segunda-feira, 11 de julho de 2011

A medida do absurdo

Recentemente, meus pais me falaram de um fato que aconteceu na nossa família (tios inclusos), que contraria nossos direitos como cidadãos (leiam: que pagam impostos e têm documentos em dia).

Eu fiquei chocada com a situação. Achei mesmo um absurdo. O meu choque foi ainda maior pela forma como meus pais me contaram: rindo.

Eu me perguntei como eles, os atingidos, podem encarar a situação de forma tão banal e eu, que estou longe, ficar tão mais chocada? Cheguei a sentir raiva deles. Graças a Deus, a ficha caiu dias depois.

Nós, brasileiros, nascemos dentro de um sistema vicioso e viciado, crescemos nele, nos adaptamos a ele. Se há filas imensas, se o serviço público não funciona, se pagamos impostos e os políticos os escondem na cueca, se vemos nossos direitos feridos, se a justiça é lenta, nós sentamos e rimos, porque não há muito o que fazer. Principalmente, para quem não tem dinheiro para abrir um processo e sustentá-lo por anos até que chegue a um fim.

E até que descubramos que há um mundo diferente, aonde as coisas funcionam não tão "contra nós", aceitamos a conviver com esse sistema vicioso e viciado, fazemos parte dele.

Porque rir da nossa própria desgraça é o que faz o brasileiro vender a imagem de povo feliz - e ser, apesar de tudo. A cidade está lá transbordando de água e o pessoal rindo, bueiros explodindo e o povo fazendo piada. Aprendemos a calar diante dos absurdos diários a que somos sujeitos. Ou aprendemos a banalizá-los...

Aí, um dia, você descobre que não tem que ser assim e não quer mais rir de si mesmo por esses motivos.

Eu não rio mais, eu fico chocada. Só que, mesmo assim, as coisas continuam a ser como são. Porque estou aqui e não lá. E não consigo fazer com que os outros enxerguem como eu passei a enxergar.

Imagine só*: você tem uma casa própria, certo? Aí, por algum motivo, você não a habita (vai que o encanamento está podre e você só está esperando juntar dinheiro pra consertar, né?). Aí, a prefeitura da cidade resolve, sem avisar, sem entrar em acordo ou sem nenhum motivo justificável (poderia ser por falta de pagamento do IPTU, por ex, mas nem isso) invadir o imóvel e derrubá-lo. Detalhe: todo mundo sabe, inclusive o prefeito, que a casa é sua. Afinal, a p%$#@& da cidade é pequena e todo mundo sabe da vida de todo mundo. É seu bem, sua propriedade. Com que cara você fica? Aconteceria no país em que você mora? E se acontecesse, você encararia como causa perdida por ineficiência do sistema como um todo? Você está rindo agora?

*Situação meramente hipotética. Foi quase isso. 

sábado, 9 de julho de 2011

Melhorando o astral mudando o visual

e lendo os comentários fofos de vocês, claro! ;) (inclusive de quem comentou pela primeira vez! Eeee!)

Então, né? Pois é... Aí, né, tipo assim... então... quequicesacharam?

Eu amei!

Mas, é claro que vocês não precisam se influenciar pela minha opinião, sejam sinceros. (Só não esqueçam que podem quebrar o meu coração! chantagem emocional mode on)

Foi essa moça linda e fofa que fez pra mim! Pra contratar seus serviços, entrem em contato comigo que eu cobro comissão! Mentira, falem diretamente com a moça, que além de linda e fofa, foi super rápida em entender o que eu estava querendo. E fez dois banners pra mim! hohohohohoho

Pois, agora essa é a nova cara do blog. Aí, quando quiser mudar de novo, uso o outro que está devidamente guardado. (Minina ixxperta)

Sintam-se, de novo, à vontade por aqui! ;)

P.S. Piada interna: eu acho que a Simone acha que eu tenho cara de joaninha... =P 

P.S. 2: (nao entendo essa de PS do PS, uma vez que o PS que eu vou escrever nao tem nada a ver com o anterior. hehehehe) Rosa perguntou no comentário porque o Cristo Redentor, eu nao expliquei, mas é assim ó, gente: começa a silhueta da cidade de Berlin e termina no Brasil, personificado pelo Cristo Redentor e os morros do Rio. Metade Alemanha, metade Brasil. Pegaram? rsrrsrs e porque Rio? Porque é a mais conhecida, né? Bjs!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Como se sentir um tiquinho de nada em uma fila da HeM

Aí estou eu lá loira e serelepe, acompanhada por minha amiga Daniela que veio de Mannheim pra passar dois dias comigo, (gente, eu já disse, eu sou chique demais!) na fila da HeM pra pagar três míseras camisetas que eu comprei por 15 óiros (cada não, as três, né?), conversando em português, claro, quando vira a menina em frente à gente e fala em português conosco:

- Vocês estão falando português, né?
- Sim.
- E vocês são brasileiras, né?
- Sim. E você também, né?
- Não. Eu sou russa.
- Como? Você é russa e fala português sem acento sotaque? (língua pra vc, Jane! hahahaha)
- Eu morei um ano no Brasil.
- Sim, mas você aprendeu português antes, né?
- Não. Aprendi no Brasil.
- Você aprendeu a falar português com essa perfeição em um ano no Brasil?
- Ah, eu não falo tão bem assim. (Tá bom, e eu sou a Madonna)
- Como você foi parar no Brasil?
- Tipo assim, fui fazer um intercâmbio por uma organização em Mato Grosso do Sul.

Gente, tipo assim, ela falou "tipo assim"!

E eu:
- Ai, estou me sentindo muito mal agora. Eu estou aqui há quase um ano e meio e não falo alemão como você fala português.

Morri!

Querem saber aonde ela morou por um ano? Aqui. No meio de lugar nenhum! E falou com a maior saudade do Brasil. Amém! =P

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Como não derreter no verão europeu

Sim, vocês leram certo e eu não enlouqueci. Ou já e ainda não percebi. Mas, isso é história pra outro post. Rá!

As casas européias, e falo com conhecimento de causa das alemãs, são construídas para reter o calor. Assim, no inverno você não congela, nem gasta uma fortuna com aquecimento da casa. As paredes são mais largas, são revestidas com isolamento térmico (espuma) e as janelas, muitas vezes, tem vidro duplo. Ou seja, o calor que entra, fica na casa.(pegou? pegou?)

Quando o inverno acaba, as casas estão com as temperaturas internas de 22, no máximo, 25 graus.

Por experiência própria, o que não se deve fazer em dias quentes é abrir as portas e janelas. Gente, sério, não abram as portas e janelas da sua casa no verão, como fazíamos no Brasil. Só vai piorar. Falo isso por conhecimento de causa! Infelizmente... (cara de tristeza agora...)

Ano passado, caí na besteira de fazer isso e minha casa virou um forno. Até porque, teve dias de fazer mais de 35 graus. Pois é, pois é, pois é! Isso, isso, isso!

Então, pelamordedeus, o que eu faço pra "arejar" a casa nessa época do ano? Simples e fácil. Abra as janelas nas primeiras horas da manhã ou no fim do dia, quando já estiver mais frio lá fora que dentro de casa, tipo assim, fazendo uns 20 graus, sabe?

Como moramos no quarto andar e temos varanda, a gente está deixando a porta da varanda aberta durante a madrugada. Assim, o apartamento se mantém frio e agradável.

100 euros pela dica, tá? Depositem na minha conta. Obrigada.

terça-feira, 5 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rodei a baiana!

Chutei o balde!
Desci do salto!

Com muita clase, claro.

Lembram desse cara aqui? Ele também já foi personagem dessa outra história aqui.

Eu sentia dele, às vezes, uma certa ironia ao tratar comigo. Eu pensava que era simplesmente porque ele não tinha paciência em lidar com o meu alemão e sotaque. Eu deixava passar. Até que um dia...

Até que um dia, ele duvidou da minha capacidade, como se o fato de eu não falar um alemão perfeito fosse fator que determinasse minha "burrice". Cara, meu sangue fervou e eu quase xinguei muito no twitter.

Como num ambiente profissional não se deveria rodar a baiana sem um mínimo de classe, decidi que ia esperar me acalmar para acabar com essa palhaçada.

Esperei dar o fim do expediente para conversar com ele, assim, se o caldo engrossasse, poderia xingar muito em casa. Só que, sortudo, não tinha tempo pra conversar naquele momento.

Fui pra casa espumando de raiva, pra manter a vontade de falar com o indivíduo no dia seguinte.

No dia seguinte:
- Você teria 5 minutos pra mim?
- Sim, claro. (se arrumou todo faceiro na mesa)
- Vou ser bem direta. (aham, bem no estilo alemão. E falei tudo num fôlego só pra não perder o rumo)
"Eu não gosto do jeito como você me trata. (Aí ele arregala os olhos e fica branco como papel) Só porque eu não falo alemão perfeito, não quer dizer que eu seja burra. Eu já fiz muita coisa na minha vida profissional e o que faço aqui não é trabalho de estagiária. É um estágio porque eu tenho que começar a trabalhar na Alemanha de algum jeito. Mas, eu faço e posso mais do que você pensa."

Parei e fiquei esperando a reação dele. Ele estava nitidamente sem graça. Disse que foi bom que eu falasse isso, que ele teria chance de desfazer a má impressão que ele deixou, que não é assim que ele me vê, mas  realmente, ele não sabe do que sou capaz. Oi?

Como eu já estava com o sangue quente, também não deixei barato:
- Se você não sabe, é só perguntar. Uma simples pergunta resolve. Eu sou capaz de muita coisa.

Depois ele ainda tentou dizer que eu poderia não ter entendido direito por causa do alemão. Aham, senta lá.
- Eu entendo tudo o que você fala. Quando eu não entendo, tenha certeza que eu pergunto.

Cadê seus argumentos agora?

Conversa encerrada. Ele, vermelho como um pimentão e eu me sentindo a mulher mais poderosa do mundo.

Toma, papudo!

Lição do dia: Muitas vezes, nós (eu) achamos que as pessoas devem nos aceitar e compreender. Porém, muitas vezes também, precisamos fazer com que sejamos aceitos. E com respeito!

sábado, 2 de julho de 2011

Kitsch - Brega, Cafona

Xô contá? Xô contá? Vô contá!

Quando eu cheguei na Alemanha, me assustei com a breguice daqui. Eu, inocente como sou, achava que país de "primeiro mundo" não tinha essas coisas, que o povo é instruído, ou que não existe folclore, né? Porque o popular é o que, né mesmo?

E eles têm uma palavra pra definir o que é brega, Kitsch. Se eu não me engano, se ouve também no Brasil.

(Opinião super pessoal, agora, tá?) Meu conceito de brega brasileiro é Calypso, Mulheres Fruta e as "senhouras" que não sabem que já passaram da idade mostrando a barriga. Geladeira cheia de ímã também (oi, minha mãe tem).

Ai vocês querem saber o que é brega aqui. Lógico. Darei dois exemplos do que acho brega no sentido "celebridade":
Daniela Katzenberger
e o "estilista" Harald Glööcker

Desculpa aí o nível das fotos, meu povo.

Só que, ó, fala sério, nada, mas nada mesmo supera, no meu ponto de vista, a "música do povo" (Volksmusik ou Schlagermusik) daqui. E pior: Faz sucesso, essa coisa! Lembram das serestas, arrochas e tudo o mais no Brasil (essa só quem vai entender é nordestino)? Pois é. Pra mim, isso ganha na breguice, cafonice e todo o resto derivado!


Chama o Capitão Nascimento! Bota na conta do Papa, pelamordedeus!

P.S. Juro que foi o último post com música. Dessa semana.