sexta-feira, 28 de março de 2014

Das coisas suaves da vida

De você ver alguém chorar na sua frente, de emoção.
De saber que essa emoção foi você que causou.
De saber que a pessoa em questão acompanhou seus últimos dois anos. Acompanhou suas dores e seus problemas.
Mas, também acompanhou seus desempenhos, os esforços e as recompensas.

Porque ela é sua amiga e sua professora de inglês. Depois de uma apresentação feita como "homework", sobre um tema sensível para mim, ela se emocionar e ver que o fruto do seu trabalho super bem feito, resultou numa apresentação "de nível internacional", como ela disse. Por saber que sua pupila começou pequenininha, já que tinha esquecido todo o inglês que sabia e mau conseguia formular uma frase por causa do alemão, mas que daqui a pouco está indo ali fazer apresentações em inglês.

Porque não foram só dois anos tendo aulas de inglês. Foram dois anos com intervalos de hospital, crises, dores, chororô, mas com o "homework" sempre sendo entregue e as aulas religiosamente sendo visitadas.

A dedição era tanta, que ela vinha na minha casa me dar aulas, quando eu não podia sair.

Porque a professora-amiga é uma ótima profissional, com uma sensibilidade incrível, um feeling que nunca vi.

E aí, ela chora na minha frente. Mas, eu sou boba e eu só percebo tudo o que isso significa quando chego em casa. Quando penso no meu progresso. Quando penso no orgulho que ela deve sentir do trabalho dela.

"Tá vendo aquela moça ali!? Eu contribui para que ela chegasse aonde chegou!"

Estou aqui fazendo a minha parte: Cássia, obrigada!

terça-feira, 25 de março de 2014

Se ficar o bicho pega?

Estava eu, linda, galega (Rosa!!!) e serelepe, voltando para casa quando vi uma bicicleta caída. Ela estava acorrentada num poste, parte dela estava no passeio, outra parte no meio da rua. Por isso, resolvi parar para erguer a bicicleta antes que algum carro passasse por cima, ou desviasse/freasse e causasse um acidente.

Quando estava lá erguendo a bicicleta, para um carro da polícia bem ao meu lado.

No primeiro segundo pensei: Coooorrrreeeeee, §$#%&'§#!!!!
No segundo: Bota mão na cabeça, chama por Deus e diz "Moço, eu não queria roubar, eu juro!"
Mas aí, no terceiro segundo, o policial abaixa o vidro e diz sorrindo: "Obrigado. Eu já queria fazer isso."

Bom, eu não tive mais nenhuma outra reação a não ser sorrir um sorriso bem amarelo (esqueci até que sabia falar com o susto, o que me faz pensar que a opção dois não daria certo) e segui meu caminho.

Depois foi que a ficha caiu com a gentileza do moço de uniforme. Que diferença. Imagina que em outros lugares, pessoa sai para comprar pão e morre arrastada por um camburão, né?

domingo, 23 de março de 2014

Too much German

Ou "das coisas que eu ainda não aprendi a gostar na Alemanha". Para mim, entram na categoria "alemão demais".

Eu estou aqui e continuo não gostando dos aspargos, mas meu paladar já mudou muito em relação a eles. Já tem outras coisas que, meu povo, não dá, mesmo que tenha tentado.  

Abre parêntesis: O que citarei não são coisas exclusivas da Alemanha, mas muito consumidas por aqui. E que vocês, leitores, podem consumir também. ;). Fecha parêntesis.

Vejamos:
Marzipan kartoffeln | Hochgeladen von: vickyyyy
O nome no pacote já diz: Batatas de Marzipan. São doces apenas. De Marzipan (uma pasta de amêndoas). Não gosto, não como, me enjoa. Muito alemão pra mim.

sauerkraut
Sauerkraut, ou o famoso chucrute. Eu até como. Mas só duas garfadas para não fazer desfeita para o marido ou para quem cozinhou. Muito ácido pra mim.
Ficheiro:Eisbein-2.jpg
Eisbein, o famoso joelho de porco, e nessa foto ainda com chucrute. Gente, não desce de jeito nenhum. Prefiro uma salada. Muita gordura pra mim.
Lakritz
Lakritz. Tipo, sério? Esse negócio tem gosto de xarope, é feito da seiva de uma raiz, se não estou enganada. Muito, mas muito alemão mesmo.

E agora, vou perder amizades em 3, 2, 1... (Nat, Vivian e Joyce que me perdoem!)

nutella
A bendita Nutella. Eu como, mas não morro de amores. Até evito, se puder. A verdade é que não sou muito fã de amêndoas e AVELÃ! (Editado para não apanhar mais. hahahahah). Olha lá minha birra com o marzipan. É igual a amendoim, como cozido, como assado, mas não como a paçoca. Vai entender, né?

Agora vocês podem me chamar de fresca! :)

quinta-feira, 20 de março de 2014

Enquanto isso, na academia...

Primeiro, um parêntesis: vocês repararam que estou cheia de "reticências" ultimamente? D. Eve, bora lá concluir as coisas na vida, faz favor? Sim, senhora! Fecha parêntesis.

Estou seguindo firme e forte com o meu Projeto Verão 2014. Indo para a academia duas ou três vezes na semana. Preciso só regularizar os horários. Porque, né, tem dia que vou de manhã, tem dia que vou à tarde, tem dia que já perdi a hora para um determinado curso. Enfim, muitas reticências. :)

Aí que eu tenho uma trilha sonora para a academia, né? Aí que eu também baixei uns audiobooks para ficar ouvindo enquanto pedalo/alongo/sofro, né? Pois é.

Aí também que não teria graça alguma ser Eve e não pagar um mico.

Dia desses estava lá nos aparelhos e comecei a rir do nada. Quase gargalhando. Claro que, para mim, não foi do nada. O áudio chegou numa parte engraçada e não tinha como prender o riso. Mas, para os outros, o povo que estava na sala comigo, ficou estranho. Talvez eles pensassem que eu estava rindo de alguém, de uma posição engraçada, ou do meu próprio fracasso em conseguir apenas 10kg (ou menos) de peso. Só sei que quando dei por mim, povo olhava pra minha cara como se eu fosse ET.

Ok. Parei de rir.

Mas, né? Ontem foi a vez de eu sair rebolando pela academia e no ritmo "todo mundo pro lado de lá!". Porque não basta dançar, tem que fazer passinho também.

A música:

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nunca pensei...

...que teria mais amigos na Alemanha do que tive quando vivia no Brasil.
E fora da Alemanha.
Fora da Europa.

Claro que muitas dessas amizades conquistei através do blog. Mas, outras, principalmente com alemães, foram por meios diferentes.

Aí me peguei pensando qual a diferença, o que mudou para que eu tenha mais amigos aqui do que tive no Brasil? As pessoas? As amizades?

No Brasil, sempre tive poucos amigos. Hoje, tenho "uma porrada" de amigos na Alemanha/Internacionais. Gente para quem eu me abro, encosto a cabecinha no ombro e choro/rio/conto piada.

Além dos amigos alemães-alemães. Esses ainda são mais especiais, porque várias barreiras foram quebradas. Foram pessoas que eu conheci porque corrí atrás. Que começaram, talvez, querendo algo de mim (ui! - aprender português, por ex.) e que hoje são meus amigos. E que fofos que são.

Tudo isso para falar que a diferença nada mais é do que eu mesma. Ter mudado de país me transformou numa pessoa mais aberta. Numa pessoa que aprendeu a valorizar e fazer contatos, as pequenas vitórias e sorri de forma mais leve, mesmo com todas os problemas que a vida de expatriada traz.

Eu rio melhor, eu converso mais, eu me preocupo mais com os outros. Como consequência, ganho amigos.

Enfim, tornei-me uma pessoa melhor. Cheers!

sábado, 15 de março de 2014

Seis meses e um pouquinho de cara de pau

Estava passeando com um brasileiro (Oi Luiz!), conversando em português, claro, quando fomos abordados por um cara:
- Vocês falam português? (em português, daaahhnnn
- Sim.
- Toma aqui. Dia 22 vai ter uma festa com ritmos angolanos no lugar tal, se vocês estiverem interessados...
E eu que não perco a oportunidade:
- Você é alemão?
- Sou.
- Aonde aprendeu português assim tão bem? Na Angola?
- Não, no Brasil.
- Aonde?
- Rio de Janeiro.
- Quanto tempo ficou lá?
- Seis meses.
- Aposto que aprendeu o português que você sabe nesses seis meses que ficou lá, né?
- Ah não, fiz dois meses de curso antes.
- Você está de sacanagem, né? Eu estou aqui há quatro anos e ainda não parei de aprender alemão...
- Ahhh, mas alemão é mais difícil.
- Não vem, não, que português é difícil também.
- ... (Acho que ele ficou com medo de eu bater nele nessa hora)

E aí tínhamos 3 sotaques juntos: o paulista, a baiana e o carioca fajuto...

Seis meses, cara... que depressão...

terça-feira, 11 de março de 2014

Nunca é tarde...

... para assistir o show da sua boyband da era de 1900 e bolinhas.

Eu tinha 14 anos quando eu descobri que, além do bom e velho rock, ainda existiam outras bandas interessantes para meninas da minha idade naquela época, como Take that, Boyzone e Backstreet Boys, a minha preferida.

Lembro que eu não tinha um CD-Player na época, mas fiz meus tios comprarem um pra mim de presente de 15 anos. Olha só. Juntava o troco do lanche da escola, já que eu não ganhava mesada, para comprar o CD deles. Ficava na contagem regressiva para comprar as revistas "capricho" da vida, que prometiam posteres e fotos, também com aquelas moedas trocadas e guardadas com tanto custo. Imaginar que poderia ir a um show deles, então, fora de cogitação. Morando no interior do interior, pior ainda.

Esse amor todo durou uns dois ou três anos. Depois mudei o foco. Até que, conversando com uma amiga alemã sobre isso, descobrimos que éramos fãs da mesma banda. E que, por coincidência, haveria um show deles em breve em Berlin. Meu coração voltou a ter 15 anos.

Sabe aquela sensação nostálgica e ao mesmo tempo redentora em que você pensa "eu não podia naquela época, mas agora eu posso!". Eu fui e cantei todas as músicas daquela época a plenos pulmões. Lavei a alma.

Cheguei à conclusão, de novo, de que nada é impossível, de que nunca é tarde. Mesmo que você tenha 32 anos, esteja assistindo um show de quase-quarentões se comportando no palco como se ainda tivessem 20 e se sentisse velha toda vez que eles falavam "esse sucesso é de 94, 99...".

18 anos depois, em Berlin. O mundo dá voltas. Graças a Deus! :D