terça-feira, 23 de abril de 2013

Falando de hômi

Amiga minha andou se estressando com a falta de iniciativa/capacidade de decisão dos hômi alemães. Eu disse que achava que era um fator cultural, porque alemão em geral não está acostumado a ter que dicidir ou correr riscos. Eles sabem que o trem vai passar no horário, que vão ter a vaga na universidade, que não vão passar fome se ficarem desempregados e blá!

Não sei se ela ficou muito convencida disso. Daí, fui tomar café com uma amiga alemã e perguntei a ela o que ela achava dos homens alemães, se eles eram indecisos mesmos, ou se só os exemplares que apareceram na vida dessa amiga é que eram.

A alemã, claro, concordou. Ela disse que tem muito amigo que não sabe lidar com decisões/dramas da vida real. Principalmente, os que já alcançaram os 30. Disse que as mulheres alemães conseguem lidar melhor com as mudanças que ocorrem e os homens não sabem nem como começar a resolver. Entram em pânico. Ela deu o exemplo de um amigo que estava com problemas no relacionamento, que não sabia mais para onde ele iria e que, por isso, sem mais nem menos, terminou o namoro. Simplesmente, porque ele não queria assumir que estava ficando sério demais. Muito mais fácil afastar o "problema" do que resolvê-lo, né?

E apresentei minha teoria. Ela também concordou. Então, negócio é colocar esses hômi num ponto de ônibus lotado no Brasil, ou num trânsito de verdade, para eles aprenderem a decidir. Não só aprenderem a decidir, como aprenderem a decidir rápido. Porque, opa, mérmão, dormiu no ponto, agora se vira aí e sai desse engarrafamento. hahahaha

Dramas da vida moderna. Deles. Da minha não.

Solução pra amiga: procurar outra nacionalidade.

P.S. Generalizamos, né?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O poder do sussurro

Pessoa tem que comprar um par de tênis novo. Pessoa quer/precisa fazer atividade física e, para isso, precisa de tênis adequados.

Entra numa loja e pede instruções para a vendedora, porque ela não sabe qual o mais adequado.

Vendedora pergunta se vai correr. Pessoa diz que não. Vai caminhar e ir pra academia. Porque correr não pode.

Vendedora olha para os pés da pessoa. Que, nesse dia, está com a imitação de um All Star nos pés, que não custou mais que 10 euros. Sou dessas.

Vendedora leva a pessoa até as prateleiras e fala: tem esse modelo aqui, mais adequado para o que você quer. Modelos de mais de 100 euros. Aí, sem mais nem menos, vira as costas e sai dizendo:

- Se é que você vai querer mesmo.

Fidaputa. Vaca. Sem educação.

Falei entre os lábios, sussurrando.Foi a minha vez de dar as costas e ir embora.

Mas saí de alma lavada.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Tô de olho...

Tipo assim... tipo assim mesmo, sabe?

Conheço uma moça alemã super simpática que é amiga de uma amiga da família. Ela tem dois filhos. Um de 13 e uma de 3. Aí que, recentemente, ela se separarou do marido, pai dos filhos dela.

Um dia, conversando com ela sobre sei lá o quê, ela fala sobre o cunhado e depois se corrige: "ops, ex-cunhado". Conversa vai, conversa vem, me diz:
- O seu mundo ainda está em ordem. (Se referindo ao fato de eu "ainda" ser casada)

Sorri e segui com a vida, né?

Fui na casa dela uma vez. Ela fez algumas perguntas, falei de marido e ela fala:
- Ele é um homem muito bom. Agradeça por tê-lo.

Sorri e segui com a vida, né?²

Pausa para um parêntesis:
A amiga em comum (da família) me chama de "Eve" pra cima e pra baixo. Que, claro, é apelido, ok? Ou vão dizer que vocês não sabiam?
Fecha parêntesis.

Daí que essa moça está avaliando alguns softwares para comprar e me pediu uns conselhos. Eu fui inventar de falar para marido, que é o expert em casa. Mais uma vez, conversa vai, conversa vem, ele resolveu dá uma consultoria pra ela. E marcaram de se encontrar na próxima semana.

Pausa para o segundo parêntesis:
A amiga em comum (da família) chama marido de Burki pra cima e pra baixo. Que, claro, é apelido, ok? E essa parte vocês não tinham como saber.
Fecha parêntesis.

Aí ela me manda email pra avisar que marcou a reunião com o "Burki" na casa dela semana que vem e que se eu quiser aparecer, que estou convidada.

Véio! Ela nuuuuunca me chamou de "Eve", mesmo eu já tendo ido na casa dela várias vezes, de nos encontrarmos com frequência e muitas vezes em companhia da amiga em comum que me chama de Eve pra lá e pra cá.

Agora, vem e chama O MEU MARIDO de Burki sem ter nenhuma intimidade com ele?
Qualé?

Nem preciso dizer que vou junto, né? Ai ai...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Memória de elefante

Quando morava no Brasil, tinha uma ótima memória para números. Sabia CNPJ, CPF meu e de marido, RG, número de contas bancárias, as senhas. Tudo de cor.

Vim para a Alemanha e estou a, pelo menos, dois anos tentando decorar o número da minha conta bancária e nada. Fora que, automaticamente, esqueci os números do Brasil.

Os dias que passei no Brasil, aproveitei para tentar regularizar questões da previdência, já que parece que o acordo entre os países, enfim, vai sair. Veja aqui.

Aí, o milagre acontece: lembro do meu CPF e do marido como mágica sem nem precisar verificar nos documentos.

Dizem que a expressão "memória de elefante" vem do fato de que elefantes se lembram a vida inteira, apesar de nômades, do local aonde nasceram e sabem para onde devem ir quando vão morrer. Confere?

Bom, eu não sei aonde vou morrer, mas sei aonde nasci. Deve estar aí a conexão, né? Espero...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os alemães e o Brezel. O Brezel e eu.

na verdade "a" Brezel. Mas, ó, não dá, só falo em português no masculino.

Acho que todo mundo que mora na Alemanha já descobriu que Brezel (ou Bretzel) é um lanchinho básico e rápido super famoso por aqui. Nos Biergärten é o que mais tem para acompanhar a cerveja.

Pra ser sincera, não achava muita graça. Não tem sabor de coisa alguma, a não ser as pedrinhas de sal ou sementes que eles colocam por cima. Claro, até eu descobri que com manteiga ou queijo fica gostosinho e minha opinão mudou.

O que seria do mundo se eu não mudasse minha opinião, né? O fim. :)

Aí, estava à caminho de um compromisso e lembrei que não tinha comido nada. Passei rapidinho numa padaria e pedi um com manteiga. A atendente foi lá dentro passar a manteiga, enquanto isso, outra atendente, que não tinha me visto pedir, me pergunta se quero fazer um pedido. Eu respondo que já tinha feito e estava aguardando. Dois clientes foram atendidos e eu aguardava ainda. Zzzzzz...

A segunda atendente olha pra minha cara e vai lá dentro. Tempos depois volta com o Brezel na mão, me diz o valor, eu pago e ela coloca-o numa sacolinha de papel para eu ir comendo no caminho.

Na hora de me entregar, diz:
- Demorou porque a moça cortou o dedo.
- Autsch! (ai!)

Peguei meu pacotinho e fui embora.

Depois que já estava na metade foi que dei um estalo:
- Sangue!!! Será que respingou sangue no meu Brezel!?!?!? Ahhhhh, eu quero a minha mãe! Eu vou morrer!!!! Chéssus! Chéssus!

Quem disse que eu consegui terminar de comer?

Doida, eu sei.

domingo, 7 de abril de 2013

Abrindo espaço para o novo

Todo início de primavera/final do outono passo pela terapia de arrumar o guarda-roupa. Tirando as roupas de inverno/verão e colocando as roupas de verão/inverno à mão.

E sempre que faço isso, aproveito para tirar as roupas que ou estão velhas, ou não uso mais, ou que comprei e nunca nem usei e passo adiante. Ano passado, por conta dos meus períodos de hospital, altos e baixos com a minha saúde, exagerei na compra de roupas. Era para compensar. Tem umas que eu nunca usei.

Por isso, prometi que ia ficar um tempo sem comprar roupas. Consegui cumprir. Foram 6 meses, em que só comprei uma saia e uma blusa. Depois, arrumei parcialmente o guarda-roupa no final do ano passado e separei roupas de inverno para uma brasileira que chegava para ser au pair aqui.

Semanas depois, ganhei uma sacola de roupas de inverno de uma amiga. Todas praticamente zeradas.

Essa semana, seca por ver colorido na minha vida, nas ruas e nas pessoas, comprei 2 vestidos e uma saia longa super estampados. Ainda não arrumei o guarda-roupa para a primavera, porque ainda não esquentou o suficiente para "esconder" as de inverno. Mas, já sei o que sai e o que fica.

Porque eu quero abrir espaço para o novo. Porque sempre que eu tiro ou dou, eu recebo. Porque eu crio a minha corrente. Assim vou seguindo.

E você?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dos desajustes sociais: um deles

Introdução: fiquei dez segundos pensando como é mesmo que se escreve desajuste. Estou ficando velha. E cansada.

Pela estrada a fora, eu vou bem sozinha... opa, naaahhh, história errada. Estava indo ao supermercado, quando um senhor se aproxima de mim e pergunta:
- A Sra. sabe aonde tem por perto um lugar que sirva sopa pra sem teto?
- Hummm, tem um na rua tal, pro lado de lá. (É ao lado do correio, por isso eu sei)
- Já estive lá, está fechado por conta do feriado. (Foi no sábado, não tinha que estar fechado. Enfim...)
- Desculpa, então não sei mais aonde tem outro.
- Eu precisava de um lugar nem que fosse pra conseguir um pão hoje.

Coração apertou, eu já estava com a mão dentro da bolsa, tirando a carteira, quando ele pergunta:
- A senhora não teria um "miúdo" pra mim, não?

Tiro uma moeda de 2 euros e dou pra ele. Ainda completo:
- No Kaiser´s (supermercado aonde estava indo), vendem sopa por 1 euro.
- Que bom que eu encontrei uma senhora tão boa no meu caminho... bla bla bla whiskas sachê.

Ele seguia ao meu lado, indo para o mesmo lugar que eu, quando para de repente, agradece mais uma vez e dá as costas.

Sei lá o que ele queria agora? Segui meu caminho.

Uns metros à frente, resolvi olhar pra trás para ver em que direção ele estava indo, se da mesma que veio, por exemplo.

Que nada. Ele entrou num cassino que tem na esquina da rua em que estavávamos. Juro que deu vontade de ir lá, bater nas costas de dele e dizer: "Devolve!". Mas, né, não é do meu feitio.

Depois fiquei pensando: culpa minha que dei muito dinheiro pra ele. Se tivesse dado só o suficiente para o pão, ele teria comprado só o pão... E, ah, quer saber, deve ser por isso e entre outras coisas também que não tem um teto sobre a cabeça.

E 2 euros é muito dinheiro, Sra. Ricaça? Véi, com 2 euros, dá pra fazer uma janta e ainda sobra pra uma boquinha no dia seguinte. Quanto é 1kg de batata e 2 linguiças? E se ele não tivesse aonde fazer a comida, o pãozinho é 0,15€. Ou daria para dois pratos de sopa no supermercado.

Mas, o vício...