terça-feira, 30 de novembro de 2010

A influência dos desenhos na minha vida

- Olha, Amor!! Igual à comida do Tico e Teco!!!
Fonte: Daqui
- Quem?
- Tico e Teco.
- Nunca ouvi falar.
- Esquece!



- Ai, Amor, eu quero um quebra-nozes. Sempre quis ter um quebra-nozes.
- É? Por quê?
- Porque eu via nos desenhos.

Fonte: Daqui

Nem parece que acabei de fazer 29 anos...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Bora mudar o tom desse blog? Bora!

E aí que eu conheci a vice-presidente da ONG que estava de férias na Turquia. Ela é turca mesmo.

Eu tenho uma teoria: toda mulher baixinha é retada/arretada! Elas têm muita energia e sabem se impor, ocupar o seu lugar. Com essa não seria diferente. Uma baixinha e tanto.

Ela estava sentada à mesa e ficou olhando pra mim. Eu comecei a me sentir inibida e não sabia o que dizer. Daqui a pouco ela solta:
- Bora, me fale de você. (Los! Erzahlt mir über dich!)

Pode não parecer, mas eu sou muito travada pra falar de mim. Mas, comecei assim mesmo, com aquele início de conversa que todo mundo sabe: "sou brasileira, moro aqui desde janeiro, meu marido é alemão, blá, blá, blá."

Ela não ficou satisfeita e me encheu de perguntas: filhos? marido faz o que? porque escolheu essa ONG? e tantas outras.

É claro que ela estava no direito de me fazer perguntas. Afinal, ela não me conhecia. Daí que o papo acabou. O meu, pelo menos. Já não tinha mais o que contar. O que ela faz? Começa a falar da vida dela.

Falou de quando chegou aqui com a mãe, que casou, teve dois filhos, já separou e agora está com um namorado. E começou a falar desse namorado. E tome conversa... Tudo isso enquanto ela estava fazendo tricô.

Ela ainda cozinhou pro pessoal, só não pude comer, porque estava esperando marido pra sair pra jantar. Prometo que na próxima eu não faço a desfeita.

Uma mãe, deu pra perceber, né?

P.S.: Alguém pode me dar notícias da Kaline?? Ela sumiu, ou é só impressão minha?

domingo, 28 de novembro de 2010

Enquanto isso, no Brasil...


Fonte das Images: Terra

Desculpa aí acabar com o seu domingo... Mas, não dá pra ignorar.

99% de uma favela é composta de gente comum, gente que trabalha, que tem família, que quer os filhos longe dessa violência. GENTE! Mas, né?, não é só uma questão de sistema. 99% não foram vítimas dele. Morar numa favela, numa comunidade, não deveria ser rótulo para "bandidagem". Eles querem seguir vivendo. Eles querem trabalhar. Só porque eles fazem gato, constroem casas sem alvará? Vai dizer que você, caro leitor, nunca na vida fez algo ilícito (deu propina para o guarda, furou a fila, se beneficiou de um amigo do amigo no serviço público...). A diferença entre você e eles, é que eles são pobres. E pobreza leva a outros níveis de consumo, de vida.

Se não te agrada a visão de uma favela, já tentou ver pelos olhos deles? Você, sentado no seu apartamento, olhando pela janela e vendo barracos, achando uma paisagem feia. Eles, sentados nos seus barracos, olhando pela janela e vendo prédios, sabendo o que nunca poderão ter. Que vida injusta, não?

Infelizmente, numa guerra, civis também morrem. Por causa de 1%...

Para não escrever um manuscrito, digo que concordo com o texto dessa moça aqui e dessa aqui também.

sábado, 27 de novembro de 2010

Um vídeo de 94

Para quem pergunta como é a relação dos alemães com estrangeiros, aqui vai um curta-metragem de 94, filmado em Berlin e ganhador do Oscar de melhor curta daquele ano.

O vídeo vale para algumas coisas:
Para verem como era a Berlin de 94. Já mudou tanto.
Para entenderem um pouco a opinião de algumas pessoas (sim, a opinião da Sra. ainda é atual.)
E para perceberem que, como no vídeo, a Sra., algumas vezes, está sozinha em sua opinião. Ou são os alemães que se calam...

Eu teria reagido igual ao rapaz. Sem tirar, nem por. Conversar, às vezes, não leva a nada... É preciso agir. hehehehe

Preciso abrir um parêntesis: Nem todos os "estrangeiros" entram na categoria de estrangeiros que a Sra fala no filme. São uma parte que não se integra, que não aprende alemão e explora (voluntaria ou invonlutariamente) o sistema social. São esses que são tão criticados. Mas, como quase tudo na vida é generalização, cai tudo no pacote "estrangeiro" e, às vezes, estamos todos no bolo. Para essa discussão, deixo as pessoas que têm mais tempo de Alemanha falarem algo.

Ah, sim! O título do curta (Schwarzfahrer) faz alusão à palavra "negro" em dois sentidos. Um deles é que, assim como no Brasil, a palavra "negro" também é usada para indicar algo ilegal, como mercado negro, na Alemanha é igual, e o título se refere ao transporte clandestino/ilegal (viajar sem ticket, por exemplo). O outro sentido, vocês saberão assistindo ao vídeo.

Segue o vídeo com legendas em inglês:




Para quem interessar:
Na quinta, a escola onde marido ensina, recebeu a visita do rapper Harris para discutir o tema integração, proposto por um professor de alemão. Saiu na Stern, e quem entende alemão pode ler neste link aqui.
A música do rapper (Nur ein Augenblick - "apenas um momento") citada na reportagem discute a participação dos estrangeiros no processo de integração. O cantor é filho de alemã com africano, tem "cabelos pretos, olhos castanhos e pele escura" (como se descreve na música) e questiona o porquê de jovens estrangeiros falarem tão mal da Alemanha, não aprenderem alemão direito e ainda quererem viver aqui.
Na reportagem, ele diz: "Integração significa se interessar" e na música:
"Deutsch sind alle Nazi's? Hmm, von wegen
Wenn alle Deutschen Nazi's sind warum willst du dann hier leben?"
(Alemães são todos nazis? Hmm, que nada
Se todos os alemães são nazis, por que você quer viver aqui, então?)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Da natureza alemã - Parte 02

Abre parêntesis. Eu ainda fico admirada com certos comportamentos dos alemães. Não sei se é por conta de todo mito em volta deles, o "pré-conceito" que temos, aquela imagem fechada que poucos se abrem para enxergar diferente. Cada vez mais, eles me surpreendem. Ou sou eu que me deixo surpreender. Claro, muitas vezes a surpresa é negativa, outras, positiva. Fecha parêntesis.

Participei de um evento junto com a ONG. O evento era destinado a pessoas com problemas com álcool e drogas. Foi realizada numa praça conhecida pela frequência dessas pessoas (assim como as grandes estações de metrô). Muitos são desempregados, jovens que aprenderam a beber por influência dos pais já alcólatras (eu vi isso lá) e outros fatores.

A nossa tarefa era abordar algumas pessoas que se encaixavam no perfil da ONG, falar um pouco dela e entregar o flyer. Eu não falei, eu só entreguei o flyer. Quem conversou foi o colega turco, que abordava as pessoas assim:

"Oi, somos da ONG X que ajuda pessoas com vícios e problemas emocionais e estamos entregando esse flyer para vocês entenderem um pouco do nosso trabalho. EU JÁ FUI ALCÓLATRA e sei como é importante ter esse tipo de apoio."

Não abordamos muitas pessoas, umas 12, no máximo. Dentre eles, três jovens. Um estava, às 12h da tarde, trêbado, mais que bêbado. Não conseguia nem ficar em pé.

É público e notório que pessoas bêbadas perdem o controle de si, tornam-se violentas às vezes, ainda mais quando você oferece ajuda, chamando o cara de alcólatra. Nem todos aceitam bem esse "papo". Muitas vezes, a bebida mostra a verdadeira essência da pessoa. E foi essa essência, nesse jovem alemão, que não deveria ter mais de 20 anos, que me chamou a atenção.

Ele ouviu o que o colega falou, pediu o flyer da minha mão e disse com uma voz tranquila:
- Ich danke euch. Das war super nett und wichtig. Ein schöner Tag und viel Erfolg. (Eu agradeço a vocês. Isso foi muito gentil e importante. Um bom dia e muito sucesso.)

Ele não foi o único a ser abordado que nos tratou com gentileza. Foi só o que me chamou mais atenção por ser tão jovem.

P.S.: ONG aqui se chama Verein (associação/clube).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Da natureza alemã - Parte 01

Abre parêntesis. Eu ainda fico admirada com certos comportamentos dos alemães. Não sei se é por conta de todo mito em volta deles, o "pré-conceito" que temos, aquela imagem fechada que poucos se abrem para enxergar diferente. Cada vez mais, eles me surpreendem. Ou sou eu que me deixo surpreender. Claro, muitas vezes a surpresa é positiva, outras, negativa. Fecha parêntesis.

Estou no médico, de novo, e dessa vez sozinha, sozinha (Ebaaaaa!), esperando ser chamada, quando acontece uma cena peculiar na fila para fazer a marcação.

Algumas pessoas chegaram ao mesmo tempo e formaram uma fila de 5 ou 6 pessoas, maioria mulheres. Nevou ontem em Berlin (NE-VOU ontem em Berlin), e o pessoal estava com aqueles casacos pesados. Ao lado da fila, um cabide para pendurá-los. Digamos que a quinta mulher da fila, antes da última, resolveu tirar os quilos de casacos e colocar no cabide. A mulher que estava atrás, a última, resolveu não esperar e passou à frente da mulher do casaco.

Uma coisa que alemão adora fazer é reclamar (e pode fazer isso muito "bem". Medo, viu?). Principalmente, quando ele acha/sabe que está no direito.

Segue-se o seguinte diálogo:

- A senhora estava atrás de mim. - disse a mulher que tirou o casaco.
- Sim, mas a senhora saiu da fila para tirar o casaco.
- Eu não saí da fila, eu continuei.
- Mas, atrasou. Por isso, estou na frente agora.

E vocês pensam que parou por aí? As duas ficaram lado a lado na porta, numa competição pra ver quem corria primeiro para a atendente. Uma cena ridícula que durou segundos, até que a mulher que tirou o casaco resolveu não criar uma situação ainda pior. Mas, ficou olhando a mulher com aquela cara que a gente já conhece:

Gente, 08 horas da manhã e o povo já criando clima e amargando a vida dos outros? Por causa de UM lugar, dois minutos de vida e um atendimento "The Flash"? Choquei!

P.S. Nevou ontem, hoje céu azul e sol. Viu que eu disse?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pois não?

O presidente da ONG e eu:
- Você pode rawhfajs bfaoqurqj3brfm vakjqrgva asdakgafnbamf adjarha?
- Como?
- AJshadfna aslirqkrnamsa daslkjrabs dasalkdakhfbva?
- Ahhhh!

Mentira. Continuo sem entender. Mas, como ele faz mímica e me entrega um papel, deduzo o que ele quer.

O problema - meu, claro - é que ele fala "berlinense" (aqui tem dialeto também, sabiam?) e não tão claro quanto poderia, aí embola o meio de campo e de 10 frases que ele diz, entendo 02 palavras. Além disso, ele fala pelos cotoveltos. =P

Uma hora eu terei que entender. Ou não, vai saber, né?