastards?
  43. Aqui na Alemanha, garçons e atendentes de lojas falam inglês nas grandes cidades. Mesmo que seja macarrônico.
  44. Aqui na Alemanha, o rival no futebol é a Holanda. Na economia e cultura, a França.
  45. Aqui na Alemanha, em muitos lugares, como restaurantes ou prédios residenciais, cachorros são mais bem vindos do que crianças pequenas.
  46. Aqui na Alemanha, os cachorros são bem educados, quase não precisam de coleiras.
  47. Aqui na Alemanha, os estrangeiros têm mais crianças que os alemães.
  48. Aqui na Alemanha, estudante universitário recebe ajuda financeira para estudar. Entra na universidade por mérito de nota.
  49. Aqui na Alemanha, nas escolas, a nota mais baixa é o 6 e a mais alta é o 1.
  50. Aqui na Alemanha, economicamente, o muro que dividia a Alemanha Ocidental da Oriental ainda existe.
  51. Aqui na Alemanha, internet é rápida e barata. Existem planos de telefonia que incluem o telefone fixo, celular e a internet num mesmo pacote, num mesmo preço.
  52. Aqui na Alemanha, tem muito feriado. No Natal, por exemplo, dia 26 é feriado. Na páscoa, a sexta e a segunda. 
  53. Aqui na Alemanha, o ano letivo começa em julho/agosto. As férias escolares são: 6 semanas no verão, 2 semanas no outono, 10 dias no Natal e Ano Novo, 1 semana no inverno, 2 semanas na Páscoa. As datas variam de estado para estado.
  54. Aqui na Alemanha, não se fala abertamente de dinheiro, salário etc. Os funcionários são proibidos de falar quanto ganham para os colegas de trabalho, por existir a "livre concorrência".
  55. Aqui na Alemanha, existe uma palavra para cada tipo de "amigo". Colega de trabalho, colega de república, colega de escola, colega de faculdade, amig@/namorad@.
  56. Aqui na Alemanha, é o aniversariante que leva o bolo para os colegas de escola/faculdade/trabalho.
  57. Aqui na Alemanha, é importante olhar a previsão do tempo antes de sair. Pode estar fazendo sol, mas estará frio. Pode estar um céu azul lindo, mas vai chover no fim do dia. E pode nevar em pleno mês de abril.
  58. Aqui na Alemanha, batata é o feijão com arroz de todo dia. Trazida pro país há 300 anos, salvou a fome dos alemães em muitos períodos por resistir ao frio e poder ser armazenada por muito tempo.
  59. Aqui na Alemanha, você não pode chamar alguém com "Psiu!", "psiu!" é para cachorro. 
  60. Aqui na Alemanha, tem praia. Tanto no mar, quanto em rios ou lagos (áreas de banho). Só que sem coqueiro. Pessoas vão de sunga ou biquinis. Ou trocam de roupa lá, na sua frente. Ou ficam pelados mesmo.
  61. Se eu não parar agora, a lista não teria fim.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Falando de hômi

Amiga minha andou se estressando com a falta de iniciativa/capacidade de decisão dos hômi alemães. Eu disse que achava que era um fator cultural, porque alemão em geral não está acostumado a ter que dicidir ou correr riscos. Eles sabem que o trem vai passar no horário, que vão ter a vaga na universidade, que não vão passar fome se ficarem desempregados e blá!

Não sei se ela ficou muito convencida disso. Daí, fui tomar café com uma amiga alemã e perguntei a ela o que ela achava dos homens alemães, se eles eram indecisos mesmos, ou se só os exemplares que apareceram na vida dessa amiga é que eram.

A alemã, claro, concordou. Ela disse que tem muito amigo que não sabe lidar com decisões/dramas da vida real. Principalmente, os que já alcançaram os 30. Disse que as mulheres alemães conseguem lidar melhor com as mudanças que ocorrem e os homens não sabem nem como começar a resolver. Entram em pânico. Ela deu o exemplo de um amigo que estava com problemas no relacionamento, que não sabia mais para onde ele iria e que, por isso, sem mais nem menos, terminou o namoro. Simplesmente, porque ele não queria assumir que estava ficando sério demais. Muito mais fácil afastar o "problema" do que resolvê-lo, né?

E apresentei minha teoria. Ela também concordou. Então, negócio é colocar esses hômi num ponto de ônibus lotado no Brasil, ou num trânsito de verdade, para eles aprenderem a decidir. Não só aprenderem a decidir, como aprenderem a decidir rápido. Porque, opa, mérmão, dormiu no ponto, agora se vira aí e sai desse engarrafamento. hahahaha

Dramas da vida moderna. Deles. Da minha não.

Solução pra amiga: procurar outra nacionalidade.

P.S. Generalizamos, né?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

FAQ. 25 - Como é o contato físico entre alemães?

Não vou dizer que é nulo, porque estaria mentindo.

Nesses mais de três anos de Alemanha já vi muita coisa. Já vi casal se beijando em festa, andando de mãos dadas no parque, trocando carinhos na minha sala durante um jantar, se agarrando no metrô (adolescentes)...

Uma amiga alemã abraçou outra amiga alemã e só largou depois que a outra se acalmou. A mocinha tinha levado um pé na bunda. Entre familiares, abraços e carinhos também são bem comuns.

Mas, preciso confessar que é diferente. É mais raro do que no Brasil. Se um casal sai com amigos, eles não trocam carinhos na frente dos amigos, porque eles saíram com os amigos e não pra namorar, certo? Lógica alemã.

Acontece que, no Brasil, o povo é, digamos assim, mais quente. O que não significa que o alemão seja totalmente frio. Chamemos de discrição. Não tocar, não acariciar não é tabu. Eles só não fazem do jeito como a gente faz.

Sem falar que, no inverno, nem eu ando de mãos dadas com marido. É a mão na luva e no bolso. :)

Independente de como eles agem, eu não deixo de agir do meu jeito "brasileiro". Se eu sou apresentada a alguém, ofereço o aperto de mão. Depois de um bom papo e algumas coisas em comuns, ou se eu fui com a cara do cidadão/cidadã, na hora de me despedir, olho nos olhos da pessoa, digo: "jeito brasileiro" e parto pro abraço.

Alemão nenhum nunca negou um abraço meu. Nunca me senti rejeitada. O que eu percebo é que eles abraçam de volta, até mais apertado. E de uma segunda ou terceira vez que nos encontramos, eles não têm mais cerimônia e oferecem o abraço.

Se fosse o caso de não gostar, eles me chamariam de louca e iam querer distância de mim. O que mostra também uma certa flexibilidade. Eu quebro o gelo, eles amolecem. :)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Uma questão de educação (lá)

Meu cunhado aluga um quarto em seu apartamento para estudantes. Dessa vez, o estudante é da China.

Marido foi lá fazer uma visita ao irmão e voltou com um lindo maço de cigarros chinês. Perguntei a marido se o chinês fumava e ele me conta a seguinte história:

"Eu saí na varanda pra fumar, quando ele apareceu com esse maço de cigarros pra me dar. Eu perguntei se ele também fumava e ele respondeu que não. Então, perguntei porque ele tinha cigarros e ele explica que na China, quando se recebe visita e essa visita fuma, o dono da casa deve oferecer cigarros pra ele"

Assim, marido voltou com um maço de cigarros chinês pra casa.

O mais legal foi o chinês ter transportado essa "tradição" pra cá e ter trazido os próprios cigarros para o caso de receber visitas.

Achei super interessante. E uma forma de mostrar, "à sua maneira", gentileza.

Já aqui, se não fumamos, botamos o amigo fumante pra fora de casa. hahahahaha

Update: ó, meu povo, eu nao to criticando o "botar pra fora", viu? Eu só comparei as culturas. Aqui em casa, apesar de marido ser fumante, eu também "boto pra fora". Ou fuma na varanda, ou no fumódromo de marido (escritório dele). 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Regrinhas básicas

Eu sei que um monte de gente já falou isso de diversas maneiras em diversos blogs, mas, como tem um tempo que eu não falo sobre os hábitos alemães, resolvi escrever também. Claro, aproveitando que por conta das festas de final de ano e do inverno, as visitas aumentam consideravelmente. Então, quando você visitar a casa de um alemão ou de alguém que mora aqui e já "alemanizou", não se esqueça de:

- Levar algo para o anfitrião. Vinho, flores, chocolate, torta, biscoitos... Qualquer coisa. Principalmente, se for a primeira vez que você está indo à casa dessa pessoa.

- Caso não saiba o que levar, pergunte. E se o anfitrião responder: um champagne francês caríssimo. Rá. Vai ter que levar. Mentira, pode mandar ele catar coquinho e levar um barato mesmo.

- Tire os sapatos. Na casa alemã, sempre há lugar para se pendurar o casaco e colocar os sapatos, principalmente, se o chão da casa for encapertado e você não quiser sujar a casa do outro com a lama da neve. Porque neve é linda e tal, mas vira um lama no final. (Rimou!). Então, é casaco no cabide e pés descalços. Se esqueceu desse detalhe e tiver com uma meia furada, pergunte, educamente, se você pode manter os sapatos. Mas, o mais normal é tirar mesmo. : )

- Se for uma festa grande, com muitos convidados, não aguarde que o anfitrião te sirva o tempo todo. Vá lá e pegue. Abra a geladeira. Pegue o prato. Sinta-se em casa. Se vire. Deu pra entender?

- Se quiser fazer uma visita, ligue e pergunte a disponibilidade. Muitos alemães não gostam de receber surpresas. A não ser que seja um amigo de longa data. Ou ele saiba que você é brasileiro e adora ser "espontâneo". Hihihihi

Alguns extras:
- Eles não acham estranho ligar pra sua casa nas horas das refeições, ou tarde da noite. Não fique chateado se isso acontecer com você. Caso esteja almoçando ou jantando, é só dizer: "Fulano, estou almoçano agora, posso ligar depois?" Eles irão entender. Ou nunca mais te ligar. Só que aí, foi o cara que não deu na noite anterior. Não é pessoal. hahahahaha

- Os festejos de Natal começam no primeiro advento, que é o primeiro domingo de dezembro e seguem os seguintes até o dia de Natal. Dia 26, aqui, ainda é Natal.

- Alguns adoram marcar encontros nos Mercados de Natal. Aguentem o frio, coloquem uma roupa bem quente e se joguem no Glühwein (quentão)!

E bora para as festas, que a gente merece!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A saga do casaco

Aí que, mesmo não sendo inverno, já está frio pra carambola e você precisa sair de casaco, né? É o início da estação cebola: cheia de camadas!

Está frio, mas você não deixa de sair, certo? Certo. Ainda mais se você gosta muito de ir a restaurantes encontrar amigos/familiares/bichinhos de pelúcia, ops, quem quer que seja, certo? Certo².

Os restaurantes oferecem cabides pra você colocar seu casaco lindo e preferido lá. Claro, sempre pode haver um jeito pra colocar no encosto da cadeira, por exemplo. Mas, como tudo é possível, vai que a cadeira não tem encosto, porque ela passou no Pai de Santo primeiro? Opa, nada disso, não tem encosto porque é um banco mesmo, né? Ora pois.

Aí você vai lá, meio incrédula, e pendura seu casaco no cabide. E fica naquela: um olho no garçon, outro no cabide; um olho no cardápio, outro no cabide... Porque, de repente, não mais que de repente, o restaurante inventa de ficar cheio e todo mundo quer usar o mesmo cabide.

Aí você vê o seu casaco lindo e preferido sumir no meio dos outros. E se pergunta: será que eu vou conseguir achar esse casaco na hora de ir embora? Ou pior!!! Será que eu vou pegar o casaco CORRETO? Porque, óbvio, o seu casaco lindo e preferido é comum, é igual a todos os outros nessa época: marrom/preto, de lã ou enchimento. Estou errada?

E se os outros estão pensando a mesma coisa? E se eles pegarem o seu casaco por engano? E se você tiver esquecido algo de valor no bolso do casaco? Nossa Senhora! Aquela mulher ali está mexendo no seu casaco? Não é o seu? Você jura que é o seu e.... opa, não era.

O tempo passa, você fica vigiando o casaco, com um olho no cabide, outro na movimentação das pessoas. Aí se dá conta que garçon já passou, você já fez o pedido no automático, comida já chegou e...

esfriou.

Tudo porque você não queria perder de vista o casaco.

Aí te pergunto: você foi acompanhada(o) ao restaurante com quem mesmo? Só com o casaco?

p.s. não se preocupe, acontece nas melhores famílias. :)
p.s. do p.s.: uma hora você se acostuma.
p.s. do p.s. do p.s.: "você" não é meu alter ego. Juro.

domingo, 16 de setembro de 2012

Os sobrenomes alemães

Brasileiro pode até ter criatividade para colocar nome nos seus filhos, os Cleidivaldos, Wanderwalissons, Franquenildas e Francisneides que digam, né? (Sim, conheço gente com esses nomes). Mas, os alemães não ficam atrás. O pior é que a criatividade não fica só no nome, como no sobrenome também. Uns são bonitinhos. Outros engraçados. Outro super esquisitos.

Atenção para:
Frau Sonnenschein: Sra. Brilho/Raio de sol
Herr Süß. Sr. Doce
Frau Vögel: Sra. Pássaro
Herr Fischer: Sr. Pescador
Frau Feucht: Sra. Molhada (ui!)
Herr Jungfer: Sr. Virgem
Frau Prügel: Sra. Surra
Herr Langmesser: Sr. Faca Cumprida/Longa
Frau Tod: Sra. Morte
Herr Socke: Sr. Meia

e pra fechar, o conhecido

Herr Schweinsteiger: Sr. Trepador de porco, jogador do Bayern München, que também é, carinhosamente, chamado de Schweini (eu diria que significa porquinho, né?) pelos comentaristas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Eu amo Berlin!

Eu amo Berlin, mas não porque é a capital da Alemanha, ou mesmo, uma cidade europeia. Eu amo Berlin, porque É Berlin. Deu pra entender?

Há uma única razão: tem tudo para todos os gostos.

Agora eu entendo os paulistas quando, aqui na Alemanha, dizem que sentem falta de São Paulo. Eu pergunto porque e eles respondem sem pensar: "ah, porque lá tem tudo."

Eu conheço São Paulo, mas não o seu "tudo". Mas, eu conheço o tudo de Berlin agora. Quer dizer, quase, né? Pra eu conhecer a cidade toda, ainda preciso de uns bons anos por aqui.

Os primeiros dois anos foi para adaptação, "aclimatização" (tá certo isso, Arnaldo?). Mais de dois anos se passaram e eu acho que estou na fase da descoberta. Já não me deslumbro, porém continuo fascinada com as fascetas facetas (hihihihi) dessa cidade. Deixo pra trás o lado recém-chegada e vivo o lado moradora, aquela que sai pra viver a cidade, seja pra sair pra trabalhar, pra fazer compras ou encontrar amigos. Cada pedaço novo que encontro, uma descoberta gratificante.

Ela é linda e feia. É grande e provinciana. É rock e punk. É tecno e brega. É arte e rebeldia. É pobre e rica. É alemã e estrangeira. É europeia e asiática. É luxo e simplicidade. É barulho e tranquilidade. É tudo e nada.

Eu amo Berlin, porque ela tem tudo pra oferecer. Até praia. Se você fechar os olhos, pisar na areia e não cobrar que a água seja salgada, é praia. :)

São mais de 150 eventos por final de semana para todos os gostos. São 160 museus. Mais de 2,5 mil parques e áreas verdes pro povo tomar sol, fazer churrasco e/ou ficar pelado. 3,5 milhões de habitantes e não tem muvuca. Cada bairro, um estilo, uma história. Monumentos, memoriais, história, muita história.

E o povo? Bom, o povo também é peculiar. Bem peculiar. É um povo direto, sem rodeios, que vive sua vida do jeito que bem lhe entende, sem se preocupar se está na fila do supermercado de pijama ou se vai trabalhar com um moicano verde. E não está nem aí se você não gostou.

Berlin é isso. É a cidade das experiências, das tendências, dos alternativos, dos desempregados, dos estrangeiros, das universidades, das empresas de internet. É o lugar que escolhi pra viver.

Berlin também é a cidade do muro, da guerra, da reconstrução. Se há uma cidade com marcas, é essa aqui. Por isso, por essas marcas, ela é tão interessante.

Tem alguma coisa que eu não goste em Berlin? Claro. Você gosta de tudo na pessoa que você que ama?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um nadador? Um dançarino? Um pássaro? Um avião?


Se você acha que alemão não tem senso de humor, ou é frio demais pra pensar em flerte, essa propaganda te mostra que, opa, tem alguma coisa faltando nesse estereótipo aí.

Basicamente, duas médicas admiram o Raio-X das costas de um homem. Está tudo tão perfeito no Raio-X, que elas pensam que o cara é ou nadador ou dançarino e estão esperando alguém, digamos, moreno-alto-bonito-sensual. A surpresa é... Bom, vejam o vídeo.

Atenção para a cara de "fome" das médicas.




Ao final, a médica loira diz "Geiler Rücken", algo como "costas gostosas". Posso com isso?