Estou eu, linda, loira e serelepe, toda empacotada por conta do frio (o que significa que todas essas qualidades descritas não valem nada, enfim...) indo para a estação de metrô perto de casa e me deparo com uma cena rara:
Um cara em pé, na entrada da estação, fazendo xixi.
Tá bom que alemães não têm muitos pudores quanto ao corpo, mas daí a ser essa uma cena corriqueira é outra coisa. Se tem uma coisa que eu não suporto é ver homem fazendo xixi em local público. Primeiro que é um local inapropriado, segundo que na cidade tem banheiros públicos, terceiro que é falta de higiene mesmo. Ninguém merece ver e cheirar nada, né?
Daí que um outro homem também se dirigia para a estação no mesmo passo que eu, só que vindo na direção contrária.
Aí ele olha pra mim, olha pro mijão, olha pra mim de novo e diz pro mijão:
- Você é cachorro ou o quê? (Sind Sie Hund, oder was?) E depois olha pra mim.
O mijão não respondeu. Mas também, né? Cachorros não falam.
Eu olhei pro cara e quase agradeci. Senti-me justiçada.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Assunto sério
Lembram do meu estado de choque do ano passado? Pois é. Eu não queria entrar em detalhes, só que estou com os dedos coçando pra trazer esse assunto pra pauta de discussão dessa reunião extraordinária. Opa! Troquei o discurso... Peraí! Eu disse que esse negócio é sério. Mudando o tom em 3, 2, 1... Valendo!
É um assunto delicado e o que me faz escrever sobre ele é a assustadora estatística que encontrei ao ter que discutí-lo em família. Ele precisava ser tratado e digerido.
De oito mulheres que ficaram sabendo da história nos detalhes, seis já tinham passado por esse problema. E suspeito que as outras duas só não tenham contado pra gente... Quer tenha sido na infância, quer tenha sido na adolescência ou na vida adulta, como eu. Com violência ou não. Quer dizer: 75% das mulheres passaram por situação semelhante, igual ou pior.
E o perigo está mais perto do que pensamos. Assédio e abuso sexual na infância e adolescência acontecem, na maioria das vezes, na própria casa, no seio familiar: são os próprios pais, os padrastos, os tios, meio-irmãos, primos, vizinhos, padrinhos... E, porque não dizer também, mulheres?
É aquela velha história: a gente nunca pensa que vai acontecer com a gente. Eu conheço muitas histórias. Inclusive aquelas cabeludas, em que as mães eram coniventes. Mas, nunca pensei que pudesse acontecer com alguma pessoa que amo e prezo muito. Não foi comigo. Graças a Deus, o pior não aconteceu. Quer dizer, se é que já não é o "pior".
Dessa experiência que ainda está longe de ter um final, tiramos algumas lições que estou passando pra frente aqui:
- Se a criança tornar-se calada e introspectiva mais que o costume, sonde, pergunte. Não a deixe sozinha em seu silêncio. Preste atenção nos sinais. São muitos.
- É mais difícil pra ela contar do que passar pela situação em si. Até porque, dependendo da idade, ela nem entende direito o que aconteceu. E, sendo alguém da família, ela acha que está traindo a "confiança" da pessoa e ainda destruindo relacionamentos. Criança nenhuma quer se sentir responsável pelo fim de um casamento, por exemplo.
- Por mais absurda que a história possa parecer, acredite nela. Não demonstre desconfiança. Por ser difícil, a última coisa que ela precisa é do seu olhar de reprovação.
- Corra atrás dos indícios. Muitas vezes, abusos acontecem durante meses e começam de forma quase imperceptível até chegar ao ato propriamente dito. Quanto mais cedo se desconfiar, mais rápido pode acabar.
- Apóie. Incondicionalmente, apóie. Não queira ser responsável por mais uma desilusão. O que mais a criança precisa além de amor, é saber que pode confiar em alguém, que não estará sozinha para enfrentar o que tem que enfrentar.
- Se for preciso fazer uma escolha, faça-a em prol da criança.
- Não importa o que o agressor tenha feito. Basta que ele tenha tocado em seus cabelos. O que importa é se a criança se sentiu ameaçada ou coagida.
- Não finja que nada aconteceu. Trate o problema. Se precisar, procure ajuda profissional. Ninguém deve lidar com isso sozinho. Nós procuramos.
- Pense sempre na vítima. É uma vítima. Ninguém tem o direito de mexer com ninguém, mesmo que digam que "foram provocados".
- Por fim, acompanhe a criança depois. Veja como ela se desenvolve, se tem medo de mostrar seu corpo, se quer ficar em casa. As sequelas podem ter ficado.
E, pelo amor de Deus, não as desampare!
Não foi o pai.
Obs:
Comentários que achar desnecessários serão excluídos sem nenhuma cerimônia.
Esse post ainda poderá ser excluído ou editado sem aviso-prévio.
É um assunto delicado e o que me faz escrever sobre ele é a assustadora estatística que encontrei ao ter que discutí-lo em família. Ele precisava ser tratado e digerido.
De oito mulheres que ficaram sabendo da história nos detalhes, seis já tinham passado por esse problema. E suspeito que as outras duas só não tenham contado pra gente... Quer tenha sido na infância, quer tenha sido na adolescência ou na vida adulta, como eu. Com violência ou não. Quer dizer: 75% das mulheres passaram por situação semelhante, igual ou pior.
E o perigo está mais perto do que pensamos. Assédio e abuso sexual na infância e adolescência acontecem, na maioria das vezes, na própria casa, no seio familiar: são os próprios pais, os padrastos, os tios, meio-irmãos, primos, vizinhos, padrinhos... E, porque não dizer também, mulheres?
É aquela velha história: a gente nunca pensa que vai acontecer com a gente. Eu conheço muitas histórias. Inclusive aquelas cabeludas, em que as mães eram coniventes. Mas, nunca pensei que pudesse acontecer com alguma pessoa que amo e prezo muito. Não foi comigo. Graças a Deus, o pior não aconteceu. Quer dizer, se é que já não é o "pior".
Dessa experiência que ainda está longe de ter um final, tiramos algumas lições que estou passando pra frente aqui:
- Se a criança tornar-se calada e introspectiva mais que o costume, sonde, pergunte. Não a deixe sozinha em seu silêncio. Preste atenção nos sinais. São muitos.
- É mais difícil pra ela contar do que passar pela situação em si. Até porque, dependendo da idade, ela nem entende direito o que aconteceu. E, sendo alguém da família, ela acha que está traindo a "confiança" da pessoa e ainda destruindo relacionamentos. Criança nenhuma quer se sentir responsável pelo fim de um casamento, por exemplo.
- Por mais absurda que a história possa parecer, acredite nela. Não demonstre desconfiança. Por ser difícil, a última coisa que ela precisa é do seu olhar de reprovação.
- Corra atrás dos indícios. Muitas vezes, abusos acontecem durante meses e começam de forma quase imperceptível até chegar ao ato propriamente dito. Quanto mais cedo se desconfiar, mais rápido pode acabar.
- Apóie. Incondicionalmente, apóie. Não queira ser responsável por mais uma desilusão. O que mais a criança precisa além de amor, é saber que pode confiar em alguém, que não estará sozinha para enfrentar o que tem que enfrentar.
- Se for preciso fazer uma escolha, faça-a em prol da criança.
- Não importa o que o agressor tenha feito. Basta que ele tenha tocado em seus cabelos. O que importa é se a criança se sentiu ameaçada ou coagida.
- Não finja que nada aconteceu. Trate o problema. Se precisar, procure ajuda profissional. Ninguém deve lidar com isso sozinho. Nós procuramos.
- Pense sempre na vítima. É uma vítima. Ninguém tem o direito de mexer com ninguém, mesmo que digam que "foram provocados".
- Por fim, acompanhe a criança depois. Veja como ela se desenvolve, se tem medo de mostrar seu corpo, se quer ficar em casa. As sequelas podem ter ficado.
E, pelo amor de Deus, não as desampare!
Não foi o pai.
Obs:
Comentários que achar desnecessários serão excluídos sem nenhuma cerimônia.
Esse post ainda poderá ser excluído ou editado sem aviso-prévio.
Agora, de volta à nossa programação normal.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Inscrição no Arbeitsamt
O Arbeitsamt é o "Amt" (departamento público) destinado a cuidar de toda a parte referente ao mercado de trabalho na Alemanha: funciona como uma "bolsa de empregos", administra fundos para pagamentos de seguros, auxilia e assessora pessoas na busca de um novo emprego (para pararem de receber dinheiro do governo), entre outras coisas.
Decidi, então, que estava na hora de fazer minha inscrição lá como "Arbeitsuchende" (alguém que está procurando trabalho). Mentira, foi marido que me obrigou mesmo. ;)
Por uma boa causa. Cadastrada, fica mais fácil ter acesso a alguns serviços. Além de achar que posso usufruir da assessoria que eles dão por não estar acostumada com o mercado alemão, eles podem oferecer cursos de qualificação - em alguns casos até pagar, caso eles percebam que é disso que você necessita. Uia!
Eu sou meio reticente com serviço público dada as minhas experiências no Brasil. Trouxe traumas, né? Fazer o quê?
Fiz a inscrição on line, coloquei meus dados lá, como se fosse um site de pesquisa de vagas mesmo (que eu não vou dizer qual o similar no Brasil pra não fazer propaganda, mas começa com C e termina com ATHO) e no dia seguinte, meio dia, uma moça entrou em contato comigo, pedindo que me emcaminhasse a uma das agências para receber a assessoria. Já tinha sinalizado na inscrição, o interesse por esse serviço.
Agora é juntar papelada (se é que precisa) e ir lá. Vamos ver o que acontece.
Decidi, então, que estava na hora de fazer minha inscrição lá como "Arbeitsuchende" (alguém que está procurando trabalho). Mentira, foi marido que me obrigou mesmo. ;)
Por uma boa causa. Cadastrada, fica mais fácil ter acesso a alguns serviços. Além de achar que posso usufruir da assessoria que eles dão por não estar acostumada com o mercado alemão, eles podem oferecer cursos de qualificação - em alguns casos até pagar, caso eles percebam que é disso que você necessita. Uia!
Eu sou meio reticente com serviço público dada as minhas experiências no Brasil. Trouxe traumas, né? Fazer o quê?
Fiz a inscrição on line, coloquei meus dados lá, como se fosse um site de pesquisa de vagas mesmo (que eu não vou dizer qual o similar no Brasil pra não fazer propaganda, mas começa com C e termina com ATHO) e no dia seguinte, meio dia, uma moça entrou em contato comigo, pedindo que me emcaminhasse a uma das agências para receber a assessoria. Já tinha sinalizado na inscrição, o interesse por esse serviço.
Agora é juntar papelada (se é que precisa) e ir lá. Vamos ver o que acontece.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Pitaco da Professora
Isso aconteceu na primeira aula de alemão. Como disse, estou fazendo dois cursos: C1 e redação. No curso de C1 tenho dois dias de aula e uma professora pra cada dia.
Era o primeiro dia de aula com a professora B, digamos assim. Em determinado momento, ela pediu que nós lêssemos um trecho de um texto para respondermos algumas perguntas. Só que no tempo que ela deu pra lermos o trecho, eu li o texto todo. Ela percebeu e me perguntou se eu já tinha lido o texto em casa, eu disse que não.
A aula seguiu normalmente.
Fim da aula e a professora me chama no canto, perguntando o que eu estava achando do curso. Eu fui sincera. Disse que achava devagar. E ela me perguntou quantas perguntas sobre o texto eu acertei, querendo saber se, porque eu li rápido, tinha entendido o texto. Eu disse que tinha acertado 80%. Não menti. E expliquei que já estou acostumada com leitura, pois já leio livros em alemão. Só não disse a ela que eram livros infanto-juvenis. Eu omiti. ;)
Aí vem o pitaco: "Você não fala! Passou a aula toda quase calada. Para o C1 você precisa falar mais. E acho que você pode."
E minha cara, enfiava aonde??
Eu pedi desculpas e expliquei (ou inventei uma desculpa) que tinha passado 5 semanas no Brasil e estava travada, pois só tinha conversado em português nos últimos tempos. Ela disse que tudo bem, que eu destravaria com o tempo. E me perguntou porque estava fazendo o curso. Pra arrumar um trabalho, né?
Pitaco 2: "Para alguém que está procurando trabalho, você constrói frases muito simples."
Gente, já estava quase morrendo de vergonha. E buraco que eu não achava pra enfiar a cabeça?
Eu fiquei besta como a mulher, em uma aula, percebeu tanta coisa. Eu me assustei, mas ao mesmo tempo me senti agradecida. Estava mesmo precisando de um puxão de orelhas desse.
Já entrando na terceira semana de aula, acho que melhorei um pouquinho e minhas orelhas podem continuar intactas, né, fêssora? Brigada....
Era o primeiro dia de aula com a professora B, digamos assim. Em determinado momento, ela pediu que nós lêssemos um trecho de um texto para respondermos algumas perguntas. Só que no tempo que ela deu pra lermos o trecho, eu li o texto todo. Ela percebeu e me perguntou se eu já tinha lido o texto em casa, eu disse que não.
A aula seguiu normalmente.
Fim da aula e a professora me chama no canto, perguntando o que eu estava achando do curso. Eu fui sincera. Disse que achava devagar. E ela me perguntou quantas perguntas sobre o texto eu acertei, querendo saber se, porque eu li rápido, tinha entendido o texto. Eu disse que tinha acertado 80%. Não menti. E expliquei que já estou acostumada com leitura, pois já leio livros em alemão. Só não disse a ela que eram livros infanto-juvenis. Eu omiti. ;)
Aí vem o pitaco: "Você não fala! Passou a aula toda quase calada. Para o C1 você precisa falar mais. E acho que você pode."
E minha cara, enfiava aonde??
Eu pedi desculpas e expliquei (ou inventei uma desculpa) que tinha passado 5 semanas no Brasil e estava travada, pois só tinha conversado em português nos últimos tempos. Ela disse que tudo bem, que eu destravaria com o tempo. E me perguntou porque estava fazendo o curso. Pra arrumar um trabalho, né?
Pitaco 2: "Para alguém que está procurando trabalho, você constrói frases muito simples."
Gente, já estava quase morrendo de vergonha. E buraco que eu não achava pra enfiar a cabeça?
Eu fiquei besta como a mulher, em uma aula, percebeu tanta coisa. Eu me assustei, mas ao mesmo tempo me senti agradecida. Estava mesmo precisando de um puxão de orelhas desse.
Já entrando na terceira semana de aula, acho que melhorei um pouquinho e minhas orelhas podem continuar intactas, né, fêssora? Brigada....
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Pergunte ao Caramelo
A Gisley, queridona, criou um novo quadro em seu blog e uma das indicadas a dar prosseguimento à história foi a pessoa que vos escreve, mais conhecida como Eu.
Pra quem não sabe, Caramelo é o sofá da Gisley, tá? Agora, não me perguntem porque foi que ela inventou o quadro com esse nome. Pra saber mais, só indo lá no blog da moça.
E a pergunta inicial foi: Como é ser casada com um estrangeiro? (que vai entrar também no meu FAQ)
Eu sou casada com um a mais de sete anos. Pra mim, não foi difícil me habituar, pois marido já morava há nove anos no Brasil e ele já estava mais baiano que alemão. Mas, mesmo assim, vivi algumas coisas que não estava acostumada.
Por exemplo:
"Amor, vou ali no cinema com o pessoal, tá?"
"Tá."
"Ué? Você não vai perguntar com quem eu vou?"
"Você não vai com seus amigos?"
"Sim. Mas... Mas, a maioria é homem."
"E daí?"
"Você não vai reclamar ou sentir ciúmes porque vai um monte de homem e você não?"
"Não."
"Certeza?"
"Absoluta."
"Então, tá. Fui."
Na Alemanha, tudo se "joga fora". Porque tem lugar pra se depositar tudo, até a roupa que você não quer mais. No Brasil, ele queria jogar tudo fora. Tudo. Uma vez, separei uns pares de sandálias para levar a um sapateiro para trocar os saltos ou colar umas tiras. Eram quatro pares. Eu coloquei no fundo do carro e esqueci de tirar. Dias depois que eu procuro a sacola, cadê? Marido tinha JOGADO fora. Eu quase arranquei o pescoço dele. Ele disse que ficou muito tempo no fundo do carro e achou que fosse pra jogar fora. Muito tempo no fundo do carro, porque eu ainda não tinha achado um bom sapateiro, ora bolas! E era assim com tudo que ele achasse que não tinha serventia. Agora, eu que fosse mexer na papelada dele...
Culturalmente falando, algumas brasileiras podem estranhar muito o fato de alemão ser direto, falar o que pensa e você que digira aí o negócio. Ainda mais se perguntou. Então, se não quer ouvir que está gorda, não pergunte.
Alemão não sabe elogiar. Portanto, não estranhe se ele disser que você está linda com esse vestido azul, MAS, ficaria muito melhor com o estampado porque combina mais com o seu tom de pele. Sim, sempre terá um MAS depois de cada elogio alemão.
Eu sou safa nesses assuntos. Eu gosto de ouvir críticas, também sou muito direta e, dificilmente, deixo algum comentário sem resposta. Marido já sabe disso e, às vezes, gosta de me provocar.
O segredo mesmo é o bom humor. A gente não tem tabus. Até porque, sabemos quais são nossos pontos fracos e rimos deles. Afinal, nossa história já começou na quebra desses tabus, né mesmo?
E quando existir alguma diferença, o melhor é conversar, expor a situação e chegar a um acordo. Porque existem diferenças dos dois lados, tenham certeza disso.
Vou aproveitar e deixar o espaço aberto. Quem quiser fazer alguma pergunta específica sobre o homem alemão, pode deixar nos comentários que eu respondo. (Ui! A expert em "homem alemão". Gente, abafa!)
Pra quem não sabe, Caramelo é o sofá da Gisley, tá? Agora, não me perguntem porque foi que ela inventou o quadro com esse nome. Pra saber mais, só indo lá no blog da moça.
E a pergunta inicial foi: Como é ser casada com um estrangeiro? (que vai entrar também no meu FAQ)
Eu sou casada com um a mais de sete anos. Pra mim, não foi difícil me habituar, pois marido já morava há nove anos no Brasil e ele já estava mais baiano que alemão. Mas, mesmo assim, vivi algumas coisas que não estava acostumada.
Por exemplo:
"Amor, vou ali no cinema com o pessoal, tá?"
"Tá."
"Ué? Você não vai perguntar com quem eu vou?"
"Você não vai com seus amigos?"
"Sim. Mas... Mas, a maioria é homem."
"E daí?"
"Você não vai reclamar ou sentir ciúmes porque vai um monte de homem e você não?"
"Não."
"Certeza?"
"Absoluta."
"Então, tá. Fui."
Na Alemanha, tudo se "joga fora". Porque tem lugar pra se depositar tudo, até a roupa que você não quer mais. No Brasil, ele queria jogar tudo fora. Tudo. Uma vez, separei uns pares de sandálias para levar a um sapateiro para trocar os saltos ou colar umas tiras. Eram quatro pares. Eu coloquei no fundo do carro e esqueci de tirar. Dias depois que eu procuro a sacola, cadê? Marido tinha JOGADO fora. Eu quase arranquei o pescoço dele. Ele disse que ficou muito tempo no fundo do carro e achou que fosse pra jogar fora. Muito tempo no fundo do carro, porque eu ainda não tinha achado um bom sapateiro, ora bolas! E era assim com tudo que ele achasse que não tinha serventia. Agora, eu que fosse mexer na papelada dele...
Culturalmente falando, algumas brasileiras podem estranhar muito o fato de alemão ser direto, falar o que pensa e você que digira aí o negócio. Ainda mais se perguntou. Então, se não quer ouvir que está gorda, não pergunte.
Alemão não sabe elogiar. Portanto, não estranhe se ele disser que você está linda com esse vestido azul, MAS, ficaria muito melhor com o estampado porque combina mais com o seu tom de pele. Sim, sempre terá um MAS depois de cada elogio alemão.
Eu sou safa nesses assuntos. Eu gosto de ouvir críticas, também sou muito direta e, dificilmente, deixo algum comentário sem resposta. Marido já sabe disso e, às vezes, gosta de me provocar.
O segredo mesmo é o bom humor. A gente não tem tabus. Até porque, sabemos quais são nossos pontos fracos e rimos deles. Afinal, nossa história já começou na quebra desses tabus, né mesmo?
E quando existir alguma diferença, o melhor é conversar, expor a situação e chegar a um acordo. Porque existem diferenças dos dois lados, tenham certeza disso.
Vou aproveitar e deixar o espaço aberto. Quem quiser fazer alguma pergunta específica sobre o homem alemão, pode deixar nos comentários que eu respondo. (Ui! A expert em "homem alemão". Gente, abafa!)
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O que acontece quando...
você não paga o abastecimento no posto de gasolina?
Eu sempre me perguntei como é que as coisas funcionam na Alemanha quando estão envolvidos dinheiro e baixa fiscalização. Por exemplo: quem garante que todos que usam transporte público pagam a passagem, já que não tem cobrador? (Apenas um eventual controle por amostragem. Só fui "controlada" a primeira vez depois de um ano aqui.)
No posto de gasolina é a mesma coisa. Você chega lá, estaciona o carro, coloca sua gasolina e vai na lojinha pagar.
E se você não for lá dentro pagar, hein? Hein!?
Simples. Duas ou três semanas depois, você receberá uma intimação da polícia para prestar depoimento numa investigação de furto. Vai estar tudo lá: a foto da placa do seu carro, fotos suas abastecendo-o...
Mas, também pode ter fotos suas tiradas dentro da lojinha, além do seu extrato bancário, mostrando que o pagamento foi feito e que saiu da sua conta.
Mostrando também que o funcionário do posto estava chapado e doido quando te atendeu para achar que você também seria doido em não pagar, fazendo você ter o trabalho de ir até um posto policial provar o indiscutível (porque, orra meu!, está tudo lá no vídeo!) e, com isso, encerrar o caso.
Baseado em fatos pra lá de reais. Aconteceu com um amigo de um amigo meu, sabe? ;)
Eu sempre me perguntei como é que as coisas funcionam na Alemanha quando estão envolvidos dinheiro e baixa fiscalização. Por exemplo: quem garante que todos que usam transporte público pagam a passagem, já que não tem cobrador? (Apenas um eventual controle por amostragem. Só fui "controlada" a primeira vez depois de um ano aqui.)
No posto de gasolina é a mesma coisa. Você chega lá, estaciona o carro, coloca sua gasolina e vai na lojinha pagar.
E se você não for lá dentro pagar, hein? Hein!?
Simples. Duas ou três semanas depois, você receberá uma intimação da polícia para prestar depoimento numa investigação de furto. Vai estar tudo lá: a foto da placa do seu carro, fotos suas abastecendo-o...
Mas, também pode ter fotos suas tiradas dentro da lojinha, além do seu extrato bancário, mostrando que o pagamento foi feito e que saiu da sua conta.
Mostrando também que o funcionário do posto estava chapado e doido quando te atendeu para achar que você também seria doido em não pagar, fazendo você ter o trabalho de ir até um posto policial provar o indiscutível (porque, orra meu!, está tudo lá no vídeo!) e, com isso, encerrar o caso.
Baseado em fatos pra lá de reais. Aconteceu com um amigo de um amigo meu, sabe? ;)
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Tem "né" em Berlin
"Né" é uma expressão constante no meu vocabulário. Façam de conta que vocês nunca perceberam para parecer que estou contando uma novidade, ok?
Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o berlinense fala "né" também? Grande, acreditem. No alemão, é comum terminar algumas frases afirmativas com a expressão "oder" ou "nicht". Por exemplo:
- O curso de alemão é aqui, ou? (Der Deutschkurs ist hier, oder?)
- O curso de alemão é aqui, não? (Der Deutschkurs ist hier, nicht?)
Essa segunda frase é mais falada pelas pessoas mais velhas. Isso eu já percebi. E elas fazem de um jeito até fofo. Outro dia, falo sobre essa "fofura".
Mas, o melhor mesmo é o "né". Eu adoro! É uma identificação total. Por quê? Porque é "né" mesmo, ora bolinhas.
Eles falam "nee, nä?" (leia: nê, né?) E usam pra negar uma negação. Não tem isso, eu sei. Mas, para que outra coisa usamos o "né" mesmo?
A primeira vez que ouvi foi há muito tempo atrás, quando uma pessoa me pediu uma informação na rua e eu respondi que não sabia. (Resposta típica para quem não saberia explicar, na época, o endereço em alemão, né mesmo?). Ela disse: "nee, nä?" Como se quisesse dizer: "Você não sabe, não é?"
Preciso dizer que absorvi essa expressão rapidinho? Pois é.
Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o berlinense fala "né" também? Grande, acreditem. No alemão, é comum terminar algumas frases afirmativas com a expressão "oder" ou "nicht". Por exemplo:
- O curso de alemão é aqui, ou? (Der Deutschkurs ist hier, oder?)
- O curso de alemão é aqui, não? (Der Deutschkurs ist hier, nicht?)
Essa segunda frase é mais falada pelas pessoas mais velhas. Isso eu já percebi. E elas fazem de um jeito até fofo. Outro dia, falo sobre essa "fofura".
Mas, o melhor mesmo é o "né". Eu adoro! É uma identificação total. Por quê? Porque é "né" mesmo, ora bolinhas.
Eles falam "nee, nä?" (leia: nê, né?) E usam pra negar uma negação. Não tem isso, eu sei. Mas, para que outra coisa usamos o "né" mesmo?
A primeira vez que ouvi foi há muito tempo atrás, quando uma pessoa me pediu uma informação na rua e eu respondi que não sabia. (Resposta típica para quem não saberia explicar, na época, o endereço em alemão, né mesmo?). Ela disse: "nee, nä?" Como se quisesse dizer: "Você não sabe, não é?"
Preciso dizer que absorvi essa expressão rapidinho? Pois é.
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