quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quando as coisas têm que dar certo...

Então que viajei. Fui na terça-feira ali em Genebra, bate e volta.

Eu me preparei duas semanas para esse dia. Eu fiquei ansiosa, porque eu teria uma reunião para um projeto que eu gostaria muito de trabalhar, discutir estratégias e, in the meantime, também uma entrevista de emprego. Em inglês.

Quem acompanha meu blog desde o início, sabe que depois que eu comecei a aprender alemão, meu inglês travou completamente. Tem mais de dois anos que faço aulas particulares de inglês. Um dinheiro muito bem investido, diga-se. Professora-amiga até já chorou de emoção...

Para quem acompanha o blog há dois anos, também sabe que eu estive muito doente. Do tipo: muito. Por conta disso, também entrei em contato com pessoas que eu não teria, caso tivesse permanecido saudável. Ou seja, Genebra só porque fiquei doente.

O projeto é de cunho social (a minha área, para a pessoa que perguntou no outro post, é gestão de projetos sociais. Amo!) com uma ligação com o Brasil.

Fui com o coração na mão. Entrei no avião quase chorando. Não, não era nervosismo. Era emoção mesmo. Quando pensei no meu percurso, em tudo que passei para chegar àquele momento, foi difícil não me emocionar. Foi difícil não pensar nas dores e nos momentos de desespero pelos quais passei. Mas, eu estava lá, eu subi naquele avião e estava indo para Genebra.

Chego no aeroporto e pego um taxi para o meu destino. Precisava ser rápida. Pergunto para a taxista:
- German or English?
- Whatever you want.
- Could you take me to this adress, please? (estava em francês, tentar pronunciar ia ser o ó)
Taxista pega sua rota e depois de um tempo, pergunta:
- Why did you ask me what language I can speak? Where are you from?
- I'm from Berlin, but in fact I'm Brazilian.
- Que mistura! - ela diz. E começa a falar em português comigo. Eu dei uma gargalhada de alívio!

Uma espanhola que foi casada com um brasileiro e que fala português fluentemente. (Além de inglês, francês e alemão... abafa)

Chego no escritório e a diretora me recebe toda sorridente. Vestida igualzinha a mim!!! De blusa azul no mesmo tom e calça preta. Melhor sintonia, impossível. E senti que meu dia não só tinha começado bem, como iria continuar assim.

E foi!

Aquelas lágrimas que não caíram no momento em que subi no avião continuam aqui. E irão continuar. Porque faz parte do orgulho que sinto de mim nesse exato momento. Porque, quando as coisas têm que dar certo, nada consegue impedir. Só tenho o que agradecer. :)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sumi e não estou conseguindo voltar...

Mais de 10 dias sem uma postagem e ninguém reclamou?

É... estou mesmo perdendo a notoriedade que um dia eu já tive. Vou usar a mesma tática que usei com uma mocinha outro dia: assim, vou cortar os pulsos com bolacha maria, tá?

Difícil vai ser achar a bolacha, mas, enfim... :)

Últimos dias foram de balanço, de muito trabalho, de mudança de pensamentos e de novos planos. Nunca pensei que ia voltar a atuar na minha área aqui na Alemanha. Precisei, por acaso, encontrar alguém (a presidente da ONG) para que as coisas começassem a acontecer. E como ímã, pessoas me procuram, projetos chegam e eu me sinto cada vez mais no caminho certo.

Eu tenho algumas histórias pra contar, mas, olha, serei sincera: criatividade sumiu. Passo o dia ou na frente do micro ou falando em alemão que chego em casa e quero fazer outras coisas. Mas, eu volto. Prometo.

Então, pedirei com carinho:

Aguardem no local. Já já, tia Eve está no pedaço novamente!

sábado, 24 de maio de 2014

As coisas simples do calor

Aí você vem morar num país com um inverno maravilhoso de longo e aprende, com a chegada da primavera e, consequentemente, de temperatutas mais altas, consideradas pelo lado de cá como "calor", a valorizar certos aspectos que antes eram desimportantes (existe isso?), por exemplo:

  • Se livrar do peso das roupas.
  • Poder aposentar botas e meias grossas.
  • Usar meia-calça só como adereço.
  • Suar!
  • E, por isso, tomar dois banhos por dia sem se sentir culpada.
  • Tomar sorvete com "vontade"
  • Usar sandálias. Sem meia, claro.
  • Usar aquele óculos escuros fashion. 
  • Tirar aquele vestido do guarda-roupa para usar.
  • Aliás, arrumar o guarda-roupa para tirar as roupas de verão de lá do fundo e
  • Oh meu Deus! Aqui está aquela blusa linda que estava procurando! 
  • Ver gente sorridente nas ruas.
  • Andar de bicicleta sem congelar as mãos. 
  • E ver gente pelada nos parques. Mas, isso não é positivo dependendo da perspectiva. hohohoho
E vocês? O que tem mais para acrescentar? 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mundo pequeno

Lembra desse texto, em que o menininho fofo paralisou por saber que tinha uma brasileira ao lado? Pois. Dessa vez, fui eu quem paralisou.

Estava num café com o colega do tandem (ele querendo aprender português e eu, melhorando o inglês). Conversa vai, conversa vem, um cara sentado no canto, com o laptop aberto e parecendo estar trabalhando, fala:

- Olha, se você ensinar errado eu vou perceber, viu?

Lógico que ele falou em português. Lógico que eu tomei um susto.

- Ah, porque você falou isso? Agora eu fiquei com vergonha.

E me encolhi toda na cadeira, me escondendo atrás do meu lenço. Parecia uma criança.

Ele:

- Imagina, estava só brincando. De onde você é?
- Bahia. E você?
- São Paulo.

Pronto, ficamos por aí e eu tentei me concentrar no português sem me preocupar em estar falando besteira.

Cuidado! Pode ter um brasileiro agora, aí do seu lado! :)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eu não faço chafé

Estava na ONG aonde estou trabalhando e, como tínhamos uma reunião, resolvi que ia fazer café para as meninas que estavam lá comigo.

Água, filtro, pó e liga a máquina. Check!

Tempo passa, café fica pronto e a colega vai servir a gente. No meio do processo, percebo que ela também colocou água pra ferver e pensei: "Ora bolinhas, ela vai tomar chá e café? "

Só que o que eu não sabia, era que ela só estava sendo discreta. A reação da outra foi mais ou menos assim: "Booooo!!! Impossível tomar esse café!"

A colega discreta ia botar água no café pra diluir. Vejam vocês.

Já a indiscreta pegou a garrafa com o café e jogou o conteúdo fora. Elas fizeram um novo.

Problema foi que eu fiz um café brasileiro. Ou seja, forte! O pessoal por aqui bebe chafé e aí o meu foi rejeitado.

Mas né? Tinha que jogar fora? Eu teria bebido todinho.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Um caso para separação

História quase velha que esqueci de contar... rs

Amiga foi para o Brasil e perguntou o que eu queria que ela trouxesse para mim. Amiga é mineira e não pensei duas vezes:
- Ah, traz doce de leite em barra pra mim, daquele "de fazenda".

Amiga fofa trouxe o doce de leite. Experimentei lá na casa dela mesmo. Coisa de outro mundo. Só que ela trouxe só uma barra. Uma unicazinha.

Guardei no fundo do armário. Queria que fosse só pra mim, não ia dividir com ninguém, ora bolinhas. Sou dessas, não esqueçam.

Pois. Cada dia ia comendo um pouquinho. Até que dias depois...
- Amor, cadê meu doce de leite?
- Que doce de leite?
- O que estava no armário.
- Ah, aquilo velho que estava no armário?
- Ai, meu Deus!! O que você fez??
- Fui arrumar o armário, pensei que ninguém estivesse comendo, joguei fora.
- Como assim jogou fora? Como assim ninguém estava comendo? Como assim velho?

Sangue subiu. Quase pulei no pescoço dele, só não fiz porque eu lembrei que ele é maior e mais forte.

- Eu pensei que ninguém quisesse mais.
- Eu ganhei esse doce outro dia, que a Isa me deu!!!
- Mas, mas...
- %$§#&!%?$§#&!!! 

Escrevo pra amiga:
"Marido jogou o doce de leite fora! Vou me separar!"

Era ou não era um bom motivo?

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Palhacinho

Pessoa sai pra aproveitar um dia de sol com marido e vai passear no cantinho preferido dela. Lá, além de restaurantes, tem uma Häagen-Dazs (que nome é esse?) e eles resolveram que poderiam aproveitar melhor o restinho do dia tomando um sorvete.

Pessoa entra com o marido na loja e fica meio perdida com tantos sabores exóticos e apaixonantes. Até que dá de cara com um "Strawberry Cheesecake" e quase grita:
-Ah, eu quero esse!!! (Crianças, por favor, não façam isso)

Marido da pessoa faz o pedido e na hora:
- Por favor, uma bola de Käsekuchen pra ela.

Pessoa ria e a atendente olhava pra ele meio que perdida. Aí, pra evitar mal entendidos, pessoa falou:
- Strawberry Cheesecake, por favor.

Saem da loja rindo e marido:
- Como pode a atendente alemã não entender alemão?

Para quem não entendeu: Käsekuchen é a versão alemã gorda do Cheesecake. :)

Palhacinho ele, né? E acho que a atendente não entendeu a piada até agora.