sábado, 11 de agosto de 2012

Ali...

Um dos presentes de aniversário de marido foi um cupom de desconto para um jantar pra dias pessoas num restaurante africano (Gana). Aniversário foi em maio, cupom devidamente usado só esses dias. :)

Fomos. Lugar simples e agradável num bairro do outro lado da cidade.

Depois da entrada, recebemos um tipo de sopa/creme de cor abóbora. Garçon só falava inglês, aí a gente perguntou se era abóbora, ele disse que era inhame. Eu fiquei com cara de interrogaçao até provar.

Hummmm, delícia. Segunda colherada e, hummm delícia, esse creme tem uma pontinha de azeite de dendê, não é possível.

Mas umas colheradas e, opa, tem, sim, azeite aqui.

Aí, falo pra marido:
- Só está faltando o camarão pra virar um bobó.

Foi eu fechar a boca e abrí-la novamente pra a colherada seguinte, e:
- NossasenhoradasbaianasperdidasemBerlin!!! Isso é bobó de camarão!!!!!!

Nem preciso dizer que voltei pra casa realizada, né?

E quanto mais eu descubro, mas tenho certeza que a Bahia é logo ali.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Das antigas...

- Tenho consulta médica na terça.
- Qual médico?
- O lindo.
- Seu marido sabe que você acha isso do médico?
- É uma pergunta do século passado, não?
- Errrr...
- Não só sabe, como concorda comigo.

Diálogo entre DUAS mulheres. Tá que pariu, viu?
Na verdade, se a conversa não tivesse sido por telefone, ela teria visto a minha cara di-vi-na:
Nem falar dos laços sanguíneos de primeiro grau, porque, né, só piora.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Coisas imprevisíveis

Pra mim, pelo menos.

Depois de passar uma tarde maravilhosa, com duas amigas, no calor de 32 graus em Berlin, tomando suco de manga, comendo pão de queijo e passeando às margens de um rio (sem pessoas peladas, ufa!)*, volto pra casa e vejo que aquele céu não é mais o mesmo.

Os 32 graus permanecem. Mas, aquela nuvem escura que vem passando pela torre da Alexanderplatz, vindo em direção ao nosso apartamento significa uma tempestade de verão.

Até aí tudo bem.

Estávamos vendo as olimpíadas na TV, quando marido, que estava no escritório dele, passa como um furacão pela sala e sai do apartamento sem falar uma palavra e eu fique com cara de c* sem entender.

A chuva já havia chegado. Porém, faltava um detalhe: o barulho das gotas batendo na janela não era normal. Fui ver e pra minha surpresa não eram só gotas d´água. Eram também pedras de gelo. Popularmente conhecidas como granizo. Chuva de GRANIZO, meu povo!

Aí, o furacão que passou pela sala e ainda deixou a porta do apartamento aberta fez todo sentido. Ele tinha saído pra tirar o carro que estava estacionado na rua. Parabrisa quebrado? Não trabalhamos.

Depois, sou eu a doida. Ê tempinho, viu?

*morram de inveja! Rá!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A resposta certa

Estava lendo uma reportagem numa revista sobre um desfile de moda para deficientes realizado por um alemão em Moscou, falando um pouco também de como a cidade trata seus deficientes.

Enteada, que precisa de uma cadeira de rodas para se locomover, ficou interessada e eu li um trecho pra ela, que falava de um grupo de crianças autistas barradas ao tentar entrar num planetarium. A justificativa foi de que os outros não querem ter que olhar para eles. :O

Aí, ela fala:
- Eu também não gosto de ter que olhar para alguém com uma verruga na cara, mas nem por isso deixo de olhar ou conversar com ela.

PÁ!!! Na cara dos "normais".

domingo, 29 de julho de 2012

Por onde andei

Passamos dois dias na cidade de Breslau (Wroclaw, em polonês) na Polônia. Antes da segunda guerra, era território alemão e sua arquitetura antiga ainda pode ser reconhecida por lá. A cidade é grande, com mais de 650 mil habitantes - para o padrão alemão, claro.

Mas, o que me impressionou mesmo, foi a quantidade de shoppings que vimos. Sério. Tinha um a cada dois blocos. Tudo bem que ficamos só no centro da cidade, que é o antigo também, mas, mesmo assim, nunca vi um lugar pra ter tanto shopping e galerias.

Aqui em Berlin tem shopping, mas um ou dois, sei lá, em cada bairro. E nenhum chega a ser um "iguatemi" da vida. Lá, pareciam estar todos concentrados no mesmo lugar. Além das lojas de rua, como aqui também tem de monte. :)

O que eu gostei mesmo foi a rua/praça Rynek, um quarteirão aonde se concentram bares e restaurantes na cidade antiga, assim como a prefeitura. Muito agradável, com direito a guichos de água na rua por causa do calor (34 graus), comida gostosa e mulheres lindas. Gente, o que tem na água da Polônia?
Andar pelas ruas e não entender nadica de nada do que se está escrito nas placas e sinalizações: Déjà vu. Rá!

Recomendo muito a cidade! :)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um dos melhores elogios

Contei que fiquei uns dias na casa da minha cunhada, né? Então...

Tem um tempo que não a via e quando nos falamos ao telefone é super muito rápido. Oi? Não sou fã de telefone e em alemão, piorou.

Enfim...

O caso é que na primeira noite, ela fez um jantar pra mim delicioso e ficamos batendo papo, falamos de tudo um pouco, mais de mim, claro. Marido dela é professor de alemão e escritor. Óia só!

Aí, final da noite, já me recolhendo pra dormir, ele vira pra mim e diz:

- Seu alemão está maravilhoso. Acho que isto está diretamente relacionado ao seu nível de português. Porque você se fala bem a sua língua, é capaz de aprender e falar bem alemão. Estou impressionado.

Cara, eu acho que eu fiquei vermelha. Porque não foi só o fato dele elogiar o alemão (que está longe de ser fluente, deixa eu destacar), ele também elogiou meu português, de certa forma. Não, ele não fala português.

Eu também estou longe de ser erudita e escrever lindamente e livre de erros em português, mas sei que, né, não escrevo mal. E se falo mal ("tu vai"), é vício de linguagem. Eu sei como se deve falar.

Se, um dia, eu chegar ao nível de alemão, como é o meu nível de português, vou ficar hiper feliz.

Que Deus o ouça e eu faça minha parte!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Conto 2 - Vossa Senhoria

Eu não deixo saberes que te amo porque não quero deixar de te olhar escondido.
De sentir o frio na barriga toda vez que tu me surpreendes em devaneios.
De sentir tua mão tocando a minha tão displicentemente.
Eu não deixo que saibam o que sinto.
Prefiro que esse amor morra comigo a descobrir que ele não poderia ser vivido.
Prefiro imaginar as possibilidades de amar a pensar nas formas de fazer voltares para mim depois das brigas que nunca existiram.
Eu não quero que saibam o tamanho da dor que carrego no peito por amar-te.
Uma vez que a probabilidade de não ser, nunca, recíproco me arrebate.
Que a dor que guardo comigo é insana.
Eu não quero que saibas que sonho contigo todas as noites e que nos sonhos tu és sempre minha.
Minha como nunca serás, como nunca foste.
Eu não posso deixar que percebas as lágrimas que derramo todas as sextas
Quando vais para longe de mim.
Quando não há esperanças para um novo sorriso pela manhã.
Eu não permito nunca que percebas que os meus olhos brilham ao te ver.
Que as segundas-feiras de manhã são as primeiras horas da minha nova vida.
Que cada segundo a menos é a minha impassível morte.
Eu não quero que sintam pena do fiapo de gente que sou por não ser amado.
Já me basta saber que te amo
E ter teu sorriso voltado para mim por alguns momentos é o ápice da minha felicidade.
Não notas como sorrio? Não notas como vivo para ti?
Amo-te, querida, e a ti não esquecerei.
Não me importa que não saibas, não me importa que não sintas o mesmo.
Para mim, resta viver e chorar e sofrer e amar-te sempre.
E assim seguirei... abrindo e fechando as portas que passas, varrendo o chão que pisas, escolhendo as flores mais bonitas para a tua mesa.
Chamando-te de Senhora.
A minha.