quinta-feira, 30 de junho de 2011

FAQ - 20. Você já sofreu discriminação?

Vou contar algumas historinhas para vocês.

Eu sou do interior da Bahia e estudei em escola particular, paga com muito custo pelos meus pais, em Feira de Santana (falo mermo). Na minha turma ainda tinham mais algumas outras meninas da minha cidade. Éramos 4. Por meus pais não terem muito dinheiro, a escola, apesar de particular, não era A melhor. Nós éramos chamadas de "As Internacionais", por sermos do interior. E não era uma brincadeira saudável. Não éramos chamadas para os programas da turma, porque morávamos longe e, na cabeça dos colegas, não podíamos participar, por exemplo. No final, fomos as únicas a passarem no vestibular (e em universidade pública) sem fazer cursinho antes.

Uma vez, fui fazer uma pesquisa qualitativa e etnográfica (antropólogos e sociólogos de plantão, óia eu aqui, hein?) em Porto Alegre, depois de já ter feito a mesma pesquisa em Recife e no Rio. Eu ouvi do recepcionista do hotel em que fiquei: "Por que não contrataram alguém daqui pra fazer esse trabalho? Por que tinha que ser uma nordestina?". E não, ele não estava tentando ser simpático.

Uma vez, fazendo também uma pesquisa qualitativa em algumas cidades do nordeste (Maceió, Aracaju, Recife e Salvador) para um pessoal de São Paulo, eles tentaram elogiar o meu trabalho assim: "Nem parece que é baiana, seu trabalho é tão bom. Ah é, bem que você disse que nasceu no Paraná!"

Procurando emprego em multinacionais na Bahia: nenhum gerente era do estado.

Tirando o fato de não ser negra (ah vá, o mundo É racista), tenho quase o "combo" completo da discriminação no Brasil: pobre, do interior (o que pode ser igual a morar numa favela, depende dos olhos de quem vê) e nordestina.

Preciso responder à pergunta?

Aqui na Alemanha, nunca me senti discriminada até o dia que tive a abertura da minha conta bancária negada por sabe se lá qual motivo. Tirando isso, na empresa, o que percebo é que dois colegas nem se esforçam pra conversar comigo porque, na cabeça deles, meu alemão não é suficiente. O fato deles serem metidos e riquinhos (leiam filhinhos de papai engomadinhos - nem fui "racista" agora, nem) pesa nesse comportamento.

Você vai encontrar alguns alemães assim por aqui também. Eles querem que, se você mora na Alemanha, saiba falar alemão. Ponto. No dia a dia, no contato direto com as pessoas, essa é a única "exigência" que sinto da parte deles. Não é porque sou brasileira, "chocolate" ou "pobre". É porque não falo alemão como eles acham que eu deveria falar.

Eu entendo e não considero, tanto assim, discriminação. Porque eu conheci casos de pessoas, inclusive brasileiros, que já estão aqui há 20 anos e não falam quase nada de alemão. Pra mim, também é inadmissível. Por isso mesmo, me esforço pra melhorar todo dia um pouquinho mais.

Eu já cheguei aqui "vacinada". Não é o fato de ser discriminada por ser "estrangeira" que vou me deixar abalar. Eu já me sentia assim no meu próprio país, falando a mesma língua, só com sotaque diferente. Porque eu estranharia agora, né mesmo?

Assim como passei no vestibular, trabalhei no sul e para pessoas do sul, vou viver aqui e não vou permitir que a opinião de pessoas de cabeça pequena me abale.

Azar deles, não meu.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pecados da adolescência

Eu não fui uma adolescente rebelde (Aham, pergunta a minha mãe, tá?), mas eu confesso que tive uma fase roqueira. Verdade. Acho que todo mundo tem uma fase assim. Me aponhem, meu povo e digam que sim!

E qual foi minha banda escolhida para essa época? Guns N'Roses e o gato do Axl. Ok, pra mim, naquela época, ele era gato, tá? Pronto, falei!

Quando estava com raiva de alguma coisa ou triste, entrava em casa, ligava o som no volume máximo e berrava as músicas deles. Depois de ouvir o CD todo, estava sem voz e tinha gasto toda a minha descarga emocional de adolescente. Acho que era o máximo da minha rebeldia. ;)

Aí, dia desses, "zapeando" pela net, encontrei um vídeo de dois caras tocando Welcome to the jungle em Cellos. Meu povo, que é isso? Rock com Cello? Pirei, né? E voltei uns 15 anos no passado. (Ai, como eu me senti velha agora, putz grila!)


Pra quem foi comportado na adolescência e não conhece, aqui vai a versão original (ao vivo):


Não, minha música preferida não era essa, nem November Rain, nem Patience. Era ou ainda é essa aqui (que nem é deles de verdade). Velha, já nasci assim.(Ou nunca me livrei da vida passada...rsrs)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Das coisas espontâneas

Três episódios:

1.
Dentro do metrô, uma senhora chega com uma sacola de compras e uma embalagem de morangos logo em cima. Ela lia jornal distraidamente. A sacola abriu e ia derramar todo o conteúdo no chão. Um rapaz em sua frente abaixou e arrumou tudo de volta na sacola, fechou e continuou sua leitura. Depois que a distraída mulher percebeu e agradeceu com um sorriso.

2.
Saída do metrô para a minha casa. Uma senhora de bengala tenta subir as escadas com seu carrinho de compras. Com dificuldades, tenta um degrau de cada vez. Uma mulher desconhecida, sem perguntar, passa e pega o carrinho de compras. Sobe as escadas com ele. Lá de cima, enquanto a mulher terminava de subir com sua bengala, diz: "Pronto, agora eu espero a senhora aqui de cima." Acho que a velhinha ganhou menos algumas dores nas costas nesse dia.

3.
Tinha chovido, a escadaria da estação em que saio em direção ao trabalho estava escorregadia. Não tem elevador pra as mães descerem com os carrinhos de bebê nessa saída. Uma mãe vinha segurando o carrinho com a criança dentro, e no último degrau da escada que ela não viu, torceu o pé e ia cair com criança e tudo. Uma mulher e eu a seguramos pra que ela não caísse. Assim, no reflexo. Estávamos ao lado dela na hora. Ela, tão concentrada na criança, não nos viu. Seguimos nosso caminho. Quando se acalmar, se dará conta de que sentiu pessoas tocando-a. Eram os anjos, querida, os anjos.

Porque a vida também acontece no metrô.

domingo, 26 de junho de 2011

Nada mais me surpreende

Você está lá, andando na rua, aproveitando o verão e de repente, não mais que de repente...

Você vê um rato! E não é um rato qualquer.

É um rato gigante!

Aí você olha mais atentamente e... oh wait!

O rato está de coleira!

Aí você segue a coleira e...

Encontra um homem.

Um homem que tem como animal de estimação um rato gigante.
Tinha uma grade no meio do caminho. Dá pra ver que eu não minto, né?

Por que, né? Como já diz o sábio ditado, gosto é igual a c*...

Aviso básico: não estou conseguindo comentar em blogs do blogger. Desculpa aí, tá? Foi sem querer querendo.

sábado, 25 de junho de 2011

Eu te conheço?

Desde que eu cheguei aqui, adquiri um hábito curioso, digamos assim. Talvez, tenha sido uma forma de me sentir acolhida, confortável e "em casa".

Andando nas ruas, visitando lugares, frequentando restaurantes, aprendi a procurar similaridades. Sim, similaridades. Tenho gostado muito mais do português depois que comecei a aprender alemão... (o que não significa que virei expert em gramática e redação. =P)

Eu vejo uma pessoa e ela me lembra alguém. E fico naquela, tentando lembrar quem aquela pessoa me parece. Uma vez, tive que olhar duas ou três vezes para ter certeza que aquela pessoa totalmente estranha para mim, não era o meu amigo de faculdade.

Meu chefe, por exemplo, me lembra um amigo de Recife. Quando vejo algumas asiáticas, lembro sempre da minha orientadora da monografia, que era coreana. Algumas amigas também, que são baixinhas e miúdas são "vistas" nas asiáticas. Fora as pessoas comuns... Já pensou que o padeiro que me atendia lá no Brasil, é o mesmo que me atende aqui? =O

Eu sei que uma das características humanas é a nossa programação para identificar rostos. Não é à toa que a gente enxerga santo até em torrada, né?

Só que no meu caso, tem virado obsessão. Eu já falo pra marido: "olha, aquela pessoa ali me lembra Fulano, e aquele ali me lembra Beltrano."

Acontece com vocês também? Ou o meu caso é pra psicólogo?

Tem cura, doutora Lorna?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

É São João, meu povo!

Só lá no Brasil! Buaaaaaaaaaaa!

Olha, eu escrevi um post para o Brasil com Z sobre o que eu sinto falta do Brasil. Vão lá pra ler! Resumindo, eu disse que sinto falta dos passarinhos coloridos do Brasil, porque aqui só tem corvo, corvo, cor-vo! (além de pardal, essa praga!)

Só que eu esqueci de que época do ano nós estamos. E eu posso não fazer parte do clichê brasileiro, mas bem faço parte - em parte - do clichê nordestino!

Eu quero São João! Eu quero ficar ao redor da fogueira com a família! Eu quero comer milho assado na fogueira! Eu quero ver as crianças da família soltando fogos! Passar o dia comendo amendoim cozido e tomando licor de genipapo! Eu quero fingir que danço forró! Eu quero passear nas ruas da cidade de interior dos meus pais e voltar pra casa de olhos ardendo e com a roupa cheirando à fumaça! Eu quero passar os dias ouvindo O Grande Encontro e Flávio José! Eu quero viajar pra Aracaju pra casa da minha tia e encontrar meu amigão de anos lá para fingir, de novo, que danço forró com ele! Eu quero estar com minha "primaiada" falando besteira e contando piada! Eu quero pendurar bandeirolas na minha casa!

Ai, gente, deu vontade de estar lá agora. Só isso.

Vida que segue...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Nunca mais um mico? Nem um miquinho?

Te contar, viu? Quando a gente acha que já passou por tudo...

Marido e eu estávamos num restaurante, do lado de fora, curtindo o clima, quando aparece um sem-teto vendendo jornal da entidade que os apóia. Marido tem uma tática, quando ele não quer atender pedintes (é, meu povo, tem aqui também), ele, simplesmente começa a falar em português para que a pessoa não tenha possibilidade de contato.

Aí eu, que também estava falando em português com ele no momento, lembrei de um caso em que eu dei dinheiro para um deles que vendia jornal e ele, o sem-teto, ficou muito feliz com isso. Era uma forma de incentivar marido, né?

Daí eu digo:
- O cara parecia com esse daí, só que mais arrumado e bem cuidado.

Na hora, chega o cara perto da gente e marido diz em português:
- Não tenho, não.

Ele responde:
- Não tem, não?

Gente, vocês leram? ELE RES-PON-DE! Em português!!!

E completa, olhando pra mim:
- Morei dez anos em Portugal. - e sai de perto.

Gente! Gente! Gen-te!

Se esconder embaixo da mesa serve?