sábado, 25 de janeiro de 2014

Alemaglês

Porque eu sou do contra. Adoro quando as pessoas dizem "não faça isso!", aí, vou lá e faço. Viu, D. Joyce?

Falei da mistureba do alemão com o português no post passado, agora falo da mistureba do alemão com o inglês.

Vocês sabem, né? A língua é viva. A que não muda, já morreu. hehehehe E, assim como no português, quando absorvemos os benditos estrangeirismos (deletar, fazer download, estrar no chat, essas coisas), no alemão é mesma coisa. E eu acho algumas expressões até engraçadas, por causa da forma como a palavra ou expressão é integrada à língua.

Por exemplo, se você falar para alguém que procurou algo no Google, em alemão, você fala: "eu googlei". O verbo é googlen.
Mandar um SMS? Smsen.
Fazer um upgrade? Upgraden.
Falzer login? Loggen
Escrever um post? Postar? Posten.
 
Tudo relacionado à tecnologia, né? Porque muda mais rápido que a língua, e a única coisa possível é usar o que está disponível pra não ficar pra trás. Tô certa ou tô errada? Hein, hein? :D

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Portumão x Alemaguês

Olha só a bagunça...

Quando se convive em duas línguas ou mais, chega uma hora que a cabeça entra em parafuso. Não sei vocês, mas comigo é assim.

E o que acontece com certa frequência aqui em casa, por exemplo, é eu estar falando em português e no meio da frase colocar uma palavra em alemão. Ou, estar falando alemão e falar uma palavra em português.

Quando eu uso palavras alemãs, geralmente é porque a palavra alemã é mais precisa do que a portuguesa para dizer o que quero dizer. Já no caso de usar o português, é porque, em alemão, eu não sei a palavra mesmo. Shame on me.

Aí, eu quero falar que marquei uma hora no médico e falo: Já marquei um "Termin". Mais lindo ainda fica quando eu conjugo o verbo alemão na forma portuguesa: Eu já erlediguei isso aí (erledigen: resolver, terminar). No way!

Porém, o pior mesmo é o plural no portumão. Porque no português, basicamente, é só enfiar um "s" no final e tudo beleza. No alemão não. Claro, quem disse que alemão facilita a nossa vida, né?

Aí, se eu quero dizer uma frase com Haus (casa), por exemplo, ficaria assim: Eu vi umas Hauses bonitas. Só que, GENTE, o plural de Haus é Häuser!! Dói até no meu ouvido.

Agora imagina aí eu falar Hauses, quando a frase é toda em alemão?

Tanto tempo estudando pra quê!?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Quatro anos, dois anos...

Hoje fazem exatos quatro anos que me mudei para a Alemanha. Em três dias farão exatos dois anos que entrei a primeira vez no hospital. Metade do meu tempo aqui tenho tentado recuperar minha saúde para voltar a investir nos meus objetivos.

Alguns dias atrás, descobri que ela, a saúde, ainda não está do jeito que quero. Ou seja, vou entrar no quinto ano, contando o terceiro em que tento, pelo menos, parar de tomar remédio. Aquele remédio que deixa meu sistema imunológico em paz e me impede de ter uma reação. Tipo assim, eu estou bem, estou curada, mas meu sistema imunológico não entendeu isso ainda e fica tentando combater o que não existe mais (versão curta da história, claro). Aí eu fico lá e cá. Sou uma "morta-viva". Sacanagem!

Porém, eu olho pra trás e apesar de doer, de ter doído, estou muito orgulhosa de mim, das marcas que a vida me deixou, e por ter sobrevivido com a certeza que tornei-me ainda mais forte. Além de não perder o humor, que é fundamental.

E como são as coisas, né? Metade de mim é luta, a outra metade também.

P.S.: Enquanto digitava esse texto, recebi uma mensagem de uma pessoa do BR que acabou de conhecer a minha mãe: "Ela é sorridente igual a você!". Taí, Beth, é mesmo genético. Porque, certeza que a vida da minha mãe não foi e nem é fácil. Mas, segue sorrindo.

P.S. do P.S.: E chega de chororô e reflexão... bora lá voltar pra programação normal do blog!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A pessoa que (talvez) eu nunca serei

(texto publicado para mim, como conselho de Ego para Id, para eu não esquecer, ou sempre poder ler quando precisar)

Alguns podem chamar isso de otimismo desenfreado, uma fé cega, uma esperança que não morre, ou mesmo, romantismo.

Eu chamo de vontade. Vontade de levantar, de seguir em frente, de sorrir, de alcançar, de sonhar, de não desistir.

Não é que eu não caia. Eu caio. Não é que eu não entre em desespero. Oh!! Não é que eu pense, muitas vezes, em jogar tudo pro alto para viver de luz. Penso. Porém, passa!

Durmo uma noite no travesseiro úmido de lágrimas e acordo pensando em conquistar o mundo. Eu não sei o que acontece durante a noite, mas eu sei o que acontece depois que eu já botei as minhas angústias para fora: essa vontade enorme de mudar a situação em que me encontro surge.

Assim foi por toda a minha vida, nos últimos 32 anos.

E pensar que há cerca de dois anos recebia um diagnóstico que mudaria a minha vida. Tenho sequelas até hoje, físicas e psicológicas. Só não fiquei doida. Quase. Sabe aquela vontade? Então. Estava lá. Curei-me.

Hoje, na minha busca por um novo emprego, na convivência com as minhas frustrações, a vontade continua lá.

A pessoa que (talvez) nunca serei é aquela que desiste, que espera pelo resto do mundo para ter uma vida melhor, que perde as esperanças.

A vida é minha, as escolhas e decisões também. Faço delas o que quiser.

E eu quero é festa!!!

sábado, 11 de janeiro de 2014

Dois minutos

Então que esse inverno está uma merreca. Sem temperaturas negativas, que dirá neve. Mas, não vou "elogiar" muito não, porque senão, daqui a pouco estraga. rsrs

Negócio é que continua escuro. E a escuridão entristece qualquer alma. Ou não? Pois...

Porém, depois de quase 4 anos nessa terra, já aprendi um truque que os alemães tanto gostam de usar: contar os minutos a menos de escuridão, quando começa o inverno. Explico.

Vocês já ouviram falar em solistício, né? Tem o de verão e o de inverno. No de verão, que geralmente é no dia 21 de junho, temos o dia mais longo do ano. No de inverno (hellooooow! estou no hemisfério norte, não esqueçam!), que geralmente é no dia 21.12, temos a noite mais longa do ano. O que separa um solistício do outro são dois minutos. Dois minutos por dia, claro. Tem a ver com o posicionamento da Terra em relação ao sol. Deu preguiça de procurar um link pra vocês, Sr. Google está aí pra ajudá-los, caso queiram.

Assim, quando chega oficialmente o inverno, os alemães começam a contar menos dois minutos de escuridão, ou mais dois minutos de claridade por dia. Não parece, mas isso dá um efeito psicológico positivo. Porque ao invés de pensarmos que ainda está escuro, sabemos que está perto de acabar. Aí, quando a primavera chega, já temos um pouco mais de claridade. Aí, vem o horário de verão e "ganhamos" mais uma hora de sol. Aí, chega o verão...

Não é legal pensar assim? Uma visão otimista. hehehehe

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ainda há esperanças

Em setembro, fomos ao casamento da sobrinha de marido. Não me lembro se já contei aqui, mas também não importa. Não é sobre isso que vou falar. Ou é? Vejamos.

Na festa havia um DJ e, em determinado momento, estava todo mundo dançando, menos eu. Por quê? Três motivos:
1°. Meus dedos já doíam do sapato apertado que eu usava.
2°. Meu vestido era tomara que caia e, certeza, tinha alguém rezando para que caísse. Porque, meu Deus, foi uma luta para mantê-lo no lugar.
3°. Meu digníssimo não sabe dançar.

Dias depois, tocado pelo santo das causas perdidas, marido vem me contar que comprou um pacote de aulas de dança.

A primeira reação foi rir e agradecer. A segunda reação foi rir e pensar em como seria a performance dele. A terceira reação foi rir da minha desgraça. Já que a pessoa sabe tanto quanto marido sobre dança quando o assunto é tango, dança de salão...

O que marido foi aprontar, né mesmo?

Ainda não estamos fazendo o curso. Mas quando começarmos, terei muita coisa para contar.

Oremos.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Fim de ano no Brandenburger Tor

Foi a primeira vez em quase 4 anos de Berlin que fomos passar a virada do ano no Brandenburger Tor. Segundo os organizadores, a maior festa da virada na Europa. 2 milhões de pessoas eram aguardadas. Ok...
Fonte: visitberlin.de
Chegamos às 20h. A avenida toda enfeitada e iluminada, cheia de barracas, mas parecia uma quermesse. Antes do palco principal, passamos por mais dois palcos menores. O som de qualidade, a música duvidosa. Muito "Schlager", a música brega alemã. Sim, senhoras e senhores, aqui também tem isso.

Nunca vi tanto brasileiro numa festa "não-brasileira" junto. Pra todo canto que eu olhava, eu via ou escutava meus conterrâneos. Se você, leitor ou leitora, esteve por lá, sinta-se abraçado!

Não estava tão frio. Sério. Só depois de duas horas em pé e sem se mexer muito é que você começa a congelar. Hehehehe

Antes de congelarmos, decidimos ir pra casa de uma amiga que nos acompanhava. Para nós, estava sem graça, apesar de estar muito bonito e iluminado.

E o sacrifício que foi para achar uma saída às 22h30? Eles cercam a região do Tiergarten (o parque), claro, para o povo não se espalhar, nem estragar o parque e eles poderem controlar mais a multidão. Mas, se você quer ir embora mais cedo, tem que nadar contra a correnteza. Flórida.

Chegamos no apartamento da amiga faltando UM minuto para a meia-noite. Sorte que ela mora numa cobertura (ou algo assim). Subimos para o "telhado" e acompanhamos quase meia hora de fogos em todos os lados e direções possíveis de Berlin. Foi tanto que, em determinado momento, já não conseguíamos mais enxergar alguns prédios por conta da fumaça no ar. As ruas de Berlin ficam cheias de pessoas e fogos e bombas e policiais e... gente! Parece uma guerra civil!

Os últimos segundos de 2013 e os primeiros minutos de 2014 foram olhando pro céu, contemplando os fogos de artifício e desejando profundamente que meus sonhos sejam realizados.

Que assim seja!
Fonte: www.berliner-zeitung.de