quarta-feira, 30 de junho de 2010

Rindo de si mesmo

O nome do meu blog já diz qual é o propósito da minha vida na Alemanha: rir de mim mesma.
Vivendo com um alemão há quase sete anos (tudo isso?), conversando, pesquisando, observando, sei que a vida aqui não são só flores. Existe a adaptação, o fato de ser estrangeiro até quem nasce aqui, a nova carreira profissional, os impasses quase eternos com a língua, entre outras coisas.

Minha sorte é que marido também já foi estrangeiro no meu país. Morou 15 anos no Brasil. E ele me mostra coisas que não consigo ver, me diz pra ter paciência, confessa que o segundo ano é o pior, pois você já sabe a língua, já passou a empolgação da novidade e tem que por a cara pra bater.

Por isso, eu quero rir disso tudo. Quero falar dos micos com a língua, quero admitir que faço besteiras. Quero saber que aquilo que me afligiu dias atrás, agora é motivo de risada. Quero levar a vida com mais leveza.

Mas, ó, não era nada disso que eu queria falar. Eu queria falar mesmo é da minha enteada. Eu tenho dois, a menina tem 15 anos e o menino tem 13 e estão aqui desde o dia 31/05 e ficam até o dia 21/07. Moram no Brasil com a mãe.

Minha enteada já cresceu, amadureceu nos últimos dois anos, pois as circunstâncias pediram. Ela é deficiente. Há um ano e meio atrás fez algumas cirurgias que prometiam que ela voltasse a andar. Com muita fisioterapia e força de vontade, ela já dá os primeiros passos de muleta. Eles vieram pra cá não só para férias, mas para que ela tirasse os pinos de suas pernas. O médico só pode tirar os de uma.

Ontem, na troca dos curativos, ela percebeu que o corte já estava plenamente cicatrizado e solta as pérolas:
"Eu estou parecendo uma boneca de pano."
"Por quê?"
"Olha só! Estou cheia de linha de costura."

Algumas risadas descontroladas depois, ela, de novo:
"E agora estou parecendo uma parede."
"Parede?"
"É. Estou toda descascada."

E rindo assim, ela vai enfrentando seus obstáculos e conseguindo vencê-los.

Pronto. Parei com isso. Esse blog está ficando com cara de sério e eu quero é rir!!!

Convite de "amigos"

Esses dias estava lembrando de uma conversa que tive com uma colega da e na época da faculdade, coloca aí quase uns 10 anos (Oh MÉU DÉUS! Como eu estou velha!). Ela dizia que tinha conhecido um casal de brasileiros que morava na Alemanha e eles a tinham convidado para morar lá (aqui).

Ela estava insatisfeita com a vida, decepcionada com o namorado, sem emprego e querendo sair de casa. Terreno maravilhoso para um convite desse tipo.

Eles diziam que ela arrumaria emprego rápido, que o curso que ela fazia na faculdade era super requisitado pelas bandas de cá e que ela ia ficar rica em pouco tempo.

Ela era bonita, morena, pernão, bundão. Um tipo exótico para os alemães. Eu, que já conhecia um pouco da Alemanha, lendo e pesquisando casos como o dela, claro, tentei fazê-la desistir desse plano maluco.

Mas, eu era despeitada, né? Estava com inveja da oportunidade que ela estava tendo e ela não me ouvia.

No fim, graças a Deus, ela achou uma solução mais confortável. Não ia dar certo mesmo. Eu já sabia qual seria o destino dela, mesmo que ela não acreditasse em mim.

E eu sabia pelo simples fato de que não existe a profissão de contador/contabilista na Alemanha e esse era o curso que ela estava fazendo na faculdade.

Infelizmente e provavelmente, ainda tem gente que acredita nessas promessas.

Eu não vou ter que desenhar a história toda para vocês entederem do que ela escapou, né?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Definindo o visto

Meu "termine" no Ausländerbehöder foi marcado. Dia 15/07, às 14h. Nesse horário, levando toda a documentação que eles solicitaram, terei meu visto:
- Foto atual;
- Meu passaporte;
- Identidade de marido;
- Comprovante de renda dos últimos 3 meses dele;
- Contrato de aluguel do apto completo, inclusive, onde indique tamanho em metros quadrados do apto;
- Plano de saúde meu e de marido;
- Meu comprovante de residência.

Só isso tudo.

Ainda levarei de brinde meu diploma e o certificado de conclusão do B1 de alemão. Acho que isso irá deixá-los impressionados. rsrs

Até lá, mesmo meu visto de turista vencendo no dia 07/07, poderei ficar tranquila, pois, como o compromisso foi marcado, é como se meu visto tivesse sido prolongado até lá.

Sorte pra mim.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FAQ - 11. Você depende do seu marido?

Algumas mulheres que desejam vir pra Alemanha, devem se perguntar se é bom largar a vida no Brasil, onde muitas têm trabalho e um bom salário, para seguir o marido (alemão ou não) para outro país.

Sabe que eu nunca me preocupei com isso? Não que eu não tenha pensado sobre isso, só que nunca foi uma preocupação, pois eu sempre soube que seria por algum tempo apenas, que eu encontraria um trabalho depois de aprender o alemão, depois do primeiro ou segundo ano e tudo estaria resolvido.

O problema não é depender financeiramente do marido. O problema é, se ele - ou o dinheiro - faltar um dia, eu poderei recomeçar de algum jeito? Como a resposta é sempre positiva, não me preocupei.

Eu posso voltar pro Brasil a qualquer momento, posso retomar meus projetos, posso criar novos, posso ter tudo novo ou de volta. Ponto. Eu NÃO dependo do meu marido. Mas, estamos juntos. Apostamos nessa vida nova e ela está funcionando. Isso é o que importa.

Você quer ter o seu dinheiro? Claro que sim. Porém, contudo, todavia, não é porque eu sou orgulhosa e não aceito esmola de marido, é porque eu quero construir algo, realizar coisas, ter objetivos, uma rotina profissional da qual eu sinto falta, ajudar meus pais, poder contribuir para o orçamento de uma viagem de férias, quero tornar NOSSA vida mais fácil. E ter um "pé de meia" nunca é ruim.

Eu tenho que pedir dinheiro pra comprar calcinha, absorvente, esmalte, shampoo? Tenho. Sofro com isso? Nem um pouco. Porque somos uma família. E quando eu estiver trabalhando de verdade, ganhando em euros, serão dois salários para as mesmas compras, a mesma vida. Só vai facilitar e não separar.

Concordam?

domingo, 27 de junho de 2010

Pausa para os comerciais

Pra não dizer que é só brasileiro que pensa nisso, propaganda de um tênis que promete "levantar" a bunda das alemãs.

Tá bom. Sei. Acredito. An-ham!

sábado, 26 de junho de 2010

Quê?

E se eu disser para vocês que o maior número de visitas que recebo do Google é através da frase:

"alemães são frios"

vocês acreditam?

Eu vou ter que dizer de novo? Não, não são.

No máximo, são reservados, discretos e, principalmente, RESPEITAM o seu espaço.
Eles não vão se aproximar demais, não vão perguntar demais, não vão falar com você te tocando, não vão fazer algo com você sem te perguntar antes, não vão se auto convidar para festas, não ficam chateados se não forem convidados, não falam alto, não ouvem música alta, não ficam falando (muito) da vida alheia, são prestativos - o que, necessariamente, não significa que sejam super educados - e tentam sempre te ajudar a resolver os seus problemas.

Se isso é ser frio, então, tá. Eles são frios.

P.S. Sogras não entram nessa categoria. Sogra é sogra em todo lugar. Viu, D. Flor? rsrs

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A culpa é de vocês!

Hoje foi o último dia do curso. Para mim, foi o melhor "módulo" até agora. Com o B1 e o meu querido professor, óbvio, consegui entender um pouco mais da gramática alemã e sua lógica um pouco controversa.

*Pausa. Gramática com mais excessão do que regra tem que ser controversa. Fim da Pausa.*

Só que tem, exatamente, três semanas que eu não estudo lhufas, patavinas, nadica de nada! Tudo por culpa de vocês! Não. Não são vocês, os leitores. São vocês, os outros. Aqueles que estão na minha casa, roubando a minha concentração. E o sol lá fora, o clima de verão e os passeios que temos feito, consequentemente.

E as férias que chegam com o fim das aulas também. Dois meses. É sempre a mesma desculpa:

"Nas férias vou tirar uns dias para estudar alemão."

Ah para, né? Eu sei que eu não vou estudar PN!

Mas, eu preciso, eu tenho que. Principalmente, vocabulário. Vocabulário. Aquele bicho escroto que fica atrás de mim (Uepa!) o tempo todo! Buzinando coisas na minha cabeça: verbos, adjetivos, advérbios, substantivos...

Oh céus, penitência pra mim, penitência!!!

Quantas orações (Nebensatz oder Hauptsatz?)* tenho que rezar hoje?


* subordinada ou principal?