Eu tenho uma colega espanhola no curso. Ela é linda. Eu acho. É inteligente, tem um estilo chique, alternativo, todo dela, cabelos negros todo repicado, olhos verdes, traços finos, alta, pernão, coxão.
Na hora de falar, quando ela não consegue ou não sabe uma palavra ou outra, faz cada careta. Mas, ela é tão bonita que as caretas ficam interessantes.
E fala palavrão!
Solta cada "caralho" naquela sala que é uma beleza. E fica vermelha quando ela sabe que a gente percebeu que era palavrão.
Ela tem um jeito tão honesto (e irônico) de ser, que a primeira pérola que ela soltou quando o curso começou foi:
"Meu namorado foi só um pretexto para vir morar aqui em Berlin."
Eu digo o quê depois dessa?
quinta-feira, 8 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Sincronicidade - Parte 02
Eu tinha duas preocupações principais quando decidi vir morar na Alemanha.
A primeira de sempre: a solidão de minha mãe. Não que ela seja uma pessoa sozinha. Ela tem irmãos, cunhados, sobrinhos, afilhados e amigos perto dela. A solidão de minha mãe é a casa. Ela tem uma casa grande, feita para uma família que está espalhada nos cantos desse mundo. O marido é caminhoneiro desde sempre. Meu irmão mora em SP há quatro anos. E eu, que podia estar com ela sempre que dava vontade, vim parar aqui. Ou seja, ela passa os dias sozinha em casa. Quando volta do trabalho, encontra uma casa vazia. Quando vai dormir, muitas vezes, dorme sozinha. E eu ficava de coração apertado quando pensava nisso.
A outra preocupação é de ordem prática. Com a mudança pra Alemanha, teria que parar de trabalhar e recomeçar minha vida profissional por aqui. Isso não seria um grande problema, porque estou nova, se não fosse por um detalhe: meus pais sempre foram autônomos e cometeram o erro de não planejar a aposentadoria. Desde sempre, eu sei que teria que ter uma renda que pudesse ajudá-los nessa fase. Só que meus pais estão velhos e cansados. Apesar de novos, envelheceram com o peso do trabalho e da vida. As estradas acabaram com o meu pai. O esforços de minha mãe como cabeleireira e, agora, costureira, acabaram com suas articulações. Por isso, a urgência de uma aposentadoria chegou mais cedo do que eu esperava. E eu estou aqui, recomeçando e sem renda extra para eles.
Mas, como mostrei nesse post aqui, o universo conspira a nosso favor.
Um belo dia, meu pai, em mais uma das suas viagens nesse mundão de meu Deus, encontrou alguém de uma forma bem inusitada.
Num posto de gasolina:
"Quem é o dono daquela carreta assim e assim?"
"Sou eu."
"Senhor, eu te ultrapassei na estrada umas três vezes e fiquei pensando numa coisa: você não quer trabalhar para mim?"
"Como?"
"É que eu tenho uma fábrica de postes, que está trabalhando para a empresa de energia do estado, e preciso de carretas para transportar o material. Você tem interesse?"
"Claro. Mas, quais as condições?"
"São essas e essas. Te contrato por um ano, que é o tempo em que dura o serviço."
"Acho que dá pra fazer."
"Só tem uma coisa, são viagens entre as cidades tal e tal."
"Maravilha! Fica 20km da cidade em que moro."
É inacreditável, mas assim que aconteceu.
E agora meu pai tem um bom contrato de trabalho por um ano - tempo que preciso para achar o meu - e está todos os dias em casa!
As minhas duas principais preocupações foram para onde? Para o saco! Gott sei Danke.
A primeira de sempre: a solidão de minha mãe. Não que ela seja uma pessoa sozinha. Ela tem irmãos, cunhados, sobrinhos, afilhados e amigos perto dela. A solidão de minha mãe é a casa. Ela tem uma casa grande, feita para uma família que está espalhada nos cantos desse mundo. O marido é caminhoneiro desde sempre. Meu irmão mora em SP há quatro anos. E eu, que podia estar com ela sempre que dava vontade, vim parar aqui. Ou seja, ela passa os dias sozinha em casa. Quando volta do trabalho, encontra uma casa vazia. Quando vai dormir, muitas vezes, dorme sozinha. E eu ficava de coração apertado quando pensava nisso.
A outra preocupação é de ordem prática. Com a mudança pra Alemanha, teria que parar de trabalhar e recomeçar minha vida profissional por aqui. Isso não seria um grande problema, porque estou nova, se não fosse por um detalhe: meus pais sempre foram autônomos e cometeram o erro de não planejar a aposentadoria. Desde sempre, eu sei que teria que ter uma renda que pudesse ajudá-los nessa fase. Só que meus pais estão velhos e cansados. Apesar de novos, envelheceram com o peso do trabalho e da vida. As estradas acabaram com o meu pai. O esforços de minha mãe como cabeleireira e, agora, costureira, acabaram com suas articulações. Por isso, a urgência de uma aposentadoria chegou mais cedo do que eu esperava. E eu estou aqui, recomeçando e sem renda extra para eles.
Mas, como mostrei nesse post aqui, o universo conspira a nosso favor.
Um belo dia, meu pai, em mais uma das suas viagens nesse mundão de meu Deus, encontrou alguém de uma forma bem inusitada.
Num posto de gasolina:
"Quem é o dono daquela carreta assim e assim?"
"Sou eu."
"Senhor, eu te ultrapassei na estrada umas três vezes e fiquei pensando numa coisa: você não quer trabalhar para mim?"
"Como?"
"É que eu tenho uma fábrica de postes, que está trabalhando para a empresa de energia do estado, e preciso de carretas para transportar o material. Você tem interesse?"
"Claro. Mas, quais as condições?"
"São essas e essas. Te contrato por um ano, que é o tempo em que dura o serviço."
"Acho que dá pra fazer."
"Só tem uma coisa, são viagens entre as cidades tal e tal."
"Maravilha! Fica 20km da cidade em que moro."
É inacreditável, mas assim que aconteceu.
E agora meu pai tem um bom contrato de trabalho por um ano - tempo que preciso para achar o meu - e está todos os dias em casa!
As minhas duas principais preocupações foram para onde? Para o saco! Gott sei Danke.
terça-feira, 6 de abril de 2010
FAQ - 8. Afinal, esse casamento sai ou não sai?
Sai. E como sai.
Semana passada fomos no Standesamt (é asim, meu zeus?) para dar entrada nos papéis. Enfim, tínhamos todos os papéis em ordem e uma tradutora pra mim.
Pois é, leram certo. Precisei convidar uma amiga colombiana que mora aqui na Alemanha com seu marido alemão e que já moraram no Brasil por sete anos (que salada, né?) para me ajudar.
Chegando lá, a amiga tradutora tinha que dizer tudo o que a mulher estava fazendo no sistema para que eu soubesse o que estava acontecendo. Isso foi determinação da mulher mesmo. Depois eu tive que assinar um juramento onde eu afirmava que nunca, jamais, em hipótese alguma, já tinha me casado no Brasil ou na Alemanha. Só assim a mulher concluiu nosso pedido de casamento.
Só que agora, e porque o Brasil não emite uma certidão de aptidão para casar e por isso a Alemanha tem que fazer esse papel com todos esses documentos, teremos que esperar cerca de quatro semanas para um juiz dizer que está tudo ok e só depois podemos marcar a data.
Agora é esperar e torcer para dar tudo certo e esse casamento sair logo! Humpf!
Semana passada fomos no Standesamt (é asim, meu zeus?) para dar entrada nos papéis. Enfim, tínhamos todos os papéis em ordem e uma tradutora pra mim.
Pois é, leram certo. Precisei convidar uma amiga colombiana que mora aqui na Alemanha com seu marido alemão e que já moraram no Brasil por sete anos (que salada, né?) para me ajudar.
Chegando lá, a amiga tradutora tinha que dizer tudo o que a mulher estava fazendo no sistema para que eu soubesse o que estava acontecendo. Isso foi determinação da mulher mesmo. Depois eu tive que assinar um juramento onde eu afirmava que nunca, jamais, em hipótese alguma, já tinha me casado no Brasil ou na Alemanha. Só assim a mulher concluiu nosso pedido de casamento.
Só que agora, e porque o Brasil não emite uma certidão de aptidão para casar e por isso a Alemanha tem que fazer esse papel com todos esses documentos, teremos que esperar cerca de quatro semanas para um juiz dizer que está tudo ok e só depois podemos marcar a data.
Agora é esperar e torcer para dar tudo certo e esse casamento sair logo! Humpf!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Oportunidade para jornalistas recém-formados
Olha só que o-por-tu-ni-da-de!
Para jornalistas recém-formados que falem português (língua materna) alemão, nível 3 do TestDAF e que queiram morar na Alemanha, klar!
Estágio na DW, em Bonn, por 18 meses com especialização na área.
Bolsa? 1400 euros.
Mais informações aqui!
Eu queria ter estudado jornalismo... a sede da DW em Berlin é do lado do meu apê!!!
Para jornalistas recém-formados que falem português (língua materna) alemão, nível 3 do TestDAF e que queiram morar na Alemanha, klar!
Estágio na DW, em Bonn, por 18 meses com especialização na área.
Bolsa? 1400 euros.
Mais informações aqui!
Eu queria ter estudado jornalismo... a sede da DW em Berlin é do lado do meu apê!!!
domingo, 4 de abril de 2010
Como fazer um homem desistir de te incentivar a ter "independência"
Por enquanto, estou sem renda. Por enquanto!
Aí preciso pedir dinheiro pra marido para comprar algumas coisas... Eu preciso aprender a fazer compras sozinha. E ele quer isso, claro.
Daí que um dia, no início da primavera, olhando para o meu guarda-roupa, percebi que não tinha roupas "meio termo", ou tinha roupa para o inverno (as que ganhei) ou tinha roupa para o verão (as que trouxe). O mesmo com sapatos.
Inventei que, por causa disso, iria a um shopping que tem aqui perto, comprar uma saia ou short, um sapato/sapatilha/tênis/whatever e um casaquinho. Como o shopping é popular e, aqui, roupa é relativamente barata - pensando em euros, claro - decidi que 50 euros seriam o suficiente (pobre é pobre até na hora de pedir).
Marido me deu 80 e eu tinha 20 na minha carteira... Imaginem a tentação.
Depois de uma hora e meia andando pelo shopping sozinha e comprando, encontro marido, que me pergunta:
- Sobrou algum dinheiro?
Errrr.......Quer dizer.... Hihihihihihihi
Vocês sabem, né? Tanto tempo sem comprar nada, fazendo isso sozinha, num shopping. Bom, não precisa de explicação.
Saldo:
01 vestido
01 short
03 blusas
01 casaquinho
01 sapatênis
01 lenço
01 legging
Aí preciso pedir dinheiro pra marido para comprar algumas coisas... Eu preciso aprender a fazer compras sozinha. E ele quer isso, claro.
Daí que um dia, no início da primavera, olhando para o meu guarda-roupa, percebi que não tinha roupas "meio termo", ou tinha roupa para o inverno (as que ganhei) ou tinha roupa para o verão (as que trouxe). O mesmo com sapatos.
Inventei que, por causa disso, iria a um shopping que tem aqui perto, comprar uma saia ou short, um sapato/sapatilha/tênis/whatever e um casaquinho. Como o shopping é popular e, aqui, roupa é relativamente barata - pensando em euros, claro - decidi que 50 euros seriam o suficiente (pobre é pobre até na hora de pedir).
Marido me deu 80 e eu tinha 20 na minha carteira... Imaginem a tentação.
Depois de uma hora e meia andando pelo shopping sozinha e comprando, encontro marido, que me pergunta:
- Sobrou algum dinheiro?
Errrr.......Quer dizer.... Hihihihihihihi
Vocês sabem, né? Tanto tempo sem comprar nada, fazendo isso sozinha, num shopping. Bom, não precisa de explicação.
Saldo:
01 vestido
01 short
03 blusas
01 casaquinho
01 sapatênis
01 lenço
01 legging
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Páscoa
Um pequeno feriadão para descansar do curso de alemão. Do dia 02 ao dia 05. Só volto no dia 06. Iupi!!!
Esses dias em casa, recebendo e fazendo visitas. Vendo crianças procurando ovinhos de chocolate. Os dias tranquilos. Vendo crianças comendo chocolate. O jardim florindo. Vendo crianças com a boca suja de chocolate. O céu azul. Sentindo cheiro de chocolate nas ruas. A páscoa. Os ovinhos. Os coelhinhos. As crianças se deliciando de chocolate. E eu aqui.
SEM PODER COMER CHOCOLATE!!
Tanta coisa para eu herdar da minha mãe, tinha que ser, justamente, ACNE?!?!?!?!?
Esses dias em casa, recebendo e fazendo visitas. Vendo crianças procurando ovinhos de chocolate. Os dias tranquilos. Vendo crianças comendo chocolate. O jardim florindo. Vendo crianças com a boca suja de chocolate. O céu azul. Sentindo cheiro de chocolate nas ruas. A páscoa. Os ovinhos. Os coelhinhos. As crianças se deliciando de chocolate. E eu aqui.
SEM PODER COMER CHOCOLATE!!
Tanta coisa para eu herdar da minha mãe, tinha que ser, justamente, ACNE?!?!?!?!?
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Adolescentes...
Eu já disse uma vez aqui que quando volto do curso passo em frente a uma escola e seus alunos se vestem como aqueles rappers americanos. Eu sempre passo por essa escola um pouco desconfiada.
O bairro em que moro é mau visto pelos alemães por causa da concentração de turcos e de pessoas que vivem de assistência social (um assunto bem delicado no país). Mas, até que demos sorte e as pessoas que nos visitam afirmam que a região é segura e tranquila. Realmente é. Exceto por essa escola.
Eu não gosto muito de adolescentes. Acham-se infalíveis e indestrutíveis. E essa certeza os fazem derespeitar pessoas e regras. Vivem querendo passar uma imagem de segurança que eles não têm. Mostrando que são homens/mulheres, durões, procurando um lugar na sociedade que ainda não é deles. Eu não fui uma adolescente muito rebelde, nem de festa eu gostava, não andava em bando... Acho que por isso, gosto menos ainda de alguns adolescentes que conheço (como eu, existem as excessões).
E o que aconteceu dias atrás me fez rever alguns conceitos (ou comprová-los). Voltando do curso, no mesmo horário em que esses alunos saem da escola, me vi, involuntariamente, numa briga de gangues ou sei lá o que era aquilo.
Só sei que vi o grupo se formando, um arrodeando o outro, quando vi e porque não devia dar as costas antes de saber para onde ir, já estava no meio do quebra-pau. Adolescentes. Turcos. Brigões. E eu lá.
Fiz-me de invisível, passei pelo bolo da torcida que gritava "bate, bate!" e cheguei em casa inteira.
Como a briga terminou, não tenho a mínima ideia. Só sei que onde há fumaça há fogo!
Na dúvida, mudei meu caminho. =P
O bairro em que moro é mau visto pelos alemães por causa da concentração de turcos e de pessoas que vivem de assistência social (um assunto bem delicado no país). Mas, até que demos sorte e as pessoas que nos visitam afirmam que a região é segura e tranquila. Realmente é. Exceto por essa escola.
Eu não gosto muito de adolescentes. Acham-se infalíveis e indestrutíveis. E essa certeza os fazem derespeitar pessoas e regras. Vivem querendo passar uma imagem de segurança que eles não têm. Mostrando que são homens/mulheres, durões, procurando um lugar na sociedade que ainda não é deles. Eu não fui uma adolescente muito rebelde, nem de festa eu gostava, não andava em bando... Acho que por isso, gosto menos ainda de alguns adolescentes que conheço (como eu, existem as excessões).
E o que aconteceu dias atrás me fez rever alguns conceitos (ou comprová-los). Voltando do curso, no mesmo horário em que esses alunos saem da escola, me vi, involuntariamente, numa briga de gangues ou sei lá o que era aquilo.
Só sei que vi o grupo se formando, um arrodeando o outro, quando vi e porque não devia dar as costas antes de saber para onde ir, já estava no meio do quebra-pau. Adolescentes. Turcos. Brigões. E eu lá.
Fiz-me de invisível, passei pelo bolo da torcida que gritava "bate, bate!" e cheguei em casa inteira.
Como a briga terminou, não tenho a mínima ideia. Só sei que onde há fumaça há fogo!
Na dúvida, mudei meu caminho. =P
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