terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Das coisas que andei reavaliando e aprendendo

- Tem muita gente simpática e boa no meu mundo.
- Você pode ser simpático, sem ser extravagante.
- Você pode tratar as pessoas de forma educada e cordial sem nenhum interesse por trás.
- Você pode ter suas crenças e valores sem interferir nas dos outros.
- Quando se respeita, se é respeitado.
- Existem muitas formas de você fazer a diferença em um ambiente.
- O que para mim é besteira, para o outro é um "negoção".
- Coisas simples podem facilitar a vida.
- Eu tenho muitas qualidades, uma delas é fazer você sorrir. Sorria.
- O sistema pode ser muito injusto. Mas, as pessoas podem consertar essas injustiças.
- Existem as pessoas que ficam em casa esperando a banda passar. Existem os que compõem a banda. Existem os compositores. Qual deles você é?
- Nunca julgar alguém por se encaixar na categoria "estrangeiro", "desempregado", "pobre". Você não sabe em que mundo ele vive. Cada pessoa é um.

E bora lá para mais um dia fora da minha bolha.

Bichinhos de Jardim

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Germania

Vocês lembram que em alguns posts eu já destaquei que acho o país feminino? É o artigo de mundo (Die Welt), é a forma como os homens cruzam as pernas (rsrsrs) e tantos outros fatores que me fazem pensar sempre no feminino por aqui.

Uma vez, muitos meses atrás, estivemos no Museu Histórico aqui em Berlin, onde pudemos acompanhar a história da Alemanha desde o tempo dos celtas até os dias atuais. Algumas imagens, dentre tantas que eu vi, me chamaram a atenção. E de lá pra cá sempre fiquei pensando nessa coisa do feminino por aqui. Eu não sou nenhuma expert nesse assunto (Jux?) e posso estar falando um monte de besteiras. Perdoem essa pobre cristã.

Anyway.

As benditas imagens a que me refiro são de Germania. Pausa: Germania era o antigo nome da região que hoje é a Alemanha, por isso, em inglês é Germany. (Dãããã. Alguém poderia não saber, tá? Foi mal.) Fim da pausa. E todas elas são mulheres. Todas. Em algum momento, quando o país/região começou a ser retratado por uma "personificação", foi retratado como mulher. Como vocês podem ver aqui nesse link (em alemão). Grande coisa, vocês irão pensar. Mas, imaginem aí, a "personificação" de Berlin é um urso... A da Alemanha poderia ser um bicho, um deus mitológico (Thor?), mas, não, é uma mulher.

Elas aparecem representando o povo, o nacionalismo alemão (termo usado com muito cuidado aqui para não ser mal interpretado) e pode aparecer como uma guerreira (principalmente por trajar os símbolos/armas do país).

Tá, eu sei que Germania é um nome feminino. Mas, insisto, eles bem poderiam ser machistas o suficiente para não aceitar isso, né? E a Alemanha também já teve um monte de nome, de reino, de povo... Olha aí os saxões, os anglos, os alemanes... Sei lá, estou viajando na maionese.

As imagens que me fizeram "viajar":
Germania auf der Wacht am Rhein - Lorenz Clasen (1860)
Die Germania - Philip Veit (1848)
Germania - F. A. von Kaulbach (1914) (1a. guerra, né?)
Então, Alemnha é A Alemanha mesmo. ;)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quando uma música é suficiente

Na quinta, dia 02, fui com a amiga espanhola, visitar o coral de meu cunhado em Potsdam. Em uma das vezes que estive lá, eu os vi ensaiando uma música alemã do tempo da DDR (quando a Alemanha era dividida em leste e oeste) e me encantou. Lembro que depois desse dia, cheguei em casa, procurei a música na Internet, o texto e fiz a tradução.

Contei isso pra ele, claro. E aí, ele faz o coral cantar pra mim a música que já nem estava mais no repertório deles como presente de aniversário. Eu quase chorei. Mas, me segurei pra não passar vergonha. Eu não sei explicar como ou porquê essa música toca em mim. Aliás, eu sei. É só vocês ouvirem a música e lerem a letra traduzida que irão entender.


Über sieben Brücken musst du gehn (Peter Maffay)

Manchmal geh ich meine Straße ohne Blick (Às vezes, caminho sem visão)
Manchmal wünsch ich mir mein Schaukelpferd zurück (Às vezes, desejo meu balanço de volta)
Manchmal bin ich ohne Rast und Ruh (Às vezes, estou sem descanso e sossego)
Manchmal schließ ich alle Türen nach mir zu (Às vezes, fecho portas atrás de mim)
Manchmal ist mir kalt und manchmal heiß (Às vezes, sinto frio, às vezes, calor)
Manchmal weiß ich nicht mehr, was ich weiß (Às vezes, não sei mais o que sei)
Manchmal bin ich schon am Morgen müd (Às vezes, já estou cansado pela manhã)
Und dann such ich Trost in einem Lied (E então, procuro consolo numa canção)

Über sieben Brücken mußt Du gehen (Sobre sete pontes você deve passar)
Sieben dunkle Jahre überstehen (A sete escuros anos resistir)
Sieben mal wirst Du die Asche sein (Sete vezes você se tornará cinzas)
Aber einmal auch der helle Schein (Mas, uma vez também, a luz brilhará)

Manchmal scheint die Uhr des Lebens stillzustehen (Às vezes, parece que o relógio da vida para)
Manchmal scheint man immer nur im Kreis zu gehen (Às vezes, parece que se anda sempre em círculos)
Manchmal ist man wie von Fernweh krank (Às vezes, é como estar doente de saudade)
Manchmal sitzt man still auf einer Bank (Às vezes, senta-se quieto em um banco)
Manchmal greift man nach der ganzen Welt (Às vezes, agarra-se o mundo inteiro)
Manchmal meint man, daß der Glücksstern fällt (Às vezes, pensa-se que a estrela cadente caiu)
Manchmal nimmt man, wo man lieber gibt (Às vezes, toma-se onde seria melhor dar)
Manchmal hasst man das, was man doch liebt (Às vezes, odeia-se o que se deveria amar)

Über sieben Brücken mußt Du gehen (Sobre sete pontes você deve passar)
Sieben dunkle Jahre überstehen (A sete escuros anos resistir)
Sieben mal wirst Du die Asche sein (Sete vezes você se tornará cinzas)
Aber einmal auch der helle Schein (Mas, uma vez também, a luz brilhará)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Te conheço?

Eu estou dizendo que nessa cidade só tem gente fina e legal e o povo não acredita! Hahahaha

Vou contar o que aconteceu. Estou eu no trem (S-Bahn) com uma colega conversando no alemão que a gente sabe, né? Do jeito que a gente se entende. Apesar da colega ser espanhola, nós ficamos no alemão mesmo, porque a moça fala o espanhol mais rápido que eu já vi na vida, e meu espanhol portunhol não acompanha. Esse povo não respira, não? Fora que ela é linda, mas eu não quero ferir meu ego, então, deixamos essa parte pra lá.

Aí, do nada, me aparece um cara que parecia ser alemão, olha pra minha colega e pergunta:
- Spanisch?
Ela se assuta e diz que sim.
- Dónde és?
- Espanha.
- Como se llamas?
- Ane.* (nome trocado pra proteger a identidade da testemunha)
- E tu?
- Eve.

Sorriu pra gente e seguiu caminho até encontrar outra moça no meio do trem e fazer as mesmas perguntas e acertar mais uma vez. A gente riu da situação, né? Acho que ele soltou a pergunta no ar, só porque não somos loiras de olhos azuis e deu sorte de acertar.

Na hora de ir embora, ele passou novamente por nós e gritou:
- Hasta luego!

A verdade é que ele fez a primeira aula de espanhol e queria saber se tinha aprendido a lição. Além de ter esquecido de tomar o remedinho.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

FAQ - 16. Porque eu gosto de Berlin?

Berlin é uma cidade de 3,5 milhões de habitantes. Esse número pode assustar quem cresceu numa cidade de 20 mil, morou em uma média e sai de repente pra cá. Já falei disso aqui.

Mas, ao contrário do que parece, Berlin não é uma verdadeira metrópole. Como cidade-estado (pensem no DF), seus bairros são pequenos distritos, cada um com sua prefeitura e administração descentralizada. Cada um tem seu comércio, seu centro. Não há caos de cidade grande.

Como a cidade não é rica como Hamburg ou München, as pessoas são mais simples e despreocupadas. Você pode sair de pijama e ninguém irá notar. Ok, irão notar. Mas, não irão perder tempo olhando com criticidade.

A cidade é bonita. Tem beleza para todos os gostos. Tem natureza, cultura, arte, história... Você está andando por uma rua e descobre um monumento. Está no metrô e entra um músico que te faz sorrir.

Por ter muitos estrangeiros, existe tolerância (tolerância é diferente de aceitação, hein!). Se eu falo alemão errado, não vão me olhar de cara feia. Vão rir, às vezes me corrigir e, principalmente, vão entender.

Eu adoro descobrir coisas em Berlin. Espero continuar nesse ritmo por muito tempo ainda.
Neve? Que neve? Vou fingir que nem vi!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Esqueci de contar

Ganhei alguns presentes de marido no meu aniversário. Claro, ele que não me desse. Hunf! Não sou baixinha, mas sou braba. Ok, perto dele, eu sou baixinha...

Dentre os presentes, ganhei um fofo par de hausschuhe. Sim. Parecidos com esses aqui da foto:

http://www.sheepskin24.de/images/real/5/lammfell_hausschuhe_damen.jpg 
Mas, mais bonitinho, com estampas. Esses sapatos são usados dentro de casa, para esquentar os pés no inverno que já chegou de arrebentar o boca do balão pelas bandas de cá.
Daí que marido é romântico ao jeito dele, né? Não vou reclamar.

Ele vira e diz:
- Esse presente eu comprei mais pra mim do que pra você.
- Por quê?
- Porque assim você esquenta os seus pés e não encosta seu pé gelado em mim na hora de deitar.

Não disse? Um fofo, né?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dois pesos, duas medidas

Essa aqui, só quem vai entender é quem é ou já foi expatriada(o).

Antes de conhecer a vice-presidente da Ong, perguntei ao outro colega voluntário, turco, se ele já a conhecia. Ele disse que sim. Perguntei se ela também era turca.

Aí vem a resposta mais interessante que eu já ouvi de alguém que mora na Alemanha há 40 anos e é alvo de críticas e preconceito (por conta de sua nacionalidade) já que não é alemão alemão (mas com filhos que já nasceram recebendo o passaporte alemão):

- Ela é turca. Mas, não é turca turca, sabe?
- Oi?
- É. Por exemplo, eu sou turco puro. Ela é misturada. Na árvore genealógica (Stammbaum) dela tem turco, curdo, e outros grupos que moram na Turquia.
- E isso é ruim? (Eu perguntei pra provocar, claro)
- Claro.
- Oi?
- É porque eles têm culturas muito diferentes.
- Mas, um país com muitas culturas é um país muito rico, igual ao Brasil.
- Ah, mas o problema é que esses grupos (étnicos) querem manter sua cultura e se isolam.
- Ahhhh, tá!

Tipo, oi? Não preciso explicar, né?