domingo, 31 de julho de 2011

Cabeças vão rolar...

Têm umas semanas que acontecem coisas estranhas na empresa. Têm umas três semanas que ouvi do meu chefe que eu não gostaria de saber o que anda acontecendo por lá.
Têm umas duas semanas que o povo está enrolando no trabalho porque não sabe se o que está fazendo será válido para o dia seguinte.
E essa semana um dos diretores anunciou a sua saída...

A empresa é uma S.A. apesar de pequena, tem muitos acionistas. A empresa nasceu de uma outra grande empresa americana (começa com 3 e termina com M, agora junta. rs) e, aparentemente, ela não estava satisfeita com o posicionamento estratégico da empresa.

Nesse meio tempo, entrou aquele consultor australiano que eu falei, lembram? Pois é. E virou braço direito do poderoso chefão (o presidente).

Fui perguntar a um colega se ele sabia o que estava acontecendo, aí ele me disse que o sócio não pediu pra sair, foi posto pra fora pela empresa americana (como maior acionista, tem esse poder). E que outras cabeças iam rolar. Porém, ninguém sabia nada concretamente.

Tremi nas bases, né? Tipo, oi? Quem é que é o ponto mais fraco da corrente? O estagíario. E fiquei pensando, pourã, agora que já estava até negociando contratação e tudo mais... sobrei. Vou ter que começar a pensar em outras coisas, em começar a procurar vagas, mandar currículos, tudo de novo. Deu uma desanimada. Passei o dia preocupada. Óbvio.

Aí, quinta-feira, fim do dia, sozinha na sala, entra o poderoso-chefão pra falar comigo.
- Quero conversar com você! ("Fudeu!", pensei cá com meus botões)

Eu juro pra vocês que eu esperava tudo, menos que ele tivesse a consideração de vir falar comigo, pra me dar satisfações, gente!!!

Resumindo, ele disse que só queria que eu soubesse que o que está acontecendo na empresa não tem nada a ver comigo, que cabeças vão rolar sim, mas que é só dos diretores. (Num reposicionamento estratégico, quem sai é quem tem o poder de mudar ou não a empresa, né?) E que ele precisa de pessoas que colaborem como EU e meus dois colegas. E que nada do que tínhamos combinado iria mudar.

Cara, véio, rapá! Me pegou de surpresa mesmo. Eu agradeci, disse que sim, estava pensando que minha cabeça rolaria e que achava a atitude dele muito gentil (Es war nett von ihm!).

Depois que eu cheguei em casa, ainda fiquei pensando que minha situação não é tão favorável assim. Que, dependendo da nova cara da empresa, meu perfil não se encaixe e na hora que acabar o contrato de estágio, negociar uma contratação vai ser mais difícil e todo aquele blá blá blá que pessoas quando estão inseguras pensam. Vida que segue.

Aí, ontem sexta, mandei um email pro meu chefe, que está de férias, e contei que coisas mudaram e que o chefão tinha conversado um pouco comigo à respeito. Só não disse o quê. Ele me responde que não estava sabendo de nada direito, que estava se sentindo estranho por isso, mas que estava curioso pra saber o que estava acontecendo. E completa: "Estou ansioso para voltar e saber das mudanças, poder discutí-las com você e pensarmos em soluções. Vou ficar satisfeito se pudermos fazer isso juntos."

Posso contar que, apesar da insegurança ainda estar por perto (porque está perto de todo mundo na empresa mesmo), estou me sentindo um pouco nas nuvens?

As próximas semanas serão interessantes. Essa mais ainda, tirei folga. (depois eu conto)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O que não dizer a uma mulher

- Nossa! Você já tem cabelos brancos? (primeira coisa)
- Nunca reparou? Já tenho vários. (fingindo que não me importo)
- Quantos anos você tem realmente? (segunda coisa)
- 29. (fazendo um esforço ainda maior para mostrar que não me importo)
- Estou começando a ter cabelos brancos só agora, com 43. (terceira coisa)
- Bom pra você. (sorriso amarelo, desisti de fingir)

Bato, mato, trucido ou jogo no lixo?

Nenhuma das alternativas anteriores.

Foi o fofo chefe.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O povo aprende

A senhora minha mãe já cansou de receber umas respostas atravessadas, tadinha, de tanto que ela já me apertou pedindo um neto (deixa pra próxima vida, tá?). Aí, sabe como é, mãe é bicho esperto e aprende a mudar de tática rapidinho, até porque conhece bem os filhos que tem.

Esse final de semana, como sempre faço, ligo pra ela. No meio da conversa, ela pergunta:
- E aí, nenhuma novidade?
- Não.
- Nenhuma mesmo?
- Não, mãe, tudo normal.
- Assim, nem um bichinho de estimação? Um gato? Um cachorro?
- Hahahahahahahahahaha
- Que foi?
- Nada, mãe. Já se viu criar bicho em apartamento? QUE-RO não!
- Que pena!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nove coisas aleatórias

Para mim, missão dada é missão cumprida, por isso, vou contar nove coisas sobre mim que eu acho que ninguém sabe. Oh well, vejamos, você tem um blog e acha que tem ainda alguma coisa que as pessoas não saibam... pois é.

Como eu sou uma pessoa esperta, lembrei que já fiz um meme desse no ano passado, mas com seis coisas que acabaram virando sete. Vou deixar o link aqui e acrescentar mais duas, certo? Certo.

8.  Eu quero tirar a carteira de motorista alemã (calma, ano que vem apenas) só para poder ter uma moto. Enquanto alguns sonham com carros conversíveis, eu sonho em ter uma Harley (sonhar ainda é de graça...).

9. Meu nome ia ser Magdaline! Gente, o que uma mãe pensa quando quer colocar um nome desses numa criança? Bullying na certa, viu? Graças a Deus, segundo a minha própria genitora, eu a fiz mudar de ideia com um chute na barriga toda vez que ela falava esse nome. Geniosa desde o ventre.

Por hoje é só, pessoal!

sábado, 23 de julho de 2011

FAQ - 21. Como é trabalhar numa empresa alemã?

Estou devendo esse post a um monte de gente (duas) que me perguntaram por email como é trabalhar numa empresa alemã.

Seguinte: As duas primeiras semanas foram super esquisitas. Eu lembro de chegar em casa e contar pra marido: "Nossa, o povo lá é muito sério!", "Nossa, o povo lá é muito concentrado!, "Nossa, isso!", "Nossa, aquilo!"

Tirando o meu chefe que já foi logo "se abrindo" para mim desde o primeiro dia (eu até já disse que ele parece mais brasileiro que alemão, e ouvi de volta que sou mais alemã que brasileira...detalhes), todo o resto do povo era muito sério.

MENTIRA!

Sabe aquela coisa de: não te conheço, não vou te dar ousadia? Pois é. Foram duas semanas de reconhecimento de território. Da parte deles e da minha. Eles nem entravam na minha sala (que ainda é do meu chefe e do cara lá que eu rodei a baiana).

Aí o tempo foi passando, fui conhecendo um e outro e pá! Olha o povo fazendo piada e dando risada? Entrando na minha sala pra me dar bom dia e me desejar bom final de semana? Pois é.

Alemão é reservado. Ele se dá o direito de te conhecer primeiro, de saber se você é assim ou assado, do tipo que aceita brincadeira ou não e aí vai entrando na sua vida devagarinho. Mas, ninguém tenta "entrar na minha semana". O que já acho bom.

Sobre a rotina de trabalho, acho mais leve, não só porque sou estagiária (oi? mentira!), mas porque o pessoal não é muito ligado a horário, ao fato de você estar montando um relatório ou lendo um artigo de interesse da empresa, que fique claro, na Internet. Dá 17h na sexta-feira, e o povo já se mandou.

Se chegam atrasados também (oi, eu já fiz isso), ninguém pergunta o porquê. No fundo, o pessoal sabe que você vai descontar no final d0 dia. Compensação de horário, né? Opa, saí 18h ontem (o normal é 17h30). Amanhã, pá, chego às 09h30 (o normal é 09h).

No caso da empresa aonde trabalho, por ser pequena, não há muito a questão da hierarquia. Mas, rola competitividade, sim. Entre eles, os chefões. Eu fico na minha, vendo aonde o barco vai parar e fazendo o melhor que posso fazer. De vez em quando, em momentos que acho apropriados, dou minhas "cutucadas", como vocês já leram aqui. Porque inteligente é aquele que sabe a hora de atacar e não o que fica atirando pra todos os lados, né? E vou conquistando a confiança do povo, e do meu chefe, principalmente (além do poderoso-chefão, claro).

Trabalho de equipe é outra coisa que vejo que é totalmente diferente do que conheço. Existe trabalho de equipe, existe o reconhecimento (foi Fulano que deu essa idéia, Beltrana que montou esse gráfico...), mas falta entrosamento. Falta chegar pro colega e perguntar: "e aí, cara, está precisando de ajuda?" Se você não pedir, ninguém te oferece.

Tirando fatores culturais (tipo: não bater palmas na hora do parabéns de um colega. Rá!), o dia a dia é como toda empresa, usam as mesmas ferramentas, as mesmas teorias "administrativas", mesmos processos. Só um detalhe ou outro diferente. Porque o conhecimento é universal, né? Ui, viajei nessa!

Enquanto isso, vou ali me preparar para mais uma semana. Entendam: relaxar! ;)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Porque, às vezes, o melhor é frear...

De: Eve
Para: Line
Data: 19 de julho de 2011
Assunto: Só procê saber...

que seu comentário hoje lá no blog me ajudou a tomar uma decisão consciente e sem arrependimentos. rs

Estava no caminho pra fazer uma entrevista para uma vaga de mestrado, quando lembrei o que vc tinha falado sobre metas, se preocupar demais com o futuro e cobrar muito de nós mesmas.
Eu queria fazer um mestrado logo para poder valorizar meu currículo aqui (apesar de já ter um MBA, mas no Brasil e alemao é muito fresco com isso), mas ainda nao me sentia segura o suficiente com o alemao para encarar colegas, provas, trabalhos e apresentações num mestrado...além dos estudos e as centenas de palavras novas que ia conhecer por dia. Sem deixar de trabalhar ainda por cima. Mas, mesmo assim, achava que era isso que eu tinha que fazer ESSE ANO e que eu teria que dar conta.
Com isso, no trabalho, o povo fica me pressionando (de um jeito educado e sutil) para eu falar inglês também, a empresa está ficando internacional e tal.

Aí eu pensei, meu Deus, é coisa demais pra mim, eu não tenho mais 20 anos (porque naquela época a gente fazia tudo isso e mais um pouco, só que em português, né?). Será que estou tomando a decisão certa? Será que não estou caminhando para o stress e o fracasso por excesso? Que tal dar uma freada? Ano que vem eu posso tentar a mesma vaga novamente.
Aí, plim, olha lá o que a Line escreveu no blog. Preciso pensar um pouquinho mais em mim e respeitar o meu tempo.
Apesar de eu já saber que nao era a coisa a certa a fazer, e mesmo assim querer fazer, por implicancia e impaciência, faltava o "plim" para eu desistir conscientemente e agora nao estar agarrada no travesseiro chorando arrependida e me achando uma medrosa e fracassada.

Pois é. Obrigada! ;)

Bjs!

Tal qual como escrevi. Tinha acabado de voltar da universidade. Emoções à flor da pele ainda. Nem cheguei a entrar na sala para a entrevista. Tive que esperar 20 minutos, tempo suficiente para olhar o quadro de notas dos alunos desse ano, ver que eles fazem trabalhos, apresentações e provas finais, me imaginar na sala de aula, na correria de trabalho, chegando em casa estressada e ainda tendo que decorar vocabulário e estudar assuntos novos, total concentração...

Quero acreditar que não amarelei. Só respeitei meu tempo, e como a Line disse em seu email de resposta, decidi viver a vida.

Ano que vem tento de novo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Aconteceu no final de semana

A pessoa acorda com o espírito da Faxina no corpo.
O que a faz pensar que deve estar doente, porque a última coisa no mundo que ela gostaria de fazer na vida é faxina.
Mas, né, resolve atender essa "vontade" e vai lavar o banheiro. (Não que ela só lave o banheiro quando dá vontade. Vocês entederam.)
Porque ela queria porque queria lavar os azulejos do banheiro de cima a baixo. Péssimo sinal.
Vai lá, tira as coisas do banheiro, coloca no chão do corredor e pega um balde com água e desinfetante/sabão. Ah sim, a esponja também, né?
E lá vai ela, água prum lado, esponja pro outro, um "lá lá lá" aqui, um "lerê lerê" acolá.
Toda feliz, se sentindo a melhor das donas de casa.
Tá. O que não falta é coisa para lembrá-la, que ela pode ser uma ótima contadora de história, mas uma péssima dona de casa.
Porque, senhoras e senhores, a pessoa burra-maluca-tirada-a-faxineira esqueceu que a maioria dos banheiros alemães, incluindo o da casa DELA, não tem ralo!
Para onde vocês acham que essa "chuva" de água das paredes foi?
Para onde?
Ganha um doce quem respondeu: corredor.
E o que tinha no corredor?
Tudo aquilo que não podia ser molhado que ela tinha posto no chão!
E mais o tapete. Claro. Porque quase toda casa alemã tem tapete nos corredores.
Argh!
Eu sabia que só podia dá %$#@&!

Pelo menos agora eu sei: quando o espírito da Faxina aparecer por aqui, vou chamar um exorcista! Rá! (meu sonho de luxo é poder contratar uma Putzfrau...)