sexta-feira, 5 de março de 2010

Solidariedade estrangeira

Fomos a um supermercado aqui perto de casa logo quando nos mudamos. Queríamos comprar carne e wurst e fomos até o balcão.

Não está escrito na minha testa que sou estrangeira, mas eles devem ter algum radar para descobrir. Só sei que a mulher do balcão perguntou de onde eu era e marido respondeu que era brasileira. Ela disse que era croata e eles ficaram conversando um pouco e eu, lá, sem entender patavinas.

Sei lá, acho que fiquei umas três semanas sem voltar no supermercado, mas não é que a mulher lembrou de mim? E ainda, me perguntou se eu estava gostando do frio alemão. Ela ficou surpresa e feliz por ter ouvido a resposta de mim. "Na klar!"

Super simpática, desejou que eu tivesse um bom tempo no país.

Que todos nós tenhamos. Eu, ela e vocês!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mais um pouco sobre o curso de alemão

Amanhã é o último dia de aula do nível A1. A partir da próxima segunda, mudarei para a turma da manhã. Provavelmente, alguns outros colegas também mudem para esse horário, talvez outros nem continuem e outros permaneçam à tarde.

Para mim, fazer o curso pela manhã é melhor, pois quando chego em casa, o Brasil está acordando e marido também já estará em casa. Assim, posso continuar alguns de meus projetos no Brasil e tenho o resto do dia livre para curtir marido e Berlin. Há tanto ainda para conhecer...

Mas, como posso não ver mais alguns colegas de curso, gostaria de deixar resgistrado algumas coisas:
  • As três coreanas são as coisas mais fofas que já conheci. São lindas, educadas, têm o sorriso solto e falam engraçado. Gostam de fazer contato e foram as primeiras a se aproximarem de mim. Uma delas é pintora e já agendei uma visitinha para conhecer seus quadros. Ela quer estudar Teoria da Arte aqui em Berlin. Que chique! E as outras duas só estão passeando mesmo, gostam da cidade e querem morar aqui um ano. Que fino!
  • A espanhola está aqui por causa do noivo que é alemão. Sinto-a distante, pensando ainda na Espanha. Ela não gosta de Berlin e acho que está com dificuldade de se adaptar, diz preferir Madri (como, meu zeus!? como? rsrs). Acha o alemão uma língua dificílima. Como eu acho que posso melhorar os dias dela por aqui, me ofereci como sua amiga e quero apresentá-la a algumas pessoas que conheço que falam espanhol. Poder se comunicar em sua língua num país estranho também é importante.
  • Os italianos são interessantes, mas não tive muito contato. Assim, como com o japonês, por ser tão reservado.
  • A única pessoa que não me desceu bem foi o israelense. Não por sua nacionalidade, religião ou qualquer outra coisa, mas por sua personalidade. Ele é informático e muitos informáticos têm cara de nerd e uma arrogância própria. Acreditem , já trabalhei com muitos e sou casada com um que, graças a Deus, não é arrogante.
  • A americana é um caso a parte, achava que ela era japonesa, mas, na verdade, é nascida nos EUA. A voz dela é linda, tem uma postura linda e um inglês super claro e bonito. Parece ser uma pessoa muito interessante, também por ser interessada.
Espero que os dias continuem passando rápido, como esses passaram e os progressos constantes.

Como pode?

E por falar em atropelamentos...

Estávamos andando por uma estrada secundária por aqui e, em determinado trecho, vi o corpo de uma raposa atropelada.

Nosso carro era o único na estrada em centenas de metros de distância, o que me fez deduzir que esse era o movimento normal da estrada, um carro aqui, outro ali, de minuto em minuto.

Aí fiquei me perguntando:
"Como, capista, essa raposa foi atropelada?"

Cheguei à seguinte conclusão:
Ela ficou no acostamento, esperando o primeiro carro passar e pulou na frente. Era uma raposa suicida. Só pode.

A bichinha foi abandonada pelo Pequeno Príncipe.

Eu sei que não tem nada a ver com o post, mas ouço essa música sempre que preciso de um pouco mais (mais?) de empolgação. Acho a interpretação divina! Por isso quero compartilhar com vocês.



"Todo dia é dia de aprender um pouco do muito que a vida traz."

quarta-feira, 3 de março de 2010

Idiota tem em todo lugar

Daí que, na quarta passada, quando recebi a visita de Jane, também recebi a de uma amiga.

Daí que essa amiga é uma das "anjas".

Daí que ela atrosou porque é médica e estava concluindo uma cirurgia.

Daí que ela fez uma cirurgia meio que drogada.

Daí que ela também tinha passado por uma punção no ombro direito.

Daí que na segunda, ela tinha sido atropelada, arrebentou os músculos do ombro (literalmente) e estava sem tempo de parar para se cuidar.

Daí que o cara que a atropelou ainda tentou fugir e foi perseguido por uma testemunha.

Daí que eu fico sabendo hoje que o idiota que a atropelou fez uma piadinha enquanto ela estava no chão.

"Se não consegue andar rápido, tem que voar!"

Nessas horas, fico feliz por estar na Alemanha e saber que ele vai ter exatamente o que merece!


P.S. Já não tinha mais neve na cidade. Mas, "derepentemente", começa a nevar novamente. Meteorologia? O que é isso?

terça-feira, 2 de março de 2010

Manifesto para mim

Há muito tempo, eu decidi ser responsável pelas minhas escolhas.
Decidi que sou a única capaz de secar as minhas lágrimas.
Decidi que o meu destino me pertence.
Decidi ser mais autêntica.
Decidi não me deixar abalar pelas circunstâncias.
Decidi que posso fazer a minha parte.
Decidi que sou forte.
Decidi ser mais aberta a novas experiências.
Decidi não dizer não sem pensar antes.
Decidi não te olhar com indiferença.
Decidi ser diferente.
Decidi não julgar.
Decidi ser melhor.
Decidi continuar fazendo o que eu gosto de fazer.
Decidi não fechar os olhos.
Decidi parar de reclamar e agir.
Decidi que o caminho que escolho será sempre o melhor pra mim.
Decidi que as pessoas ao meu redor, todas, são especiais para mim.
Decidi que a amizade é parte de todo o resto.
Decidi que meu amor é incondicional.
Decidi sorrir de mim mesma.
Decidi sorrir para os outros.
Decidi sentir saudades, mas não me deixar cegar por ela.
Decidi ter emoções.
Decidi sentir tudo que me dá vontade de sentir.
Decidi seguir em frente.
Decidi continuar sendo feliz.

Tudo isso porque estou completamente apaixonada por Berlin!

"É melhor ser alegre que ser triste."

Mudança de perspectivas

Com a mudança, claro que tivemos que comprar móveis e eletrodomésticos. Por isso, pesquisamos bastante, andamos bastante e pensamos mais ainda para decidirmos o que comprar.

Foi pior com a máquina de lavar e a geladeira. Pesquisamos, pesquisamos, pesquisamos e acabamos comprando bons modelos numa loja que estava dando bônus de 50 euros em cada compra, período de liquidação.

Quando decidimos por um modelo de geladeira, uma S*mens, a vendedora nos informou que ela fazia mais barulho do que uma de outra marca. A geladeira foi entregue dois dias depois e a ligamos no dia seguinte.

Ao ouvir o barulho, lembro que comentei com marido que ela quase não fazia barulho algum, que era muito silenciosa e tal, que a do Brasil era muito mais escandalosa.

Dias depois, porém...

Toda vez que entro na cozinha, ouço a geladeira fazer tanto barulho que acho que é o exaustor que está ligado. =P

Meus padrões e exigências estão mudando rápido demais, OMG!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Estrangeiros

Em frente ao apartamento tem uma Moschee (um curso de alcorão/kur’an). Tem mulçumano entrando e saindo o dia todo. Têm mulheres e meninas de véu e de burca, homens e meninos com barba e sem barba... As mulheres entram por uma porta e os homens por outra. E eles sorriem, cumprimentam-se e vão embora.

No condomínio têm turcos e alemães. Dá pra identificar os apartamentos turcos através das antenas parabólicas que eles usam para captar os canais da Turquia (e pelo sobrenome nas campanhias, claro). As crianças turcas correm e brincam. Nem vejo as alemãs.

Caminhando nas ruas, vejo muitos asiáticos, muito mais do que imaginaria ver pelo bairro. São vietnamitas, cambojanos, coreanos, chineses... Fico me perguntando como é que eles falam o “R” alemão, meudeusdocéu??

Na escola em que Paulo ensina tem angolanos, croatas, russos, turcos, palestinos, poloneses, vietnamitas e alemães. Todos amigos. Todos com sua história particular.

Num restaurante grego, um garçom era albanês e o outro argentino.

No meu prédio tem um senhor negro. Ainda não descobri a nacionalidade. Deve ser alemão.

E toda vez que olho no espelho, vejo uma brasileira.