Eu já li em diversos lugares sobre o prazer (ou não) de ter vizinhos alemães. É óbvio que ninguém escapa disso morando na Alemanha, faça-me o favor.
Contudo, tem gente que tem sorte e outros não.
Eu acho que eu sou um misto dos dois. No meu prédio, são dois apartamentos por andar, de tamanhos diferentes. O nosso tem dois quartos (na forma de contar brasileira, aqui seriam três, pois a sala também é quarto), o do vizinho da frente só tem um, ele mora sozinho.
Logo quando nos mudamos, ele fez contato. Um senhor de uns 70 anos que mora no prédio desde que ele foi construído. Tentou ser gentil, nos disse os dias que o lixo é recolhido, o dia que limpam o andar, essas coisas. Temos sorte de termos um Hausmeister (um zelador) e não precisamos, nós mesmos, limpar o nosso andar ou providenciar serviços de reparo (pois é, morar por aqui pode ser bem chato. rsrs).
Os vizinhos do andar de cima são jovens, com um filhinho pequeno e muito simpáticos. Eles nos avisaram que o nosso vizinho é o blockwart (pessoas que, na época da DDR, espionavam seus vizinhos) do prédio, mas que numa versão light.
Depois desse aviso, ficamos observando suas atitudes. Ele sabe quando a gente acorda e quando sai do apartamento, quando volta, o que fazemos... essas coisas de vizinho xereta.
O ápice até agora foi quando ele recebeu uma encomenda nossa enquanto estávamos fora e, assim que chegamos, ele já estava com a porta dele aberta (porque sabia que havíamos chegado) e o pacote estava estrategicamente posicionado. Ele nem precisava fazer isso, já que o correio deixa a informação de onde está o pacote, mas tudo bem.
Marido entrou para pegar o pacote, trocou algumas palavras com ele e ele nos passou uma recomendação. Atenção para isso:
"Quando você sai do apartamento, poderia bater a porta com menos força, usando a chave, por exemplo? Você faz muito barulho."
Marido:
"..."
"É, sua esposa, quando sai, não faz tanto barulho assim!"
Acho que marido deu as costas sem falar nada. E eu, claro, fui mostrar a ele a forma correta de se bater uma porta para não incomodar o vizinho, tirando sarro. Eu perco o marido, mas não perco a piada.
Oi? O vizinho se incomoda com a força que marido usa pra fechar a porta??? Se nem escuto direito quando ele sai pra trabalhar, imagina o vizinho?
Ficarei atenta aos próximos capítulos.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Fui surpreendida
A festa foi ótima!
O primeiro convidado chegou às 16h.
As 20 pessoas vieram.
Amigos de marido que não me conheciam e que o conhecem de infância, viajaram mais de 400 km para nos encontrar. (O que para um alemão é muita coisa, acreditem)
Eu não enlouqueci.
Eu não me cansei.
Eu não queria que a festa tivesse acabado.
Eu conversei em alemão, mesmo com trocentas conversas paralelas ao meu redor (coisa impossível de acontecer dois meses atrás.)
Eles ficaram impressionados com o quanto de alemão eu já consigo falar. Eu também.
Eles adoraram nosso apartamento. Eu também.
Eles não sujaram a casa. Não do jeito que era esperado que 20 pessoas fizessem. O banheiro nem parecia que tinha sido usado. Vejam só. Alemães sabem se comportar.
Um amigo de marido se apaixonou por mim. Palavras "quase" dele: "que mulher linda, legal e interessante você tem..." e não parava de olhar pra mim, além de mexer nos meus cachos para saber se eram de verdade. Marido disse que amigo pode. Até porque, ele mora longe, bem longe. Hahahaha
A minha cunhada adorou ter me conhecido "no meu ambiente". Porque estava mais solta e falante. Como marido sempre disse que eu era e como ela nunca teve a oportunidade de conhecer. Mas, não contem pra ela que eu estava bêbada já no segundo copo de champagne, por favor. ;)
Eu ganhei quilos de chocolate. Povo mais sem piedade!
O último convidado, que também foi o primeiro a chegar, saiu às 02h. O apaixonado. Viu? Ele gostou da festa! Ou não só da festa. =P
No domingo, joga tudo no lixo, na máquina de lavar, passa aspirador de pó, cadeiras no lugar e PUFF! Tudo limpo!
Eu quero outra festa!!!
P.S. Ainda estou pensando se vou colocar as fotos. Alemão é meio reservado, né? Não quero encrenca.
O primeiro convidado chegou às 16h.
As 20 pessoas vieram.
Amigos de marido que não me conheciam e que o conhecem de infância, viajaram mais de 400 km para nos encontrar. (O que para um alemão é muita coisa, acreditem)
Eu não enlouqueci.
Eu não me cansei.
Eu não queria que a festa tivesse acabado.
Eu conversei em alemão, mesmo com trocentas conversas paralelas ao meu redor (coisa impossível de acontecer dois meses atrás.)
Eles ficaram impressionados com o quanto de alemão eu já consigo falar. Eu também.
Eles adoraram nosso apartamento. Eu também.
Eles não sujaram a casa. Não do jeito que era esperado que 20 pessoas fizessem. O banheiro nem parecia que tinha sido usado. Vejam só. Alemães sabem se comportar.
Um amigo de marido se apaixonou por mim. Palavras "quase" dele: "que mulher linda, legal e interessante você tem..." e não parava de olhar pra mim, além de mexer nos meus cachos para saber se eram de verdade. Marido disse que amigo pode. Até porque, ele mora longe, bem longe. Hahahaha
A minha cunhada adorou ter me conhecido "no meu ambiente". Porque estava mais solta e falante. Como marido sempre disse que eu era e como ela nunca teve a oportunidade de conhecer. Mas, não contem pra ela que eu estava bêbada já no segundo copo de champagne, por favor. ;)
Eu ganhei quilos de chocolate. Povo mais sem piedade!
O último convidado, que também foi o primeiro a chegar, saiu às 02h. O apaixonado. Viu? Ele gostou da festa! Ou não só da festa. =P
No domingo, joga tudo no lixo, na máquina de lavar, passa aspirador de pó, cadeiras no lugar e PUFF! Tudo limpo!
Eu quero outra festa!!!
P.S. Ainda estou pensando se vou colocar as fotos. Alemão é meio reservado, né? Não quero encrenca.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Você sabe andar de bicicleta?
Foi com essa pergunta que uma colega do curso, já citada aqui, quase me tirou do sério.
Eu concordo com o comentário que a sábia Mônica deixou no post, mas, infelizmente, eu não sou perfeita. Ainda.
Estávamos combinando com o meu querido professor uma excursão cultural por Berlin a ser feita de bicicleta na próxima semana. No momento, ela ainda não havia chegado. O prof. perguntou quem tinha bicicleta e quem sabia andar, todo mundo sabia, só uma coreana ainda não tinha bicicleta.
No final da aula, o prof. repetiu pra ela o que havíamos combinado e ela disse que não sabia andar de bicicleta. Até aí tudo bem, o professor disse que levaria ela na garupa (bonzinho ele, né?).
Na saída, ela vira pra mim e pergunta:
"Você sabe andar de bicicleta?"
"Sim."
"Mas como, se eu não vi ninguém no Rio andando de bicicleta?"
Segura na mão de Deus, conta até dez e evita falar umas verdades. Respira:
"Mas, o Brasil não é só o Rio, né? E no Rio muita gente anda de bicicleta na orla de Copacabana, por exemplo."
"Eu não vi."
Respira de novo.
"E eu não moro no Rio. O Brasil é grande, sabia?"
"Ah..."
A pessoa vai no Rio dois dias da sua vida, anos atrás e acha que é tempo suficiente para conhecer o país inteiro e ainda fazer considerações cheias de verdade.
"Nunca vi bicicleta no Rio." Só faltou dizer que a gente anda pendurado em cipó.
Respira, respira!
P.S. Vou falar da festa, calma. Primeiro, queria desabafar isso aí, antes de dar na cara dela! hahahaha
Eu concordo com o comentário que a sábia Mônica deixou no post, mas, infelizmente, eu não sou perfeita. Ainda.
Estávamos combinando com o meu querido professor uma excursão cultural por Berlin a ser feita de bicicleta na próxima semana. No momento, ela ainda não havia chegado. O prof. perguntou quem tinha bicicleta e quem sabia andar, todo mundo sabia, só uma coreana ainda não tinha bicicleta.
No final da aula, o prof. repetiu pra ela o que havíamos combinado e ela disse que não sabia andar de bicicleta. Até aí tudo bem, o professor disse que levaria ela na garupa (bonzinho ele, né?).
Na saída, ela vira pra mim e pergunta:
"Você sabe andar de bicicleta?"
"Sim."
"Mas como, se eu não vi ninguém no Rio andando de bicicleta?"
Segura na mão de Deus, conta até dez e evita falar umas verdades. Respira:
"Mas, o Brasil não é só o Rio, né? E no Rio muita gente anda de bicicleta na orla de Copacabana, por exemplo."
"Eu não vi."
Respira de novo.
"E eu não moro no Rio. O Brasil é grande, sabia?"
"Ah..."
A pessoa vai no Rio dois dias da sua vida, anos atrás e acha que é tempo suficiente para conhecer o país inteiro e ainda fazer considerações cheias de verdade.
"Nunca vi bicicleta no Rio." Só faltou dizer que a gente anda pendurado em cipó.
Respira, respira!
P.S. Vou falar da festa, calma. Primeiro, queria desabafar isso aí, antes de dar na cara dela! hahahaha
sábado, 5 de junho de 2010
Hoje tem festa no apê
Vai rolar bundalelê. NOT!
Festa do casamento. 20 pessoas. Comida. MUITA cerveja e vinho. Música. Pratos. Copos. Talheres. Sujeira. Máquina de lavar. Cozinha. Chão. Carpete. MUITO alemão. Eu. Enlouquecida. Eles. Divertindo-se. Morri.
Se sobreviver, volto pra contar.
Festa do casamento. 20 pessoas. Comida. MUITA cerveja e vinho. Música. Pratos. Copos. Talheres. Sujeira. Máquina de lavar. Cozinha. Chão. Carpete. MUITO alemão. Eu. Enlouquecida. Eles. Divertindo-se. Morri.
Se sobreviver, volto pra contar.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Culta, eu?
Meus micos até que tinham diminuído... até... não para sempre.
Marido e eu andando, voltando pra casa, quando passamos em frente a um cartaz. Eu olho pro cartaz e digo:
"É, tem gosto para todo tipo de filme."
"Quê?"
"O cartaz daquele filme ali, que coisa ridícula."
"Isso não é o cartaz de um filme. É de uma ópera." (O que explica os trajes e maquiagens extravagantes)
Virei avestruz e enfiei minha cara no primeiro buraco que vi.
A ópera? Nem lembro o nome.
Se já vi alguma? Nunca. Pobre é uma desgraça!
Marido e eu andando, voltando pra casa, quando passamos em frente a um cartaz. Eu olho pro cartaz e digo:
"É, tem gosto para todo tipo de filme."
"Quê?"
"O cartaz daquele filme ali, que coisa ridícula."
"Isso não é o cartaz de um filme. É de uma ópera." (O que explica os trajes e maquiagens extravagantes)
Virei avestruz e enfiei minha cara no primeiro buraco que vi.
A ópera? Nem lembro o nome.
Se já vi alguma? Nunca. Pobre é uma desgraça!
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Colegas latinos
Na minha turma do curso tem vários colegas de origem latina. Tem da Espanha, Colômbia, Equador, México e Peru. Por causa disso, o espanhol é a segunda língua na sala, ao invés do inglês (recurso utilizado para explicações em último caso).
Pausa. Já nem tem mais graça saber que todos os professores falam inglês e espanhol fluentemente, dá uma invejinha básica. Eu chego lá um dia. Fim da pausa.
Contudo, a única que merece um tópico especial neste meu post é a peruana. Ela, com certeza, tira colegas e professores do sério. Ela não é burra, é estudiosa, só sossega depois que entende um assunto... O problema está na forma simples de pensar. Ela namora um alemão, mora aqui há uns seis meses. Mas, ela não conhece NADA sobre a Alemanha. Ela faz cada pergunta desnecessária, que valhaminhanossasenhoradoperpétuosocorro! (conseguiram ler isso?)
Exemplo 1:
Depois de 4 meses de curso (eu escrevi 4 meses!) ela pergunta ao professor porque numa frase tem "Sie", ao invés de "du", já que "du" significa "você" e era a conjugação correta para a frase. Até aí, tudo bem. O problema é que isso é uma das primeiras coisas que a gente aprende. Existem duas formas de "você" em alemão: o "du" e o "Sie".
O "Sie", com letra maiúscula, substitui o "Sr" ou "Sra" na frase. É usado para falar com pessoas mais velhas, de certa posição, ou desconhecidos, ou quando a ocasião pede educação e formalidade.
Quatro meses depois e ela "descobre" que o Sie também é segunda pessoa em alemão. Quatro meses!!!! O mais estranho é que os alemães nos recomendam aprender logo isso, porque, para muitos, essa questão do tratamento é super importante. O namorado dela não contou??
Exemplo 2:
Ela não para de fazer comparação entre Lima e Berlin. Gente, não dá pra comparar uma capital da América do Sul com uma capital da Europa. Simplesmente, não dá!
Você não pode dizer, por exemplo, que o preço do aluguel em Berlin é igual ao preço do aluguel em Lima. Não é! A moeda é outra, caramba!!! O nível social é outro!! O valor do dinheiro é outro!!! E a gente interrompe, quando ela faz essas coisas. Não temos mais paciência, falamos logo: "Fulana, não dá pra comparar, aqui é Europa, sacou?"
Coisa é quando ela se assusta com uma informação básica sobre a Alemanha e solta:
"Jura? Aqui é assim???"
O professor ri na cara dela, claro. Meu querido professor.
Pidamonhagaba! Se seu namorando não conversa com você sobre o país DELE, vai ler blog que você aprende como é! Rá!
Pausa. Já nem tem mais graça saber que todos os professores falam inglês e espanhol fluentemente, dá uma invejinha básica. Eu chego lá um dia. Fim da pausa.
Contudo, a única que merece um tópico especial neste meu post é a peruana. Ela, com certeza, tira colegas e professores do sério. Ela não é burra, é estudiosa, só sossega depois que entende um assunto... O problema está na forma simples de pensar. Ela namora um alemão, mora aqui há uns seis meses. Mas, ela não conhece NADA sobre a Alemanha. Ela faz cada pergunta desnecessária, que valhaminhanossasenhoradoperpétuosocorro! (conseguiram ler isso?)
Exemplo 1:
Depois de 4 meses de curso (eu escrevi 4 meses!) ela pergunta ao professor porque numa frase tem "Sie", ao invés de "du", já que "du" significa "você" e era a conjugação correta para a frase. Até aí, tudo bem. O problema é que isso é uma das primeiras coisas que a gente aprende. Existem duas formas de "você" em alemão: o "du" e o "Sie".
O "Sie", com letra maiúscula, substitui o "Sr" ou "Sra" na frase. É usado para falar com pessoas mais velhas, de certa posição, ou desconhecidos, ou quando a ocasião pede educação e formalidade.
Quatro meses depois e ela "descobre" que o Sie também é segunda pessoa em alemão. Quatro meses!!!! O mais estranho é que os alemães nos recomendam aprender logo isso, porque, para muitos, essa questão do tratamento é super importante. O namorado dela não contou??
Exemplo 2:
Ela não para de fazer comparação entre Lima e Berlin. Gente, não dá pra comparar uma capital da América do Sul com uma capital da Europa. Simplesmente, não dá!
Você não pode dizer, por exemplo, que o preço do aluguel em Berlin é igual ao preço do aluguel em Lima. Não é! A moeda é outra, caramba!!! O nível social é outro!! O valor do dinheiro é outro!!! E a gente interrompe, quando ela faz essas coisas. Não temos mais paciência, falamos logo: "Fulana, não dá pra comparar, aqui é Europa, sacou?"
Coisa é quando ela se assusta com uma informação básica sobre a Alemanha e solta:
"Jura? Aqui é assim???"
O professor ri na cara dela, claro. Meu querido professor.
Pidamonhagaba! Se seu namorando não conversa com você sobre o país DELE, vai ler blog que você aprende como é! Rá!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Qualidade de vida
Depois de ter visto essa reportagem aqui e de ter se orgulhado por Berlin estar em 17. lugar no ranking de qualidade de vida - muito melhor, comparando com a cidade brasileira melhor colocada que está 104. lugar, Brasília - marido vai na cozinha e abre um champagne.
Ele serve as taças e me entrega uma, ele olha pra mim com a cara mais cínica do mundo, eu já prevendo uma sacanagem, e diz:
"Você não quer voltar a ser pobre, né?"
Eu tive uma crise de riso, claro!
O detalhe é para o valor do champagne: 2,80 euros!
Não preciso responder mais nada...
Ele serve as taças e me entrega uma, ele olha pra mim com a cara mais cínica do mundo, eu já prevendo uma sacanagem, e diz:
"Você não quer voltar a ser pobre, né?"
Eu tive uma crise de riso, claro!
O detalhe é para o valor do champagne: 2,80 euros!
Não preciso responder mais nada...
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