quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Porque coisas loucas não acontecem só comigo

Estava esperando o metrô quando escuto uma mulher gritar para uma senhora idosa:

- Saia daqui! Você está me aterrorizando! Saia daqui!

A senhora passa por mim completamente atordoada. Eu, sinceramente, pensei que era uma coisa entre mãe e filha.

A senhora para a uns metros de mim e encosta uma outra senhorinha para perguntar o que aconteceu. A senhora responde meio que sem fôlego:

- Eu encontrei a moça arriada no banco e fui perguntar se ela estava bem, se precisava que chamasse um médico. Ela levantou, disse que não, mas voltou a se largar no banco. Eu perguntei novamente e aí ela começou a gritar. Tem gente que não quer ser ajudada.

Eu fiquei com tanta dó da senhora. Ela só estava tentanto ser gentil, mesmo insistindo.

Ela está certa: tem gente que não que ser ajudada.

Não vou dizer que eu suspeito que a mulher no banco estava bêbada, porque, oi?, eram 10h da manhã.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Um típico domingo

Porque você vai ao cinema com o marido na sessão de 17h30, vocês resolvem antecipar a janta para às 16h.

O filme terá 2h30 de duração e depois vocês querem ir a um bar tomar uma cerveja.

O jantar é uma sopa deliciosa, o filme é Lincoln, que não consegue acompanhar por causa dos diálogos filosóficos e das palavras rebuscadas. Você entende a história, mas não todos os diálogos.

Ao sair do cinema, às 20h15, procurar por um bar e acaba entrando num café. E porque é super normal, você pede, ao invés de cerveja, um capuccino e uma torta.

Volta pra casa andando às 21h30, conversando tranquilamente, sem se preocupar com a cidade à sua volta.

Mais uma vez, também pela simplicidade em como as coisas acontecem, agredece por morar em Berlin e por poder encerrar um domingo assim.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

FAQ. 25 - Como é o contato físico entre alemães?

Não vou dizer que é nulo, porque estaria mentindo.

Nesses mais de três anos de Alemanha já vi muita coisa. Já vi casal se beijando em festa, andando de mãos dadas no parque, trocando carinhos na minha sala durante um jantar, se agarrando no metrô (adolescentes)...

Uma amiga alemã abraçou outra amiga alemã e só largou depois que a outra se acalmou. A mocinha tinha levado um pé na bunda. Entre familiares, abraços e carinhos também são bem comuns.

Mas, preciso confessar que é diferente. É mais raro do que no Brasil. Se um casal sai com amigos, eles não trocam carinhos na frente dos amigos, porque eles saíram com os amigos e não pra namorar, certo? Lógica alemã.

Acontece que, no Brasil, o povo é, digamos assim, mais quente. O que não significa que o alemão seja totalmente frio. Chamemos de discrição. Não tocar, não acariciar não é tabu. Eles só não fazem do jeito como a gente faz.

Sem falar que, no inverno, nem eu ando de mãos dadas com marido. É a mão na luva e no bolso. :)

Independente de como eles agem, eu não deixo de agir do meu jeito "brasileiro". Se eu sou apresentada a alguém, ofereço o aperto de mão. Depois de um bom papo e algumas coisas em comuns, ou se eu fui com a cara do cidadão/cidadã, na hora de me despedir, olho nos olhos da pessoa, digo: "jeito brasileiro" e parto pro abraço.

Alemão nenhum nunca negou um abraço meu. Nunca me senti rejeitada. O que eu percebo é que eles abraçam de volta, até mais apertado. E de uma segunda ou terceira vez que nos encontramos, eles não têm mais cerimônia e oferecem o abraço.

Se fosse o caso de não gostar, eles me chamariam de louca e iam querer distância de mim. O que mostra também uma certa flexibilidade. Eu quebro o gelo, eles amolecem. :)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quando só pagar um mico não basta

A pessoa está em casa à vontade, certo? E quando ela diz "à vontade" é porque é "à vontade" mesmo. Vocês irão entender.

Toca a campanhia.

Pessoa desacostumou e nem pergunta mais quem é, vai logo abrindo a porta do prédio. Pega a doida!

A pessoa abre a porta e dá de cara com o carteiro com três pacotes na mão pra entregar. Pessoa ainda tem que assinar, né? Né.

Pacotes eram grandes, não rola aquela de usar a porta como escudo e se esconder atrás dela. Porque foi só depois que ela abriu que ela se deu conta de como estava vestida.

À vontade.

A pessoa estava de roupão felpudo até os joelhos, chinelos e meias!!!!!!! Pra completar a cena bizarra, faltou só o bob (como é que escreve isso??) no cabelo. Sorte é que o cabelo está curto, se não...

Quando ela se dá conta da situação, olha pra si, olha pro carteiro e pede desculpas.

Ele responde:
- Sem problemas, a Sra. está na sua casa. - E dá uma risadinha filadaputa.

http://3.bp.blogspot.com/-ujvgf6jb99U/UHbKgpNeG1I/AAAAAAAAAZU/DOxTNVxXAH0/s1600/mico2.jpg
Ohhhhhkkkkeyyyyy
Se ainda fosse um roupão de cetim e descalça, segurando uma taça de vinho, ele até poderia achar que eu tinha segundas intenções, né? Mas, carambola, Eve, tinha que ser felpudo e estar de meias????

Da próxima, fico sem as encomendas. Sáporra!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Eu menti

Quem nunca?
Funny Breakup Ecard: I'm sorry I lied to you but it was for my own good.
Não é assim que a saúde está equilibrada. Eu é que não falo mais com ela. Humpf!

Eu não tenho ideia de quando voltarei a estar 100%, se mesmo estou ápta a voltar a trabalhar 40 horas por semana. Eu parei de trabalhar por estar doente... Voltar, por essa razão, é mais complicado.

Além disso, nesse intervalo, os sustos acontecem. Como quando descobri um caroço no seio recentemente e passei três dias pensando besteiras até chegar na consulta e a médica dizer, tranquilamente, que era só mastite. Mas, vocês podem imaginar que eu não queria repetir o fevereiro de 2012. De jeito nenhum.

Porém, de alguma forma, a vida segue. Eu vou continuar seguindo. Mesmo que tenha que recomeçar arrumando um emprego (minijob) de 12 horas por semana, ganhando pouco e aceitando tarefas fáceis. De alguma forma, meu corpo e minha cabeça precisam reaprender a funcionar full time. E só a prática me devolverá essa oportunidade.

Apesar de tudo, o mundo não acabou em 2012, meu humor continua e estou adaptando a minha história.

É melhor rir do que chorar. Afinal, ninguém disse que seria fácil. Nunca antes na história desse país, essa frase fez tanto sentido!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Radicalizando

Mesmo. De verdade. Sim, senhoras e senhores.

A pessoa sai de uma juba de leão porque o cabelo começa a cair e passa a concorrer com a Gadú.

Acompanhem:
JUBAAAA! Praga, Ago/2011
O pingo que já estava dois meses depois de começar a cair.  Berlin, Ago/2012

Quando cansei de ver meu cabelo caindo e cortei a primeira vez. Set/2012
Mariagaduzei. Eu, hoje.
Agora, explica?
Difícil vai ser deixar crescer... Já parou de cair, está cheio novamente e a cabelereira morreu de pena quando mostrei fotos da juba pra ela.


P.S. as fotos preto e branco são culpa do meu enteado que não gosta de tirar fotos coloridas de mim. E a pequena, é porque não é a original, foi roubada do FB. Sim, é a Inaiê!!!!!
P.S. do P.S. Post patrocinado pela tag EGO, do grande.
P.S. do P.S do P.S. Na primeira foto estou com cara de menina, né? Quem dera... rs

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Como eu estou? O que eu estou fazendo?

Uma leitora do blog, a Márcia, deixou um comentário muito fofo em um post querendo saber como eu estou. Resolvi responder com outro post.

Eu estou bem. Melhor que em 2012.
Saúde equilibrada.
Estou procurando emprego novo. Desde agosto do ano passado sem trabalhar. Mas, não sem fazer nada.
Já (re)fiz o C1 de alemão, já fiz curso de filosofia. Em janeiro, fiz um de redação.
Faço Tandem de alemão com um rapaz e uma mocinha fofa. E comecei um de inglês com uma britânica. Encontro cada um uma vez por semana.
O curso de inglês continua.
E a procura por emprego também. O que consome um tempo. Porque tem que adaptar currículo, preparar carta de apresentação...
Comecei o processo pra tirar a carteira de motorista alemã. Ai, ai, ai.
Em seguida, lá pra junho, começo o processo pra virar cidadã também. O tempo passa mesmo muito rápido.

E hoje, além de estar rolando a Berlinale (Festival Internacional de Filmes) até o dia 17, vou assistir à Ópera do Malandro aqui em Berlin!!! E a linda e talentosa da Isabela está no elenco, fazendo a Fichinha e outros dois personagens.

Aproveito pra pedir desculpas ao pessoal que vem aqui comentar e eu, poucas vezes, retorno uma visita. É a falta de tempo mesmo. Eu tento sempre responder aos comentários, porque eu adoro receber comentários. Adoro saber que me lêem e que gostam do blog. :)

Além dos micos de cada dia, a vida segue, né? Grassasdeuz!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O alemão e as crianças

Eu acho super fofo criança novinhas falando alemão. Aquela que você sabe que acabou de aprender a falar, mas já fala um alemão fofinho e educado.

Outro dia, na fila do supermercado, ouvi de uma que parecia ter uns cinco anos:
- Möchtest du das vielleicht auch nicht mitnehmen? (Você não gostaria de levar isso também?)

Ela segurava estrategicamente um chocolate nas mãos e perguntou toda fofinha para a mãe. Eu compraria o estoque todo pra ela.

Hoje, uma outra estava andando com o pai, quando ele se destraiu com alguma coisa e ela:
- Papa, hörst du mir mal bitte zu? (Papai, você poderia me escutar, por favor?)

Eu sentaria, colocaria ela no colo e ouviria todas as histórias que ela tinha pra contar.

Por outro lado, tem aquelas crianças fofíssimas, mas que ainda não aprenderam a falar e dizem:
- Mama, mit...? mit...?

E você, que não é a mãe, fica se perguntando: ela quer dizer "leva" (mitnehmen), "fazer parte" (mitmachen) ou "vem" (mitkommen)? Só a mãe na causa mesmo. :)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O truque do cachorro

Nunca passei por aquela situação clássica "o seu cachorro tem telefone?", mas eu quase, eu disse quase, caí numa dessa dias atrás. Só que ao contrário. Sem querer querendo.

Estava indo pra farmácia. Em frente, um cachorro amarrado, esperando pelo dono ou dona. Até então, nem sabia quem era.

Sabe aquele tipo de cachorro que olha pra você sorrindo e você não resiste? Ele olha pra você, abana o rabo e fica esperando que você se aproxime. Eu muito suspeito que esse cachorro foi treinado pra isso. Porque eu não resisti. Eu brinquei com ele. Fiz aquela voz fininha e disse: "você é um cachorro lindo, sabia?" Em português, obviamente. Quando se "abestalha", não se "abestalha" na língua dos outros, né? Pois.

Entrei na farmácia e dou de cara com o único ser sendo atendido ali. Ele me larga um sorriso enoooorme na cara, olha pra mim, depois olha pro cachorro. É claro que eu conectei na mesma hora: o dono do fulano safadinho lá de fora. Eu sorri de volta toda sem graça. Provavelmente, da minha idade. E ainda bonito, o fidapeste.

Aquele climão dentro da farmácia. Ele sendo atendido e eu também. Eu rezando pra ele ir embora antes. E ele, provavelmente, doido que eu perguntasse se o cachorro dele tem telefone.

Saímos, olha só que lindo, quase na mesma hora. Eu apressei meu passo e atravessei a rua. Ele seguiu no mesmo lado. Olho em direção aos dois indivíduos e, claro, o humano estava olhando pra mim. Climão de novo.

Baixo a cabeça e sigo o caminho. Chego em casa e conto pra marido:
- Marido, dei em cima de um cara hoje. Ó, mas meu interesse era todo no cachorro dele. Eu juro.

Juro mesmo. :)

Update: Resposta do marido: "Acho que vou te dar um cachorro."  :) Só que nao.